Disponível em: <http://portalexame.abril.com.br/blogs/gradilone/listar1.shtml>.
Acesso em: 28 abr. 2009.
A gripe suína e os mercados 1/2
Por Cláudio Gradilone 27/04/2009 - 14:49
O susto do dia nesta segunda-feira, dia 27 de abril, chama-se gripe suína. Consta que ela já matou 22 pessoas no México, e há rumores não confirmados de vítimas nos Estados Unidos, Canadá e Espanha. Como qualquer susto, a gripe suína leva as pessoas a agir em pânico e a tomar decisões incorretas, o que costuma gerar boas oportunidades de investimento no mercado.
Para entender melhor o que é esse problema, nada como passar a manhã conversando com quem entende do assunto. As conversas renderam o seguinte:
- a gripe suína, como qualquer gripe, é uma doença viral. Ou seja, provocada por um vírus. Isso faz toda a diferença.
- os virus são os microorganismos que mudam mais rapidamente. Enquanto você lê este post, algo que deve levar mais ou menos cinco minutos, já devem ter surgido algumas cepas novas de vírus da gripe. Isso vai continuar enquanto houver vida na Terra.
- por isso os virus são tão difíceis de combater: eles não são muito poderosos, mas são incontáveis. Para ficarmos em uma metáfora militar, pense em um general que pudesse mandar milhões e milhões de soldados para a morte todos os dias, continuamente, sem que o seu estoque de tropas diminuísse. Em algum momento, um desses milhões de soldados encontraria uma brecha nas defesas do corpo e faria um estrago. Por isso pegamos gripe no início do outono, quando a umidade aumenta e as temperaturas baixam. Mais frágeis, nossos organismos exibem mais brechas.
Dito isso, o que a gripe suína tem de novidade? Não muito, infelizmente. Nos últimos cinco anos, duas cepas de gripe, a Sars e a gripe aviária, fizeram estragos na Ásia, e esses estragos se espalharam pelo mundo devido à eficiência das empresas de transporte aéreo (onde não tem Infraero, claro).
Essas doenças surgiram a partir de mutações de virus que atacam galinhas e porcos e que passam a atacar humanos. As irrupções de gripe costumam ocorrer em países pobres e com forte base agrícola, onde animais e pessoas costumam dividir os mesmos ambientes.
Como tudo isso pode afetar os mercados? Por enquanto, a reação dos investidores tem sido exagerada. Em Wall Street, os investidores têm feito o equivalente ao hipocondríaco que lava as mãos continuamente e anda por aí com uma máscara cirúrgica para evitar contágio.
Essa entidade mística chamada mercado, que é a soma de milhões de indivíduos tomando decisões, vendeu ações de empresas que produzem carne suína e de companhias aéreas, e comprou papéis de empresas farmacêuticas.
A venda de ações de empresas aéreas lá fora afetou os papéis das companhias daqui, também. Tam PN está caindo 5,4% e Gol, cujo faturamento depende menos de vôos internacionais, está recuando 1,6%.
As ações de empresas ligadas à produção animal estão indo muito bem, obrigado. Sadia PN sobe 7,1%, Perdigão PN sobe 3,5% e JHS Friboi avança 5,9%, estimuladas pela compreensão do mercado de que a gripe é transmitida pelo ar, não pela ingestão de carne de um porco gripado. Mesmo que a carne atuasse como um agente transmissor, não há virus da gripe que resista a uma hora de forno ou panela, que é o tempo que a carne de porco demora para ficar cozida. Ou seja, depois de oscilarem, as ações das empresas brasileiras produtoras de proteína animal subiram bastante.
Moral da história: pode ser uma boa hora para comprar ações das empresas produtoras de alimentos. O Brasil tem uma fama razoavelmente boa em ser um produtor de comida saudável (de vez em quando uns fazendeiros contrabandeiam uns bois com aftosa do Paraguai e a Vigilância Sanitária não descobre a tempo, mas tudo bem), e essa qualidade é reconhecida pelos investidores internacionais.
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terça-feira, 28 de abril de 2009
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Atchim! Subiu e caiu!
Disponível em: <http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200904271613_RTR_1240848792nN27534172&idtel=>.
Acesso em: 27 abr. 2009.
Mercados Financeiros
Bolsas européias sobem; gripe suína impulsiona farmacêuticas
As bolsas de valores da Europa terminaram em alta nesta segunda-feira, em recuperação após terem sido pressionadas em grande parte do dia por temores sobre uma possível pandemia da gripe suína. As companhias farmacêuticas avançaram motivadas por esperanças de aumento da demanda por vacinas e outras drogas para tratamento da doença.
O índice FTSEurofirst 300, referência das principais ações europeias, subiu 0,53%, para 814 pontos, após ter atingido 795 pontos mais cedo. GlaxoSmithKline subiu 5,7%, AstraZeneca avançou 3,7%, Sanofi-Aventis ganhou 2,4% e Roche teve valorização de 3,5%.
"É muito fácil identificar setores específicos que podem ser vulneráveis ao problema, como o setor de viagens, hoteleiro e de transporte aéreo, mas o sentimento geral ainda é razoavelmente positivo após os ganhos que vimos nas últimas semanas", disse Henk Potts, estrategista do Barclays Stockbrokers.
"A leve melhoria que estamos vendo, em termos de dados econômicos junto com uma temporada de resultados mais positiva, está excedendo o risco potencial do agravamento da gripe suína", acrescentou ele.
O comitê emergencial da Organização Mundial de Saúde (OMS) pode elevar o alerta pandêmico para fase 4 ou 5, conforme o surto de gripe suína não mostra sinais de abrandamento, disse um porta-voz da agência. O vírus matou cerca de 100 pessoas no México e se espalhou para a América do Norte e Europa.
Entre as ações dos segmentos de viagens e lazer, a companhia áerea Lufthansa despencou 9,25%, British Airways retrocedeu 7,75%, Air France-KLM caiu 6,56% e Tui Travel recuou 3,3%.
Em Londres, o índice Financial Times fechou em alta de 0,27%, a 4.167 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX ganhou 0,42%, para 4.694 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 recuou 0,01%, para 3.102 pontos.
Em Milão, o índice Mibtel subiu 0,5%, para 14.897 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 registrou declínio de 1,25%, para 8.777 pontos. Em Lisboa, o índice PSI20 perdeu 0,29%, a 6.617 pontos.
Acesso em: 27 abr. 2009.
Mercados Financeiros
Bolsas européias sobem; gripe suína impulsiona farmacêuticas
As bolsas de valores da Europa terminaram em alta nesta segunda-feira, em recuperação após terem sido pressionadas em grande parte do dia por temores sobre uma possível pandemia da gripe suína. As companhias farmacêuticas avançaram motivadas por esperanças de aumento da demanda por vacinas e outras drogas para tratamento da doença.
O índice FTSEurofirst 300, referência das principais ações europeias, subiu 0,53%, para 814 pontos, após ter atingido 795 pontos mais cedo. GlaxoSmithKline subiu 5,7%, AstraZeneca avançou 3,7%, Sanofi-Aventis ganhou 2,4% e Roche teve valorização de 3,5%.
"É muito fácil identificar setores específicos que podem ser vulneráveis ao problema, como o setor de viagens, hoteleiro e de transporte aéreo, mas o sentimento geral ainda é razoavelmente positivo após os ganhos que vimos nas últimas semanas", disse Henk Potts, estrategista do Barclays Stockbrokers.
"A leve melhoria que estamos vendo, em termos de dados econômicos junto com uma temporada de resultados mais positiva, está excedendo o risco potencial do agravamento da gripe suína", acrescentou ele.
O comitê emergencial da Organização Mundial de Saúde (OMS) pode elevar o alerta pandêmico para fase 4 ou 5, conforme o surto de gripe suína não mostra sinais de abrandamento, disse um porta-voz da agência. O vírus matou cerca de 100 pessoas no México e se espalhou para a América do Norte e Europa.
Entre as ações dos segmentos de viagens e lazer, a companhia áerea Lufthansa despencou 9,25%, British Airways retrocedeu 7,75%, Air France-KLM caiu 6,56% e Tui Travel recuou 3,3%.
Em Londres, o índice Financial Times fechou em alta de 0,27%, a 4.167 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX ganhou 0,42%, para 4.694 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 recuou 0,01%, para 3.102 pontos.
Em Milão, o índice Mibtel subiu 0,5%, para 14.897 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 registrou declínio de 1,25%, para 8.777 pontos. Em Lisboa, o índice PSI20 perdeu 0,29%, a 6.617 pontos.
domingo, 26 de abril de 2009
A Sustentável Leveza do Ter
Disponível em: .
Acesso em: 25 abr. 2009.
Sustentabilidade aumenta lucros em até 2%
Uma pesquisa divulgada pela consultoria internacional Atos Origin e pela IDC apontou que as companhias que desenvolvem programas de sustentabilidade alcançam maiores margens de lucro. Segundo o estudo, realizado com 165 executivos seniores dos setores de manufatura e varejo na Europa, os ganhos das companhias "verdes" podem superar as demais em até 2%.
Para Thierry Breton, CEO da Atos Origin, as políticas de sustentabilidade podem garantir, além da preservação dos recursos naturais e do meio ambiente, maior resistência das companhias em tempos de crise. "As organizações que inserirem sustentabilidade em suas estratégias e operações terão seu futuro mais garantido em tempos incertos", assegurou.
O levantamento apontou, ainda, que 46% das empresas pesquisadas estão executando ou planejam executar projetos ambientais, que são justificados pela redução de custo. Para os entrevistados, a prática de projetos sustentáveis também garantirá retornos financeiros acima da média, segundo a pesquisa.
Cerca de 25% das companhias declararam ter migrado de abordagens reativas para estratégias proativas com relação à excelência ambiental, ao passo que outros 5% disseram ter equipes multifuncionais, apontando a fragmentação da responsabilidade pelas iniciativas sustentáveis nas empresas.
No Brasil, a sustentabilidade também é uma tendência. De acordo com levantamento da Fundação Getúlio Vargas, a pedido do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), 52% das companhias brasileiras desenvolvem algum tipo de iniciativa voltada para sustentabilidade. O levantamento apontou, ainda, que 62% das companhias se valem de critérios socioambientais para escolher seus fornecedores.
Acesso em: 25 abr. 2009.
Sustentabilidade aumenta lucros em até 2%
Uma pesquisa divulgada pela consultoria internacional Atos Origin e pela IDC apontou que as companhias que desenvolvem programas de sustentabilidade alcançam maiores margens de lucro. Segundo o estudo, realizado com 165 executivos seniores dos setores de manufatura e varejo na Europa, os ganhos das companhias "verdes" podem superar as demais em até 2%.
Para Thierry Breton, CEO da Atos Origin, as políticas de sustentabilidade podem garantir, além da preservação dos recursos naturais e do meio ambiente, maior resistência das companhias em tempos de crise. "As organizações que inserirem sustentabilidade em suas estratégias e operações terão seu futuro mais garantido em tempos incertos", assegurou.
O levantamento apontou, ainda, que 46% das empresas pesquisadas estão executando ou planejam executar projetos ambientais, que são justificados pela redução de custo. Para os entrevistados, a prática de projetos sustentáveis também garantirá retornos financeiros acima da média, segundo a pesquisa.
Cerca de 25% das companhias declararam ter migrado de abordagens reativas para estratégias proativas com relação à excelência ambiental, ao passo que outros 5% disseram ter equipes multifuncionais, apontando a fragmentação da responsabilidade pelas iniciativas sustentáveis nas empresas.
No Brasil, a sustentabilidade também é uma tendência. De acordo com levantamento da Fundação Getúlio Vargas, a pedido do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), 52% das companhias brasileiras desenvolvem algum tipo de iniciativa voltada para sustentabilidade. O levantamento apontou, ainda, que 62% das companhias se valem de critérios socioambientais para escolher seus fornecedores.
sábado, 25 de abril de 2009
Quem audita o auditor?
Disponível em: .
Acesso em: 23 abr. 2009.
Contador preso por fraude
Contador de Madoff é preso por fraude
Nova York (19 de Março de 2009)
O contador que ofereceu serviços de auditoria à companhia de Bernard L. Madoff por mais de uma década, operando a partir de um minúsculo escritório em Rockland County, foi acusado ontem de fraudes - envolvendo valores mobiliários e consultoria para investimentos - relacionadas ao gigantesco esquema de pirâmide financeira de Madoff.
O contador, David G. Friehling, que tornou-se o principal auditor de Madoff no início da década de 1990, quando seu sogro se aposentou e ele assumiu a empresa Friehling & Horowitz que contava com apenas dois sócios, entregou-se às autoridades federais e à promotoria pública na manhã desta quarta-feira.
Estas foram as primeiras queixas registradas publicamente desde que Madoff, 70, confessou ser culpado das acusações de fraude financeira na última quinta-feira e deverá aguardar em um presídio federal a sua condenação, que poderá ser o equivalente à prisão perpétua. Fontes familiarizadas com o andamento do processo acreditam que outros casos devem vir à tona uma vez que os promotores públicos e agentes de FBI estão investigando membros da família de Madoff e seus funcionários, embora ele tenha afirmado que agiu sozinho na fraude de pirâmide financeira.
A prisão de Friehling aconteceu alguns dias após a morte de seu sogro e ex-sócio, Jeremy Horowitz, que tinha 80 anos de idade e sofria de câncer. A morte de Horowitz aconteceu no estado da Flórida na mesma manhã em que Madoff admitiu sua culpa na corte distrital de Lower Manhattan, mesmo tribunal onde, ontem, Friehling foi levado à juízo. Horowitz havia sido interrogado recentemente por investigadores federais que buscavam juntar informações acerca do esquema fraudulento de Madoff, informou uma fonte. Se Friehling for considerado culpado, ele poderá ser condenado a até 105 anos de detenção. O advogado de Friehling, Andrew M. Lankler, recusou-se a comentar o assunto. O pequeno escritório de Friehling agora está fechado e há uma placa de "aluga-se" na janela.
Fonte: Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados (The New York Times)
Acesso em: 23 abr. 2009.
Contador preso por fraude
Contador de Madoff é preso por fraude
Nova York (19 de Março de 2009)
O contador que ofereceu serviços de auditoria à companhia de Bernard L. Madoff por mais de uma década, operando a partir de um minúsculo escritório em Rockland County, foi acusado ontem de fraudes - envolvendo valores mobiliários e consultoria para investimentos - relacionadas ao gigantesco esquema de pirâmide financeira de Madoff.
O contador, David G. Friehling, que tornou-se o principal auditor de Madoff no início da década de 1990, quando seu sogro se aposentou e ele assumiu a empresa Friehling & Horowitz que contava com apenas dois sócios, entregou-se às autoridades federais e à promotoria pública na manhã desta quarta-feira.
Estas foram as primeiras queixas registradas publicamente desde que Madoff, 70, confessou ser culpado das acusações de fraude financeira na última quinta-feira e deverá aguardar em um presídio federal a sua condenação, que poderá ser o equivalente à prisão perpétua. Fontes familiarizadas com o andamento do processo acreditam que outros casos devem vir à tona uma vez que os promotores públicos e agentes de FBI estão investigando membros da família de Madoff e seus funcionários, embora ele tenha afirmado que agiu sozinho na fraude de pirâmide financeira.
A prisão de Friehling aconteceu alguns dias após a morte de seu sogro e ex-sócio, Jeremy Horowitz, que tinha 80 anos de idade e sofria de câncer. A morte de Horowitz aconteceu no estado da Flórida na mesma manhã em que Madoff admitiu sua culpa na corte distrital de Lower Manhattan, mesmo tribunal onde, ontem, Friehling foi levado à juízo. Horowitz havia sido interrogado recentemente por investigadores federais que buscavam juntar informações acerca do esquema fraudulento de Madoff, informou uma fonte. Se Friehling for considerado culpado, ele poderá ser condenado a até 105 anos de detenção. O advogado de Friehling, Andrew M. Lankler, recusou-se a comentar o assunto. O pequeno escritório de Friehling agora está fechado e há uma placa de "aluga-se" na janela.
Fonte: Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados (The New York Times)
Educação: um mercado bilionário
Disponível em: .
Acesso em: 25 abr. 2009.
Nós nunca estudamos tanto!
O ingresso de uma nova geração de consumidores quintuplicou o bilionário mercado brasileiro de ensino superior - que hoje movimenta 25 bilhões de reais por ano - e está mudando o perfil das instituições do país
No dia 9 de março, os executivos do grupo americano de ensino DeVry, com sede em Chicago e faturamento de 1 bilhão de dólares em 2008, encerraram uma busca que levou dois anos. Após pesquisar uma centena de países, eles encontraram no Nordeste brasileiro o destino para dar seu primeiro passo fora da América do Norte. Com investimento de 55 milhões de reais, o grupo arrematou 70% da Faculdades Nordeste (Fanor), com 10 000 alunos em cinco campi, no Ceará e na Bahia. O movimento do DeVry é a mais recente demonstração do interesse de investidores estrangeiros pelo mercado brasileiro de educação. O pioneiro foi o também americano Laureate, em 2005, com a compra do controle da rede de faculdades Anhembi Morumbi, de São Paulo. Um ano mais tarde, a americana Whitney International University adquiriu participação majoritária na Faculdades Jorge Amado, de Salvador. Representantes do Apollo, o maior grupo de educação do mundo, com receita de 3 bilhões de dólares em 2008, também vêm visitando o país em busca de oportunidades. "O mercado brasileiro ainda possui um grande número de estudantes potenciais para graduação, e a consolidação deverá continuar mesmo em meio à crise", diz Carlos Alberto Guerra Filgueiras, atual presidente e um dos fundadores da Fanor, criada em 2001 por um grupo de investidores interessados nas altas taxas de crescimento do setor.
Assim como Filgueiras, os estrangeiros foram atraídos por uma massa crescente de novos consumidores de educação no Brasil. Na última década, o número de alunos de graduação em escolas privadas no país passou de 1 milhão para cerca de 4 milhões (veja quadro na pág. 45). Na última década, o mercado quintuplicou seu valor e deverá movimentar neste ano 24 bilhões de reais. Boa parte desse crescimento pode ser creditada à ascensão da classe C - parcela da população com renda familiar mensal entre 1 000 e 4 600 reais, segundo o Ipea, e que até pouco tempo atrás era praticamente excluída do ensino superior. "Hoje os alunos da classe C representam a maior parte dos novos estudantes dos cursos de ensino superior no país", afirma Renato Souza Neto, diretor da PRS, empresa de consultoria educacional que mantém com o pai, o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. O ingresso desses consumidores não apenas possibilitou a criação de grandes grupos de educação no país como também tem exigido uma transformação do modelo de negócios das universidades. "Até pouco tempo atrás, esses grupos ofereciam apenas cursos de graduação tradicionais", diz Ryon Braga, diretor da consultoria especializada em educação Hoper. "Agora, eles estão criando modelos de negócios para atender às demandas dos novos alunos." Na prática, isso significa que as instituições precisam sanar três necessidades básicas ao oferecer um curso: que ele ajude o aluno a progredir na carreira, que seja próximo de casa ou do trabalho e que caiba em seu bolso.
Uma das tendências que despontam nesse contexto é a expansão dos cursos tecnológicos, com nível de graduação e duração de dois a três anos. Hoje existem cerca de 400 000 alunos desses cursos no país - menos de 10% do total de graduandos. Ainda se trata de uma participação pequena, sobretudo se comparada à média americana, em que 56% dos alunos de graduação frequentam cursos de curta duração. Mas o percentual brasileiro vem progredindo num ritmo acelerado. A consultoria Hoper projeta que o número total de alunos chegue a 490 000 até o final deste ano. Uma das instituições que investem nesse mercado é a Fanor, que desde 2008 oferece cinco cursos tecnológicos, como construção de edifícios e produção de eventos. "Devemos investir cada vez mais na expansão desse modelo", diz Filgueiras, que já programou a abertura de 30 novos cursos desse tipo nos próximos dois anos.
Alguns grupos fizeram um movimento de adaptação à nova demanda de forma ainda mais radical, como o Anhanguera, um dos maiores do país, com receita de 630 milhões de reais entre janeiro e setembro de 2008. Fundado em 1994, o grupo seguiu até recentemente apenas com cursos de graduação. O movimento mais relevante para mudar seu perfil ocorreu em julho, com a aquisição de 30% da rede de ensino profissionalizante Microlins, com sede em Valinhos, no interior de São Paulo, por 25 milhões de reais. Hoje o grupo possui 220 000 alunos na graduação e mais de 500 000 matriculados na Microlins, que oferece cursos técnicos específicos, como formação para garçons e operadores de telemarketing, com mensalidades de 75 a 120 reais. "Ter clareza sobre o perfil de nosso consumidor ajudou a direcionar a estratégia de investimentos", diz Antonio Carbonari Netto, presidente da Anhanguera, que investiu 300 milhões de reais em aquisições só em 2008.
Para atender aos quesitos de conveniência e preço exigidos pelos novos consumidores, boa parte dos grupos brasileiros planeja sustentar sua expansão por meio da educação a distância. De acordo com projeções da consultoria Hoper, trata-se de um modelo com potencial de crescimento de 230% nos próximos três anos, quando deverá atingir
2 milhões de alunos no Brasil. Além de permitir a expansão rápida para o interior, a educação a distância torna o ensino mais acessível à população de baixa renda. Um curso de graduação a distância custa em média 168 reais por mês, ante 457 reais de um tradicional. A expansão da educação a distância também deve ajudar no crescimento dos cursos de pós-graduação no país. Essa é a aposta, por exemplo, da Anhanguera, que comprou a paulista LFG no ano passado. A escola oferece cursos a distância que vão da preparação para exames da OAB a MBAs.
Segundo especialistas, a expansão da pós-graduação é também uma consequência natural do crescimento do número de formandos. Em alguns grupos, o aumento de matrículas já é maior no caso dos cursos de pós-graduação do que na graduação. É o caso do paranaense Positivo, que faturou cerca de 1,3 bilhão de reais em 2008. Neste ano, o Positivo abriu 36 novos cursos de pós-graduação, dobrando a oferta. "Muitos deles são voltados para mercados que se expandiram recentemente, como no caso da pós-graduação voltada para o mercado de etanol", afirma Oriovisto Guimarães, fundador e presidente do conselho de administração do grupo. Estimativas indicam que o número de alunos de cursos de pós-graduação passe dos atuais 600 000 para 2 milhões em três anos.
Para que boa parte dessas projeções de crescimento se concretize, será fundamental que o crédito educacional decole no país. Por enquanto, apenas 3,7% dos alunos matriculados usam esse sistema para financiar seus estudos, mas especialistas estimam que esse índice pode chegar a 30% até 2012 - nos Estados Unidos, mais de 70% dos graduandos financiam seus cursos. Recentemente, a Ideal Invest, primeira empresa criada no mercado brasileiro para crédito educativo, traçou um perfil dos estudantes que já financiam seus estudos. Em geral, eles ganham menos de dois salários mínimos por mês, a maioria - 63% - trabalha e 78% compõem a primeira geração de sua família num curso de graduação. Diante dos números do mercado potencial, aos poucos as próprias universidades começam a facilitar o crédito. Um exemplo é o grupo Kroton, que tem entre os fundadores o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. O Kroton já oferece hoje o Pravaler, da Ideal Invest, e está elaborando outro produto com o Unibanco. Atualmente, apenas 15% dos alunos do Kroton possuem financiamento. "Numa de nossas unidades, 65% dos alunos que ingressam nos cursos indicam que querem financiamento estudantil. Fizemos uma análise com uma instituição financeira e quase 70% desses alunos interessados já têm o crédito pré-aprovado", diz Walter Luiz Diniz Braga, presidente do grupo Kroton.
A consolidação do setor, tanto com a chegada de grupos estrangeiros como com o avanço dos grupos nacionais, deverá continuar aquecida neste ano. As possibilidades para fusões e aquisições são enormes - hoje, cerca de 70% do mercado de graduação está nas mãos de pequenas instituições de ensino. Segundo Luciano Campos, analista da Itaú Corretora especializado em educação, muitas escolas que abriram as portas na onda da expansão do setor - mais de 1 300 novas instituições surgiram entre 1997 e 2007, numa média de duas escolas por semana - deverão ser engolidas por outras mais fortes. A expectativa é que essa expansão melhore a posição do Brasil no ranking mundial de presença do ensino superior, elaborado pela Unesco. Hoje o percentual de brasileiros em cursos de graduação é um dos menores do mundo - apenas 20% da população que poderia estar na universidade de fato frequenta os bancos escolares. Países vizinhos, como Argentina e Chile, estão muito à frente, com 61% e 43%, respectivamente. "Temos um longo caminho a percorrer, mas estamos na direção certa", diz Braga, da consultoria Hoper.
Acesso em: 25 abr. 2009.
Nós nunca estudamos tanto!
O ingresso de uma nova geração de consumidores quintuplicou o bilionário mercado brasileiro de ensino superior - que hoje movimenta 25 bilhões de reais por ano - e está mudando o perfil das instituições do país
No dia 9 de março, os executivos do grupo americano de ensino DeVry, com sede em Chicago e faturamento de 1 bilhão de dólares em 2008, encerraram uma busca que levou dois anos. Após pesquisar uma centena de países, eles encontraram no Nordeste brasileiro o destino para dar seu primeiro passo fora da América do Norte. Com investimento de 55 milhões de reais, o grupo arrematou 70% da Faculdades Nordeste (Fanor), com 10 000 alunos em cinco campi, no Ceará e na Bahia. O movimento do DeVry é a mais recente demonstração do interesse de investidores estrangeiros pelo mercado brasileiro de educação. O pioneiro foi o também americano Laureate, em 2005, com a compra do controle da rede de faculdades Anhembi Morumbi, de São Paulo. Um ano mais tarde, a americana Whitney International University adquiriu participação majoritária na Faculdades Jorge Amado, de Salvador. Representantes do Apollo, o maior grupo de educação do mundo, com receita de 3 bilhões de dólares em 2008, também vêm visitando o país em busca de oportunidades. "O mercado brasileiro ainda possui um grande número de estudantes potenciais para graduação, e a consolidação deverá continuar mesmo em meio à crise", diz Carlos Alberto Guerra Filgueiras, atual presidente e um dos fundadores da Fanor, criada em 2001 por um grupo de investidores interessados nas altas taxas de crescimento do setor.
Assim como Filgueiras, os estrangeiros foram atraídos por uma massa crescente de novos consumidores de educação no Brasil. Na última década, o número de alunos de graduação em escolas privadas no país passou de 1 milhão para cerca de 4 milhões (veja quadro na pág. 45). Na última década, o mercado quintuplicou seu valor e deverá movimentar neste ano 24 bilhões de reais. Boa parte desse crescimento pode ser creditada à ascensão da classe C - parcela da população com renda familiar mensal entre 1 000 e 4 600 reais, segundo o Ipea, e que até pouco tempo atrás era praticamente excluída do ensino superior. "Hoje os alunos da classe C representam a maior parte dos novos estudantes dos cursos de ensino superior no país", afirma Renato Souza Neto, diretor da PRS, empresa de consultoria educacional que mantém com o pai, o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. O ingresso desses consumidores não apenas possibilitou a criação de grandes grupos de educação no país como também tem exigido uma transformação do modelo de negócios das universidades. "Até pouco tempo atrás, esses grupos ofereciam apenas cursos de graduação tradicionais", diz Ryon Braga, diretor da consultoria especializada em educação Hoper. "Agora, eles estão criando modelos de negócios para atender às demandas dos novos alunos." Na prática, isso significa que as instituições precisam sanar três necessidades básicas ao oferecer um curso: que ele ajude o aluno a progredir na carreira, que seja próximo de casa ou do trabalho e que caiba em seu bolso.
Uma das tendências que despontam nesse contexto é a expansão dos cursos tecnológicos, com nível de graduação e duração de dois a três anos. Hoje existem cerca de 400 000 alunos desses cursos no país - menos de 10% do total de graduandos. Ainda se trata de uma participação pequena, sobretudo se comparada à média americana, em que 56% dos alunos de graduação frequentam cursos de curta duração. Mas o percentual brasileiro vem progredindo num ritmo acelerado. A consultoria Hoper projeta que o número total de alunos chegue a 490 000 até o final deste ano. Uma das instituições que investem nesse mercado é a Fanor, que desde 2008 oferece cinco cursos tecnológicos, como construção de edifícios e produção de eventos. "Devemos investir cada vez mais na expansão desse modelo", diz Filgueiras, que já programou a abertura de 30 novos cursos desse tipo nos próximos dois anos.
Alguns grupos fizeram um movimento de adaptação à nova demanda de forma ainda mais radical, como o Anhanguera, um dos maiores do país, com receita de 630 milhões de reais entre janeiro e setembro de 2008. Fundado em 1994, o grupo seguiu até recentemente apenas com cursos de graduação. O movimento mais relevante para mudar seu perfil ocorreu em julho, com a aquisição de 30% da rede de ensino profissionalizante Microlins, com sede em Valinhos, no interior de São Paulo, por 25 milhões de reais. Hoje o grupo possui 220 000 alunos na graduação e mais de 500 000 matriculados na Microlins, que oferece cursos técnicos específicos, como formação para garçons e operadores de telemarketing, com mensalidades de 75 a 120 reais. "Ter clareza sobre o perfil de nosso consumidor ajudou a direcionar a estratégia de investimentos", diz Antonio Carbonari Netto, presidente da Anhanguera, que investiu 300 milhões de reais em aquisições só em 2008.
Para atender aos quesitos de conveniência e preço exigidos pelos novos consumidores, boa parte dos grupos brasileiros planeja sustentar sua expansão por meio da educação a distância. De acordo com projeções da consultoria Hoper, trata-se de um modelo com potencial de crescimento de 230% nos próximos três anos, quando deverá atingir
2 milhões de alunos no Brasil. Além de permitir a expansão rápida para o interior, a educação a distância torna o ensino mais acessível à população de baixa renda. Um curso de graduação a distância custa em média 168 reais por mês, ante 457 reais de um tradicional. A expansão da educação a distância também deve ajudar no crescimento dos cursos de pós-graduação no país. Essa é a aposta, por exemplo, da Anhanguera, que comprou a paulista LFG no ano passado. A escola oferece cursos a distância que vão da preparação para exames da OAB a MBAs.
Segundo especialistas, a expansão da pós-graduação é também uma consequência natural do crescimento do número de formandos. Em alguns grupos, o aumento de matrículas já é maior no caso dos cursos de pós-graduação do que na graduação. É o caso do paranaense Positivo, que faturou cerca de 1,3 bilhão de reais em 2008. Neste ano, o Positivo abriu 36 novos cursos de pós-graduação, dobrando a oferta. "Muitos deles são voltados para mercados que se expandiram recentemente, como no caso da pós-graduação voltada para o mercado de etanol", afirma Oriovisto Guimarães, fundador e presidente do conselho de administração do grupo. Estimativas indicam que o número de alunos de cursos de pós-graduação passe dos atuais 600 000 para 2 milhões em três anos.
Para que boa parte dessas projeções de crescimento se concretize, será fundamental que o crédito educacional decole no país. Por enquanto, apenas 3,7% dos alunos matriculados usam esse sistema para financiar seus estudos, mas especialistas estimam que esse índice pode chegar a 30% até 2012 - nos Estados Unidos, mais de 70% dos graduandos financiam seus cursos. Recentemente, a Ideal Invest, primeira empresa criada no mercado brasileiro para crédito educativo, traçou um perfil dos estudantes que já financiam seus estudos. Em geral, eles ganham menos de dois salários mínimos por mês, a maioria - 63% - trabalha e 78% compõem a primeira geração de sua família num curso de graduação. Diante dos números do mercado potencial, aos poucos as próprias universidades começam a facilitar o crédito. Um exemplo é o grupo Kroton, que tem entre os fundadores o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. O Kroton já oferece hoje o Pravaler, da Ideal Invest, e está elaborando outro produto com o Unibanco. Atualmente, apenas 15% dos alunos do Kroton possuem financiamento. "Numa de nossas unidades, 65% dos alunos que ingressam nos cursos indicam que querem financiamento estudantil. Fizemos uma análise com uma instituição financeira e quase 70% desses alunos interessados já têm o crédito pré-aprovado", diz Walter Luiz Diniz Braga, presidente do grupo Kroton.
A consolidação do setor, tanto com a chegada de grupos estrangeiros como com o avanço dos grupos nacionais, deverá continuar aquecida neste ano. As possibilidades para fusões e aquisições são enormes - hoje, cerca de 70% do mercado de graduação está nas mãos de pequenas instituições de ensino. Segundo Luciano Campos, analista da Itaú Corretora especializado em educação, muitas escolas que abriram as portas na onda da expansão do setor - mais de 1 300 novas instituições surgiram entre 1997 e 2007, numa média de duas escolas por semana - deverão ser engolidas por outras mais fortes. A expectativa é que essa expansão melhore a posição do Brasil no ranking mundial de presença do ensino superior, elaborado pela Unesco. Hoje o percentual de brasileiros em cursos de graduação é um dos menores do mundo - apenas 20% da população que poderia estar na universidade de fato frequenta os bancos escolares. Países vizinhos, como Argentina e Chile, estão muito à frente, com 61% e 43%, respectivamente. "Temos um longo caminho a percorrer, mas estamos na direção certa", diz Braga, da consultoria Hoper.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Tudo o que sobe cai?
Risco e oportunidades na bolsa
Tatiana Bautzer e Angelo Pavini, de São Paulo
05/08/2008
Com a queda de 13% na bolsa desde janeiro - só ontem o índice Bovespa caiu 3,5% - muitos investidores podem entrar em pânico e vender tudo. Mas, para os que têm sangue-frio, essa é a hora de escolher pechinchas do mercado, mostra a revista "ValorInveste", que circula hoje.
§O investidor Manuel Moreira Giesteira, que após a eleição de Lula comprou Itaúsa a R$ 1,60 (R$ 9,94 ontem), está adquirindo papéis de energia elétrica, pelos dividendos e alternativas de lucro. Pedro Bastos, do HSBC, sugere a venda de companhias realmente afetadas pela crise, mesmo com realização de prejuízos. Luiz Galvão, da Corretora Bradesco, propõe aos defensivos a compra de blue chips. Para os ousados, a opção são papéis de segunda linha "em liquidação" nos setores de varejo, construção, consumo e logística. André Lion, da BRZ, lembra uma máxima: comprar sempre "ao som de canhões" e vender "ao som de violinos".
Tatiana Bautzer e Angelo Pavini, de São Paulo
05/08/2008
Com a queda de 13% na bolsa desde janeiro - só ontem o índice Bovespa caiu 3,5% - muitos investidores podem entrar em pânico e vender tudo. Mas, para os que têm sangue-frio, essa é a hora de escolher pechinchas do mercado, mostra a revista "ValorInveste", que circula hoje.
§O investidor Manuel Moreira Giesteira, que após a eleição de Lula comprou Itaúsa a R$ 1,60 (R$ 9,94 ontem), está adquirindo papéis de energia elétrica, pelos dividendos e alternativas de lucro. Pedro Bastos, do HSBC, sugere a venda de companhias realmente afetadas pela crise, mesmo com realização de prejuízos. Luiz Galvão, da Corretora Bradesco, propõe aos defensivos a compra de blue chips. Para os ousados, a opção são papéis de segunda linha "em liquidação" nos setores de varejo, construção, consumo e logística. André Lion, da BRZ, lembra uma máxima: comprar sempre "ao som de canhões" e vender "ao som de violinos".
A tragédia de uma decisão
Em 3 de Julho de 1988, o estreito de Ormuz foi palco de uma das mais controversas tragédias da aviação da História, quando o vôo 655 da companhia iraniana Iran Air, um Airbus A300, foi abatido pelo navio de guerra da United States Navy USS Vincennes (CG-49). Todas as pessoas a bordo morreram (na maioria mulheres e crianças), e uma situação de crise internacional foi dificilmente evitada quando o presidente dos Estados Unidos George H. W. Bush disse "I will never apologise for what Americans do" (Nunca pedirei desculpas pelo que os Americanos fazem) e o presidente iraniano jurou vingança sobre os americanos. As circunstâncias dessa tragédia ainda não foram, e talvez nunca serão, totalmente esclarecidas.
Na mesma reportagem, o Washington Post lembra que, em 1988, o cruzador americano USS Vincennes derrubou um avião civil do Irã que levava 290 passageiros a bordo. Todos morreram. "Os Estados Unidos inicialmente afirmaram que era um avião militar, que estava fora do corredor da aviação civil e que não respondeu aos chamados por rádio. As duas afirmações iniciais eram falsas e as chamadas de rádio foram feitas na frequência militar às quais o avião civil não tinha acesso. Uma investigação subsequente mostrou que o navio americano estava fora de rota.“
É indispensável para se evitar erros trágicos como os que ocorreram nos USS Snark e no USS Vincennes. No primeiro caso o oficial não conseguiu compreender corretamente o lançamento de dois Exocet por dois Mirage F-1 iraquianos, causando a morte de 37 tripulantes no navio. Pouco mais de um ano depois, assustado com o caso anterior o comandante disparou mísseis SAM contra um Airbus da IranAir causando a morte de mais de 290 passageiros civis.
Na mesma reportagem, o Washington Post lembra que, em 1988, o cruzador americano USS Vincennes derrubou um avião civil do Irã que levava 290 passageiros a bordo. Todos morreram. "Os Estados Unidos inicialmente afirmaram que era um avião militar, que estava fora do corredor da aviação civil e que não respondeu aos chamados por rádio. As duas afirmações iniciais eram falsas e as chamadas de rádio foram feitas na frequência militar às quais o avião civil não tinha acesso. Uma investigação subsequente mostrou que o navio americano estava fora de rota.“
É indispensável para se evitar erros trágicos como os que ocorreram nos USS Snark e no USS Vincennes. No primeiro caso o oficial não conseguiu compreender corretamente o lançamento de dois Exocet por dois Mirage F-1 iraquianos, causando a morte de 37 tripulantes no navio. Pouco mais de um ano depois, assustado com o caso anterior o comandante disparou mísseis SAM contra um Airbus da IranAir causando a morte de mais de 290 passageiros civis.
O que quebrou os hedge funds?
GLOBO Panorama Econômico 18/09/2003
Não é a natureza especulativa dos investimentos a principal causa de falência de hedge funds nos EUA. Estudo da Capco com 100 desses fundos que quebraram desde 2000 mostra que metade quebrou pelos riscos operacionais e 38% pelos riscos dos investimentos propriamente ditos.
Entre os problemas operacionais, destacam-se as fraudes e outras irregularidades. O despreparo dos recursos humanos respondeu por apenas 9% da quebradeira causada por riscos operacionais; informação fraudulenta sobre os investimentos foi determinante do fracasso de 41% dos fundos; e o desvio de fundos por gestores foi responsável por 30% das quebras.
A ocorrência simultânea desses dois fatores explica a grande maioria das quebras por risco operacional.
Resumindo: o problema é de governança corporativa e regulação deficiente.
Não é a natureza especulativa dos investimentos a principal causa de falência de hedge funds nos EUA. Estudo da Capco com 100 desses fundos que quebraram desde 2000 mostra que metade quebrou pelos riscos operacionais e 38% pelos riscos dos investimentos propriamente ditos.
Entre os problemas operacionais, destacam-se as fraudes e outras irregularidades. O despreparo dos recursos humanos respondeu por apenas 9% da quebradeira causada por riscos operacionais; informação fraudulenta sobre os investimentos foi determinante do fracasso de 41% dos fundos; e o desvio de fundos por gestores foi responsável por 30% das quebras.
A ocorrência simultânea desses dois fatores explica a grande maioria das quebras por risco operacional.
Resumindo: o problema é de governança corporativa e regulação deficiente.
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Casos de Derivativos,
Casos de Finanças
Salários baixos, prêmios nem tanto
Disponível em:
Acesso em: 05 jul. 2007.
Salário de US$1
Empresas
EUA: executivo mais bem pago tem salário de US$ 1
Steve Jobs, executivo do grupo informático Apple, que oficialmente recebe apenas US$ 1 de salário por ano, foi em 2006 o patrão mais bem remunerado dos Estados Unidos, com US$ 646 milhões sob a forma de ações ou bônus, segundo a classificação da revista Forbes. Ele ganhou duas vezes mais do que o segundo colocado, Ray Irani, executivo do grupo petrolífero Occidental Petroleum (US$ 321 milhões), e do que o número 3, Barry Diller, diretor do grupo de mídia InterActive Corp (US$ 295 milhões), segundo a lista publicada na noite de quinta-feira.
O patrão da seguradora Fidelity National, William Foley, ficou em 4º, com US$ 179 milhões, seguido pelos dirigentes de dois grupos high tech: Terry Semel (Yahoo!), com US$ 174 milhões, e Michael Dell (Dell), com US$ 153 milhões. Jobs, no entanto, ficou em 36º lugar na classificação das performances de executivos, segundo a Forbes.
A Apple, cujos dois pilares, o iPod e os computadores Mac, são um sucesso constante, teve excelentes resultados financeiros nos últimos meses.
Para o trimestre que termina em março, o grupo conseguiu vender mais de 10 milhões de iPods e quase dobrou seu lucro líquido, enquanto que suas vendas cresceran em 20%. O grupo vendeu exatamente 10,549 milhões de iPods, ou seja, 24% a mais em um ano, e 1,517 milhão de computadores Macintosh (36% a mais em um ano).
Seu lucro atingiu US$ 770 milhões e suas vendas ficaram em US$ 5,26 bilhões.
Recentemente, Jobs foi acusado por seu ex-diretor financeiro, Fred Anderson, de ter ordenado o acobertamento de um plano de venda de ações com data retroativa em 2001, o que aumentou o valor das ações de Jobs.
Mas uma pesquisa da SEC, agência de regulação da bolsa americana, considerou Anderson culpado, além da ex-diretora jurídica, Nancy Heinen. Ela, no entanto, não apresentou nenhuma acusação contra Jobs, que recebeu o apoio oficial de seu conselho de administração.
Os 500 dirigentes classificados pela Forbes viram sua remuneração crescer em 38% em 2006, ou seja, em US$ 7,5 bilhões.
Acesso em: 05 jul. 2007.
Salário de US$1
Empresas
EUA: executivo mais bem pago tem salário de US$ 1
Steve Jobs, executivo do grupo informático Apple, que oficialmente recebe apenas US$ 1 de salário por ano, foi em 2006 o patrão mais bem remunerado dos Estados Unidos, com US$ 646 milhões sob a forma de ações ou bônus, segundo a classificação da revista Forbes. Ele ganhou duas vezes mais do que o segundo colocado, Ray Irani, executivo do grupo petrolífero Occidental Petroleum (US$ 321 milhões), e do que o número 3, Barry Diller, diretor do grupo de mídia InterActive Corp (US$ 295 milhões), segundo a lista publicada na noite de quinta-feira.
O patrão da seguradora Fidelity National, William Foley, ficou em 4º, com US$ 179 milhões, seguido pelos dirigentes de dois grupos high tech: Terry Semel (Yahoo!), com US$ 174 milhões, e Michael Dell (Dell), com US$ 153 milhões. Jobs, no entanto, ficou em 36º lugar na classificação das performances de executivos, segundo a Forbes.
A Apple, cujos dois pilares, o iPod e os computadores Mac, são um sucesso constante, teve excelentes resultados financeiros nos últimos meses.
Para o trimestre que termina em março, o grupo conseguiu vender mais de 10 milhões de iPods e quase dobrou seu lucro líquido, enquanto que suas vendas cresceran em 20%. O grupo vendeu exatamente 10,549 milhões de iPods, ou seja, 24% a mais em um ano, e 1,517 milhão de computadores Macintosh (36% a mais em um ano).
Seu lucro atingiu US$ 770 milhões e suas vendas ficaram em US$ 5,26 bilhões.
Recentemente, Jobs foi acusado por seu ex-diretor financeiro, Fred Anderson, de ter ordenado o acobertamento de um plano de venda de ações com data retroativa em 2001, o que aumentou o valor das ações de Jobs.
Mas uma pesquisa da SEC, agência de regulação da bolsa americana, considerou Anderson culpado, além da ex-diretora jurídica, Nancy Heinen. Ela, no entanto, não apresentou nenhuma acusação contra Jobs, que recebeu o apoio oficial de seu conselho de administração.
Os 500 dirigentes classificados pela Forbes viram sua remuneração crescer em 38% em 2006, ou seja, em US$ 7,5 bilhões.
BrT admite que "longo litígio" entre acionistas cria incertezas
Convergência Digital :: 12/03/2008
Ao divulgar às Bolsas de valores Estrangeiras, o plano de ação para 2008 e os números de 2007, a Brasil Telecom destacou a briga de acionistas como um dos pontos a criar incertezas com relação ao futuro da concessionária. O documento, que também está disponível na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), é assinado pelo Diretor de Relações com Investidores, Paulo Nardélio do Amaral.
No informe, a concessionária admite que "disputas entre nossos acionistas controladores e as entidades que administram esses acionistas já exerceram e podem voltar a exercer no futuro um efeito negativo sobre nossa administração e nossas operações".
Convergência Digital :: 12/03/2008
Ao divulgar às Bolsas de valores Estrangeiras, o plano de ação para 2008 e os números de 2007, a Brasil Telecom destacou a briga de acionistas como um dos pontos a criar incertezas com relação ao futuro da concessionária. O documento, que também está disponível na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), é assinado pelo Diretor de Relações com Investidores, Paulo Nardélio do Amaral.
No informe, a concessionária admite que "disputas entre nossos acionistas controladores e as entidades que administram esses acionistas já exerceram e podem voltar a exercer no futuro um efeito negativo sobre nossa administração e nossas operações".
Para não jogar a bola fora
Disponível em: .
Acesso em: 24 jul. 2007.
Cuidado com oferta de investimento em jogador de futebol
Após problemas e prejuízos em aplicações em bois e avestruzes, CVM alerta investidores para oferta de aplicações em "direitos federativos" de jogadores de futebolApós os problemas gerados por aplicações na criação de bois e de avestruzes, que trouxeram fortes perdas aos investidores, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) volta a alertar para o risco de captação irregular de poupança popular.A CVM verificou a oferta ao público de investimento em "direitos federativos" de atletas profissionais da Sociedade Esportiva Palmeiras e do Guarani Futebol Clube. Nessas situações, o dinheiro entregue pelos investidores seria usado em benefício dos clubes de futebol detentores dos "direitos federativos" dos atletas. Os investidores teriam o direito de participar dos ...
Acesso em: 24 jul. 2007.
Cuidado com oferta de investimento em jogador de futebol
Após problemas e prejuízos em aplicações em bois e avestruzes, CVM alerta investidores para oferta de aplicações em "direitos federativos" de jogadores de futebolApós os problemas gerados por aplicações na criação de bois e de avestruzes, que trouxeram fortes perdas aos investidores, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) volta a alertar para o risco de captação irregular de poupança popular.A CVM verificou a oferta ao público de investimento em "direitos federativos" de atletas profissionais da Sociedade Esportiva Palmeiras e do Guarani Futebol Clube. Nessas situações, o dinheiro entregue pelos investidores seria usado em benefício dos clubes de futebol detentores dos "direitos federativos" dos atletas. Os investidores teriam o direito de participar dos ...
O barato pode sair muito caro
Disponível em: <www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/520/artigo60819-1.htm>.
Acesso em 17 out. 2007.
DELOITTE CONTRA A PAREDE
Consultoria sofre processos judiciais após auditar documentos e registros contábeis de exportações fraudulentas de soja. E defende-se acusando outra empresa, a Globalbank, de coordenar as operacões. Istoé Dinheiro. 12/09/2007. Por Milton Gamez
A cobrança excessiva e complexa de impostos faz do Brasil um paraíso para as empresas que oferecem serviços de planejamento tributário. Grandes firmas internacionais disputam com as locais o rentável mercado de soluções para reduzir a mordida do governo, que passa de R$ 800 bilhões por ano. Todas dizem que operam dentro da lei e usam as brechas da legislação para favorecer os clientes. O problema é que nem sempre o planejamento tributário termina bem para as partes envolvidas. Uma ferrenha briga judicial, exposta ao público na semana passada, mostra que os riscos nem sempre compensam os ganhos com a economia de impostos de maneira, digamos, “criativa”. Duas consultorias, a Deloitte e a Globalbank Consulting, tiveram a imagem chamuscada depois de sofrerem processos milionários de empresas que contrataram seus serviços e acabaram multadas pela Fazenda paulista. Acionadas judicialmente por grandes companhias – como Casas Pernambucanas, Tubos e Cone xões Tigre e Ficap –, a Deloitte e a Globalbank passaram a acusar-se mutuamente pela responsabilidade das operações irregulares de suas clientes. A briga é desproporcional: a Deloitte, uma das maiores consultorias do mundo, tem muito mais a perder com os danos à sua imagem do que a Globalbank, empresa de Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-secretário de Assuntos Estratégicos do governo Collor.
Tudo começou a partir de 2002, quando as empresas foram procuradas por consultores com uma proposta de planejamento tributário, no mínimo, ousada. O plano era o seguinte: as empresas passariam a comprar óleo e farelo de soja para exportação. Ao comprarem soja de outro Estado (Mato Grosso) para exportar, elas seriam beneficiadas com créditos fiscais e teriam descontos nos pagamentos dos impostos devidos. Teriam créditos de ICMS (alíquota de 12%), de Cofins (7,6%) e de PIS (1,65%). Dito e feito. Embora não tivessem tradição nenhuma no setor agrícola, a Casas Pernambucanas, a Tigre, a Ficap e a Adria aceitaram a sugestão dos consultores e passaram a acumular créditos fiscais com a compra e venda de soja. O problema é que essas operações eram fictícias, ou seja, existiam apenas no papel. Empresas de fachada eram abertas e fechadas conforme a conveniência do esquema.
A maracutaia tributária, apelidada de soja-papel, foi descoberta pela Receita Federal e pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo em 2005, segundo reportagem publicada na época pelo jornal Folha de S. Paulo. Mais de R$ 1,5 bilhão em notas frias foram utilizadas. Somente a Casas Pernambucanas e a Tigre “exportaram” R$ 550 milhões. A rede varejista fechou pelo menos 12 operações entre dezembro de 2002 e agosto de 2004, pelas quais foi multada em R$ 340,5 milhões. A Tigre fez 13 operações e “exportou” 255 mil toneladas de soja. Levou multas de R$ 46,1 milhões. Ambas aderiram a um programa do governo paulista para reduzir os juros e multas nas dívidas de ICMS e acertaram as contas com a Fazenda estadual. Depois, as empresas voltaram-se contra as consultorias Deloitte e Globalbank, que seriam responsáveis pelo planejamento tributário fracassado.
A Casas Pernambucanas quer receber indenização de R$ 92 milhões da Deloitte. A Tigre, R$ 38,6 milhões. E a Ficap, R$ 5,1 milhões. Todas afirmam que aceitaram a solução tributária por causa da credibilidade que a Deloitte conferiu às operações. A Casas Pernambucanas e a Ficap também processam a Globalbank. As ações judiciais foram reveladas na sexta-feira 31 de agosto pelo jornal Valor Econômico. Desde então, a briga entre a Deloitte e a Globalbank tornou-se pública. Ambas colocaram anúncios pagos na imprensa na semana passada, defendendose das acusações e culpando- se pelo escândalo da soja-papel.A Deloitte diz que foi contratada pela Globalbank unicamente para revisar os documentos e os registros contábeis. Isso ocorreu, segundo a Deloitte, antes mesmo de a Globalbank ter sido contratada pela Casas Pernambucanas e pela Tigre para fazer o planejamento fiscal. Por esse trabalho, recebeu honorários de R$ 495 mil. A “Globalbank, a empresa que coordenou essas operações, nos contratos assinados com suas clientes, responsabilizou-se pelo acompanhamento logístico e físico da soja relacionado às transações, inclusive pela eventual sustentação jurídica, nos âmbitos administrativo e judicial”, escreveu a Deloitte. A consultoria ainda afirma ter denunciado a operação às autoridades policiais tão logo tomou conhecimento das dúvidas sobre a idoneidade dos dodocumentos revisados. A Globalbank, em resposta, colocou a culpa na Deloitte: “A Deloitte afirmou a excelência da operação e se dispôs a apresentá-la a clientes dela.” E acrescentou: “A Globalbank Consulting, que tinha na Deloitte a garantia de correção e legalidade da operação, sente-se decepcionada com as tentativas desta de fugir a sua responsabilidade.”
Acesso em 17 out. 2007.
DELOITTE CONTRA A PAREDE
Consultoria sofre processos judiciais após auditar documentos e registros contábeis de exportações fraudulentas de soja. E defende-se acusando outra empresa, a Globalbank, de coordenar as operacões. Istoé Dinheiro. 12/09/2007. Por Milton Gamez
A cobrança excessiva e complexa de impostos faz do Brasil um paraíso para as empresas que oferecem serviços de planejamento tributário. Grandes firmas internacionais disputam com as locais o rentável mercado de soluções para reduzir a mordida do governo, que passa de R$ 800 bilhões por ano. Todas dizem que operam dentro da lei e usam as brechas da legislação para favorecer os clientes. O problema é que nem sempre o planejamento tributário termina bem para as partes envolvidas. Uma ferrenha briga judicial, exposta ao público na semana passada, mostra que os riscos nem sempre compensam os ganhos com a economia de impostos de maneira, digamos, “criativa”. Duas consultorias, a Deloitte e a Globalbank Consulting, tiveram a imagem chamuscada depois de sofrerem processos milionários de empresas que contrataram seus serviços e acabaram multadas pela Fazenda paulista. Acionadas judicialmente por grandes companhias – como Casas Pernambucanas, Tubos e Cone xões Tigre e Ficap –, a Deloitte e a Globalbank passaram a acusar-se mutuamente pela responsabilidade das operações irregulares de suas clientes. A briga é desproporcional: a Deloitte, uma das maiores consultorias do mundo, tem muito mais a perder com os danos à sua imagem do que a Globalbank, empresa de Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-secretário de Assuntos Estratégicos do governo Collor.
Tudo começou a partir de 2002, quando as empresas foram procuradas por consultores com uma proposta de planejamento tributário, no mínimo, ousada. O plano era o seguinte: as empresas passariam a comprar óleo e farelo de soja para exportação. Ao comprarem soja de outro Estado (Mato Grosso) para exportar, elas seriam beneficiadas com créditos fiscais e teriam descontos nos pagamentos dos impostos devidos. Teriam créditos de ICMS (alíquota de 12%), de Cofins (7,6%) e de PIS (1,65%). Dito e feito. Embora não tivessem tradição nenhuma no setor agrícola, a Casas Pernambucanas, a Tigre, a Ficap e a Adria aceitaram a sugestão dos consultores e passaram a acumular créditos fiscais com a compra e venda de soja. O problema é que essas operações eram fictícias, ou seja, existiam apenas no papel. Empresas de fachada eram abertas e fechadas conforme a conveniência do esquema.
A maracutaia tributária, apelidada de soja-papel, foi descoberta pela Receita Federal e pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo em 2005, segundo reportagem publicada na época pelo jornal Folha de S. Paulo. Mais de R$ 1,5 bilhão em notas frias foram utilizadas. Somente a Casas Pernambucanas e a Tigre “exportaram” R$ 550 milhões. A rede varejista fechou pelo menos 12 operações entre dezembro de 2002 e agosto de 2004, pelas quais foi multada em R$ 340,5 milhões. A Tigre fez 13 operações e “exportou” 255 mil toneladas de soja. Levou multas de R$ 46,1 milhões. Ambas aderiram a um programa do governo paulista para reduzir os juros e multas nas dívidas de ICMS e acertaram as contas com a Fazenda estadual. Depois, as empresas voltaram-se contra as consultorias Deloitte e Globalbank, que seriam responsáveis pelo planejamento tributário fracassado.
A Casas Pernambucanas quer receber indenização de R$ 92 milhões da Deloitte. A Tigre, R$ 38,6 milhões. E a Ficap, R$ 5,1 milhões. Todas afirmam que aceitaram a solução tributária por causa da credibilidade que a Deloitte conferiu às operações. A Casas Pernambucanas e a Ficap também processam a Globalbank. As ações judiciais foram reveladas na sexta-feira 31 de agosto pelo jornal Valor Econômico. Desde então, a briga entre a Deloitte e a Globalbank tornou-se pública. Ambas colocaram anúncios pagos na imprensa na semana passada, defendendose das acusações e culpando- se pelo escândalo da soja-papel.A Deloitte diz que foi contratada pela Globalbank unicamente para revisar os documentos e os registros contábeis. Isso ocorreu, segundo a Deloitte, antes mesmo de a Globalbank ter sido contratada pela Casas Pernambucanas e pela Tigre para fazer o planejamento fiscal. Por esse trabalho, recebeu honorários de R$ 495 mil. A “Globalbank, a empresa que coordenou essas operações, nos contratos assinados com suas clientes, responsabilizou-se pelo acompanhamento logístico e físico da soja relacionado às transações, inclusive pela eventual sustentação jurídica, nos âmbitos administrativo e judicial”, escreveu a Deloitte. A consultoria ainda afirma ter denunciado a operação às autoridades policiais tão logo tomou conhecimento das dúvidas sobre a idoneidade dos dodocumentos revisados. A Globalbank, em resposta, colocou a culpa na Deloitte: “A Deloitte afirmou a excelência da operação e se dispôs a apresentá-la a clientes dela.” E acrescentou: “A Globalbank Consulting, que tinha na Deloitte a garantia de correção e legalidade da operação, sente-se decepcionada com as tentativas desta de fugir a sua responsabilidade.”
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Golpe não tão zero quilômetro
Época 28/08/2003 - 17:44 Edição nº 275
Golpe do carro zero volta a atacar consumidores em São Paulo
A volta de um velho golpe prejudica centenas de consumidores em São Paulo. Um anúncio veiculado em jornais oferece carros zero por até R$ 10 mil abaixo do preço de tabela. Mas os veículos e a empresa que faz essa oferta tentadora não existem. Começando pelo anúncio de jornal, tudo é mentira. O preço do carro, muito abaixo do mercado. O orçamento enviado por fax, com logotipo de montadora. A nota fiscal cheia de erros de português como "setessentos" e "massaneta" escritos com dois esses.
Verdadeiro, só o depósito feito pela vítima como sinal, que foi de R$ 3 mil no caso do corretor Francisco D’Paula. Ele chegou a ir até a porta da fábrica em São Bernardo do Campo só para descobrir que tinha sido enganado. “Eu cheguei na portaria 3 e descobri que não existia essa venda de veículo. O guarda falou que era um golpe que outras pessoas já tinham entrado nessa” – contou seu Francisco.
O mais surpreendente é que dez dias depois do golpe os telefones do anúncio continuaram atendendo. Os estelionatários parecem certos da impunidade. Para aumentar a credibilidade de uma operação toda feita por telefone, os golpistas usam linhas fixas que têm o endereço registrado. Mas isso não significa nenhum risco para a operação criminosa. A polícia chegou ao local onde estão instaladas as linhas usadas para enganar o seu Francisco. Não há nenhum telefone no salão vazio.
Um técnico que presta serviços à Telefônica disse que conhece o esquema. O provável destino final das ligações é surpreendente: celas de presídios. “O pessoal liga, mas o telefone vai cair direto na cadeia” – contou.
A Telefônica divulgou uma nota dizendo que está criando um grupo para investigar o uso de telefones no golpe. A Ford do Brasil alertou, mais uma vez, que não vende veículos por telefone. A montadora informou que todos os carros vendidos são entregues aos consumidores, diretamente nas lojas dos distribuidores oficiais.
Golpe do carro zero volta a atacar consumidores em São Paulo
A volta de um velho golpe prejudica centenas de consumidores em São Paulo. Um anúncio veiculado em jornais oferece carros zero por até R$ 10 mil abaixo do preço de tabela. Mas os veículos e a empresa que faz essa oferta tentadora não existem. Começando pelo anúncio de jornal, tudo é mentira. O preço do carro, muito abaixo do mercado. O orçamento enviado por fax, com logotipo de montadora. A nota fiscal cheia de erros de português como "setessentos" e "massaneta" escritos com dois esses.
Verdadeiro, só o depósito feito pela vítima como sinal, que foi de R$ 3 mil no caso do corretor Francisco D’Paula. Ele chegou a ir até a porta da fábrica em São Bernardo do Campo só para descobrir que tinha sido enganado. “Eu cheguei na portaria 3 e descobri que não existia essa venda de veículo. O guarda falou que era um golpe que outras pessoas já tinham entrado nessa” – contou seu Francisco.
O mais surpreendente é que dez dias depois do golpe os telefones do anúncio continuaram atendendo. Os estelionatários parecem certos da impunidade. Para aumentar a credibilidade de uma operação toda feita por telefone, os golpistas usam linhas fixas que têm o endereço registrado. Mas isso não significa nenhum risco para a operação criminosa. A polícia chegou ao local onde estão instaladas as linhas usadas para enganar o seu Francisco. Não há nenhum telefone no salão vazio.
Um técnico que presta serviços à Telefônica disse que conhece o esquema. O provável destino final das ligações é surpreendente: celas de presídios. “O pessoal liga, mas o telefone vai cair direto na cadeia” – contou.
A Telefônica divulgou uma nota dizendo que está criando um grupo para investigar o uso de telefones no golpe. A Ford do Brasil alertou, mais uma vez, que não vende veículos por telefone. A montadora informou que todos os carros vendidos são entregues aos consumidores, diretamente nas lojas dos distribuidores oficiais.
Finanças divertidas?
Disponível em: <http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200904221102_GZM_78011193&idtel=>.
Acesso em: 22 abril 2009.
Invertia
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now = new Date; t5 = now.getTime();
Quarta, 22 de abril de 2009, 8h02
Fonte: Gazeta Mercantil
Empresas
Parques de diversão viram "mico" entre investidores no Brasil
Maria Luíza Filgueiras
Parques de diversões, tidos como máquinas de fazer dinheiro nos Estados Unidos, transformaram-se num "mico" sem precedentes entre experientes investidores brasileiros. Playcenter, Terra Encantada, Water Park e Hopi Hari são exemplos de empreendimentos que desafiaram a lógica de fundos de private equity e de pensão: o investimento feito não retornou em dobro. Em poucos casos, aliás, retornou em alguma dimensão.
O mais curioso é que investidores e administradores continuam sem saber o que deu errado. Alguns culpam a estratégia de marketing, outros culpam os próprios investidores que não quiseram dar um pouquinho mais para fazer o negócio funcionar. Há quem acuse o brasileiro por suas opções de entretenimento, trocando um dia no parque por um passeio no shopping center ou um dia inteiro na frente da TV.
Independente da causa, muitos desses fundos continuam na composição societária de parques de diversões, seja por falta de comprador ou expectativa de reverter parte do prejuízo. No caso do Wet'n Wild, as duas versões são válidas. A Fundação dos Economiários Federais (Funcef), fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, pode estar perto de receber, pela primeira vez, retorno financeiro de um investimento que fez há quase 13 anos - e só lhe rendeu dor de cabeça.
O fundo entrou como o maior debenturista da sociedade Serra Azul, controladora do parque Wet'n Wild, na cidade paulista de Itupeva, na distribuição feita em 1996. À época, bancos e fundos adquiriram os papéis de dívida perpétua, total de R$ 54 milhões, parte da estrutura de financiamento para construção do complexo de lazer.
O restante foi distribuído entre Unibanco AIG, Fundação Philips de Seguridade Social, Fundação Francisco Bastos Martins (fundo de pensão da Companhia Ipiranga de Petróleo) e a Método Engenharia (construtora e operadora do parque) - composição que pouco tem a ver com a atual.
A proposta da Funcef foi transformar as debêntures em ações e ter de fato a figura de sócios. Na nova composição, os acionistas são a Funcef, a Método e os executivos Alain Baldacci e Fernando Furriela - ambos tinha créditos a receber da Wet''n Wild International, que foram trocados por participação na Serra Azul.
Os antigos contratos de royalties e administração foram rescindidos e as novas cláusulas adaptadas ao interesse do parque - a remuneração de operação será baseada em resultado, e não mais em faturamento, e o contrato de royalty fixo em reais, já que o antigo era variável e em dólar.
Debenturistas, operadora e franqueadora levaram dois anos para chegar num consenso sobre o plano de reestruturação. Em boa medida porque a operadora e a franqueadora não queriam passar de prestadoras de serviço à acionistas de uma empresa quebrada. "Mas se ninguém abrisse mão, chegaríamos à total insustentabilidade do parque, com disputa por ativos restantes, como terreno e equipamentos", explica Carlos Rosa, diretor de participações da Funcef.
A conclusão é que o parque pode iniciar uma nova fase já que, segundo Rosa, tem visitantes e receita suficiente para custeio e sobra de recursos para investimento. Na simulação dos investidores, com o faturamento bruto atual de R$ 18 milhões, o complexo poder gerar R$ 1,2 milhão de Ebitda.
A situação é semelhante à do Hopi Hari, na avaliação de Nelson de Sampaio Bastos, à frente da Íntegra, consultoria especializada em reestruturação de companhias em dificuldade que fez proposta para assumir o parque de diversões. "O Hopi Hari é operacionalmente viável, mas tem o peso da dívida, por isso estamos planejando uma reestruturação financeira em entendimento com o BNDES, que é credor, e os sócios", diz o executivo.
O complexo de lazer, que mantém público anual de 1,5 milhão de pessoas, mantém uma geração de caixa entre 15% e 18% sobre a receita - mas a Íntegra depende de um acordo com o BNDES para deságio da dívida, que torne seu plano de reestruturação viável. A estimativa de Bastos é que o processo leve até 50 dias para ser concluído. O parque também está na carteira da Funcef, além de Previ, Petros e GP Investimentos.
Venda com deságio ou perdão de dívida são as alternativas encontradas pelos investidores para minimizar danos. A Funcef, após provisionar uma perda de R$ 20 milhões em 2003 com o Wet'n Wild, chegou a avaliar a venda de sua participação. "Mas achamos que seria mal negócio, por estar vendendo um crédito, e não a participação de uma empresa, de debêntures cuja remuneração é zero. Não tem mercado secundário para isso", explica Rosa, lembrando que os investidores iniciais saíram do negócio com venda dos papéis entre 3% e 5% do valor de face.
"Preferimos fazer uma nova tentativa e recuperar parte do valor. A idéia da Funcef é vender a totalidade ou parte das ações", afirma. O fundo de pensão precisa enquadrar o investimento à resolução 3.456, que limita participação acionária desses investidores em 20% - com a reestrutu-ração, a Funcef passou a deter 56% das ações.
Em 2008, a dívida do parque rondava R$ 120 milhões, incapaz de fazer pagamento das obrigações iniciais, com patrimônio líquido negativo desde 2003. No caso do Hopi Hari, a dívida é estimada em R$ 500 milhões.
Segundo 'round' A avaliação desses agentes é que o segmento é viável, mas foi iniciado em bases equivocadas. "Vários negócios, como parques de diversão ou transporte ferroviário, exigem investimento significativo, mas o custo de capital torna a viabilidade difícil", avalia Bastos.
"É relativamente usual encontrar situações em que a expectativa de retorno não se preenche porque o custo de capital é maior do que o negócio poderia permitir. A consequência é um ajuste na estrutura para que ela seja adequada à dívida e à geração de caixa."
O desenho de reestruturação feito pela Íntegra para o Hopi Hari é de médio e longo prazo, para que o fluxo de caixa resulte na otimização operacional do parque e amortize a dívida. "Acredito que teremos um segundo 'round' no segmento, como aconteceu na hotelaria", diz Rosa.
Acesso em: 22 abril 2009.
Invertia
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Quarta, 22 de abril de 2009, 8h02
Fonte: Gazeta Mercantil
Empresas
Parques de diversão viram "mico" entre investidores no Brasil
Maria Luíza Filgueiras
Parques de diversões, tidos como máquinas de fazer dinheiro nos Estados Unidos, transformaram-se num "mico" sem precedentes entre experientes investidores brasileiros. Playcenter, Terra Encantada, Water Park e Hopi Hari são exemplos de empreendimentos que desafiaram a lógica de fundos de private equity e de pensão: o investimento feito não retornou em dobro. Em poucos casos, aliás, retornou em alguma dimensão.
O mais curioso é que investidores e administradores continuam sem saber o que deu errado. Alguns culpam a estratégia de marketing, outros culpam os próprios investidores que não quiseram dar um pouquinho mais para fazer o negócio funcionar. Há quem acuse o brasileiro por suas opções de entretenimento, trocando um dia no parque por um passeio no shopping center ou um dia inteiro na frente da TV.
Independente da causa, muitos desses fundos continuam na composição societária de parques de diversões, seja por falta de comprador ou expectativa de reverter parte do prejuízo. No caso do Wet'n Wild, as duas versões são válidas. A Fundação dos Economiários Federais (Funcef), fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, pode estar perto de receber, pela primeira vez, retorno financeiro de um investimento que fez há quase 13 anos - e só lhe rendeu dor de cabeça.
O fundo entrou como o maior debenturista da sociedade Serra Azul, controladora do parque Wet'n Wild, na cidade paulista de Itupeva, na distribuição feita em 1996. À época, bancos e fundos adquiriram os papéis de dívida perpétua, total de R$ 54 milhões, parte da estrutura de financiamento para construção do complexo de lazer.
O restante foi distribuído entre Unibanco AIG, Fundação Philips de Seguridade Social, Fundação Francisco Bastos Martins (fundo de pensão da Companhia Ipiranga de Petróleo) e a Método Engenharia (construtora e operadora do parque) - composição que pouco tem a ver com a atual.
A proposta da Funcef foi transformar as debêntures em ações e ter de fato a figura de sócios. Na nova composição, os acionistas são a Funcef, a Método e os executivos Alain Baldacci e Fernando Furriela - ambos tinha créditos a receber da Wet''n Wild International, que foram trocados por participação na Serra Azul.
Os antigos contratos de royalties e administração foram rescindidos e as novas cláusulas adaptadas ao interesse do parque - a remuneração de operação será baseada em resultado, e não mais em faturamento, e o contrato de royalty fixo em reais, já que o antigo era variável e em dólar.
Debenturistas, operadora e franqueadora levaram dois anos para chegar num consenso sobre o plano de reestruturação. Em boa medida porque a operadora e a franqueadora não queriam passar de prestadoras de serviço à acionistas de uma empresa quebrada. "Mas se ninguém abrisse mão, chegaríamos à total insustentabilidade do parque, com disputa por ativos restantes, como terreno e equipamentos", explica Carlos Rosa, diretor de participações da Funcef.
A conclusão é que o parque pode iniciar uma nova fase já que, segundo Rosa, tem visitantes e receita suficiente para custeio e sobra de recursos para investimento. Na simulação dos investidores, com o faturamento bruto atual de R$ 18 milhões, o complexo poder gerar R$ 1,2 milhão de Ebitda.
A situação é semelhante à do Hopi Hari, na avaliação de Nelson de Sampaio Bastos, à frente da Íntegra, consultoria especializada em reestruturação de companhias em dificuldade que fez proposta para assumir o parque de diversões. "O Hopi Hari é operacionalmente viável, mas tem o peso da dívida, por isso estamos planejando uma reestruturação financeira em entendimento com o BNDES, que é credor, e os sócios", diz o executivo.
O complexo de lazer, que mantém público anual de 1,5 milhão de pessoas, mantém uma geração de caixa entre 15% e 18% sobre a receita - mas a Íntegra depende de um acordo com o BNDES para deságio da dívida, que torne seu plano de reestruturação viável. A estimativa de Bastos é que o processo leve até 50 dias para ser concluído. O parque também está na carteira da Funcef, além de Previ, Petros e GP Investimentos.
Venda com deságio ou perdão de dívida são as alternativas encontradas pelos investidores para minimizar danos. A Funcef, após provisionar uma perda de R$ 20 milhões em 2003 com o Wet'n Wild, chegou a avaliar a venda de sua participação. "Mas achamos que seria mal negócio, por estar vendendo um crédito, e não a participação de uma empresa, de debêntures cuja remuneração é zero. Não tem mercado secundário para isso", explica Rosa, lembrando que os investidores iniciais saíram do negócio com venda dos papéis entre 3% e 5% do valor de face.
"Preferimos fazer uma nova tentativa e recuperar parte do valor. A idéia da Funcef é vender a totalidade ou parte das ações", afirma. O fundo de pensão precisa enquadrar o investimento à resolução 3.456, que limita participação acionária desses investidores em 20% - com a reestrutu-ração, a Funcef passou a deter 56% das ações.
Em 2008, a dívida do parque rondava R$ 120 milhões, incapaz de fazer pagamento das obrigações iniciais, com patrimônio líquido negativo desde 2003. No caso do Hopi Hari, a dívida é estimada em R$ 500 milhões.
Segundo 'round' A avaliação desses agentes é que o segmento é viável, mas foi iniciado em bases equivocadas. "Vários negócios, como parques de diversão ou transporte ferroviário, exigem investimento significativo, mas o custo de capital torna a viabilidade difícil", avalia Bastos.
"É relativamente usual encontrar situações em que a expectativa de retorno não se preenche porque o custo de capital é maior do que o negócio poderia permitir. A consequência é um ajuste na estrutura para que ela seja adequada à dívida e à geração de caixa."
O desenho de reestruturação feito pela Íntegra para o Hopi Hari é de médio e longo prazo, para que o fluxo de caixa resulte na otimização operacional do parque e amortize a dívida. "Acredito que teremos um segundo 'round' no segmento, como aconteceu na hotelaria", diz Rosa.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Quanto vale a incerteza?
Disponívem em: .
Acesso em: 16 abr. 2009.
14.4.09
Satyam e Avaliação
A empresa Tech Mahindra venceu o leilão para compra das ações da Satyam Computer Services, uma empresa indiana da área de terceirização de serviços. Conforme notícia do jornal Valor Econômico (Controle da Satyam fica com a Tech Mahindra, 14/04/2009) o lance da Tech Mahindra indicaria um valor de 1,1 bilhão pela empresa, representando um ágio de 23% em relação ao último preço de fechamento no mercado. O valor superou a oferta mais próxima, segundo o artigo.
A Satyam ficou conhecida por problemas contábeis, num escândalo parecido com a Enron de anos atrás.
A questão interessante no processo de venda é que os compradores tiveram que fazer suas estimativas com base em informações poucos confiáveis por duas razões. Em primeiro lugar, a contabilidade da empresa não consegue expressar adequadamente a realidade da empresa. Afinal, o escândalo da Satyam foi de fraude contábil. Em segundo lugar, os problemas da empresa geraram uma série de ações judiciais. Em outras palavras, o comprador está também assumindo um passivo que poderá ser substancial ou não, dependendo dos acontecimentos futuros.
Em geral afirmamos que o valor de uma empresa corresponde a fluxo de caixa futuro descontado. Em situações de maior incerteza os analistas têm diversas possibilidades para fazer estes cálculos. Em qualquer um destes casos os riscos são elevados.
Outro aspecto relevante do caso da Satyam é que em leilões é comum a figura da vitória de piro ou maldição do vencedor (winners curse). O fato de o lance vencedor estar muito acima do segundo colocado pode ser um sinal desta situação. Entretanto, como o nível de informação disponível era reduzido, talvez parte do reduzido valor da empresa seja em decorrência do elevado desvio-padrão inerente na estimativa.
Acesso em: 16 abr. 2009.
14.4.09
Satyam e Avaliação
A empresa Tech Mahindra venceu o leilão para compra das ações da Satyam Computer Services, uma empresa indiana da área de terceirização de serviços. Conforme notícia do jornal Valor Econômico (Controle da Satyam fica com a Tech Mahindra, 14/04/2009) o lance da Tech Mahindra indicaria um valor de 1,1 bilhão pela empresa, representando um ágio de 23% em relação ao último preço de fechamento no mercado. O valor superou a oferta mais próxima, segundo o artigo.
A Satyam ficou conhecida por problemas contábeis, num escândalo parecido com a Enron de anos atrás.
A questão interessante no processo de venda é que os compradores tiveram que fazer suas estimativas com base em informações poucos confiáveis por duas razões. Em primeiro lugar, a contabilidade da empresa não consegue expressar adequadamente a realidade da empresa. Afinal, o escândalo da Satyam foi de fraude contábil. Em segundo lugar, os problemas da empresa geraram uma série de ações judiciais. Em outras palavras, o comprador está também assumindo um passivo que poderá ser substancial ou não, dependendo dos acontecimentos futuros.
Em geral afirmamos que o valor de uma empresa corresponde a fluxo de caixa futuro descontado. Em situações de maior incerteza os analistas têm diversas possibilidades para fazer estes cálculos. Em qualquer um destes casos os riscos são elevados.
Outro aspecto relevante do caso da Satyam é que em leilões é comum a figura da vitória de piro ou maldição do vencedor (winners curse). O fato de o lance vencedor estar muito acima do segundo colocado pode ser um sinal desta situação. Entretanto, como o nível de informação disponível era reduzido, talvez parte do reduzido valor da empresa seja em decorrência do elevado desvio-padrão inerente na estimativa.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Ligadona em Mansur
Disponível em: <http://veja.abril.com.br/100698/p_134.html>.
Acesso em: 08 abr. 2009.
Chama o Mansur
Rejeitado no início, o dono do Mappin eda Mesbla pode ser a única salvaçãopara os credores da Arapuã
David Friedlander e João Sorima Neto
Balcão quebrado
A situação atual da Arapuã é a seguinte:
Deve mais de 800 milhões de reais afornecedores e bancos
Teve um prejuízo de 183 milhõesde reais no ano passado
Faturou 1,6 bilhão de reais em 1997
Presente em 22 Estados, a Arapuã é amaior rede nacional de venda de eletroeletrônicos
Tem 244 lojas
Emprega 4 891 funcionários
A adrenalina do empresário Ricardo Mansur, o caçador de empresas que nos últimos dois anos comprou os magazines Mappin e Mesbla, estava na estratosfera na semana passada. Refugiado em sua casa de Londres, numa vã tentativa de diminuir um pouco a ansiedade, Mansur ligava de hora em hora para São Paulo. Queria notícias sobre aquela que pode ser a jogada mais ousada de sua vida. Ele está oferecendo 600 milhões de reais pela Arapuã, a maior rede de eletrodomésticos do país. A empresa é um gigante moribundo. Deve mais de 800 milhões de reais na praça e foi tomada da família Simeira Jacob pelos principais credores, que são os fabricantes de televisores, geladeiras e fogões. Esses industriais, que até agora torceram o nariz para Mansur, resolveram sentar para conversar na semana passada. Como não apareceu nenhuma outra proposta pela Arapuã, o lance de Mansur pode ser a única chance que eles têm de recuperar ao menos uma parte de seus créditos. Na sexta-feira à noite, os fornecedores aceitaram a proposta de Mansur. Para que o negócio se feche, o empresário ainda precisa convencer um outro grupo de credores, formado basicamente por bancos, que têm quase 200 milhões de reais para receber. "O negócio só sai se essa turma aceitar perder um pouco", diz um dos executivos que conduzem as negociações.
Para Mansur, a compra da Arapuã representa a chance de transformar-se no rei do comércio brasileiro. Essa é a sua segunda investida na Arapuã. No mês passado, quando veio a público que a rede de lojas estava quebrada, o empresário tentou pechinchar. Fiel ao seu estilo de atacar empresas com a corda no pescoço, ele ofereceu cerca de 300 milhões de reais pelo negócio. O bloco de fornecedores da Arapuã, que tem mais de 600 milhões para receber, não quis conversa. Achou a proposta muito ruim e ficou com medo de que, levando a Arapuã, Mansur ficasse poderoso demais na hora de regatear preços. Como o negócio é muito interessante para Mansur, ele topou dobrar a oferta. As negociações começaram na quarta-feira da semana passada na sede do Bradesco, que está fazendo a aproximação entre o empresário e a indústria de eletrodomésticos. Feito o acerto com os principais credores, que são catorze fábricas de produtos eletroeletrônicos, os representantes de Mansur começam a discutir nesta semana com os bancos.
Pérola do setor — A Arapuã era considerada uma pérola do setor de comércio. Suas ações, cotadas em bolsas, eram recomendadas por especialistas como um excelente negócio. Dois anos atrás, foi apontada como uma das empresas mais rentáveis do país. O vigor dessa rede emergente acabou em meio a uma combinação entre calote de clientes e concorrência selvagem de preços. Como acontece com todas as casas que vendem produtos de valor mais alto, como geladeiras e TVs, a maioria dos clientes da Arapuã faz compras a prestação. De 1996 para 1997 o nível de inadimplência dobrou e a caixa da empresa começou a entrar em desequilíbrio. A situação piorou do meio do ano passado para cá.
Primeiro, houve um erro de previsão dos industriais, que fabricaram mais do que as pessoas estavam dispostas a comprar. O comércio também errou, fazendo a mesma aposta. Abarrotou seu estoque financiando-se em bancos e entre as próprias indústrias. Só que os consumidores não apareceram e ficaram ainda mais arredios com a alta dos juros em outubro. Para desovar os estoques, o comércio derrubou os preços em até 30%, mas nem esse truque adiantou. Além disso, as grandes redes de hipermercados atulharam suas prateleiras de eletroeletrônicos com ofertas melhores que as das lojas especializadas, como Casas Bahia, Ponto Frio e Arapuã. Foi o golpe de misericórdia para a Arapuã. E também para outras redes importantes, como a Paraíso, uma das maiores do Nordeste, e as Casa do Rádio, de Belo Horizonte, que entraram em concordata. A indústria calcula em cerca de 1 bilhão de reais a dívida total do comércio com seus fornecedores.
A propostaCasas Bahia e Ponto Frio especularam, mas só o empresário Ricardo Mansur apresentou uma oferta. Ele quer comprar a Arapuã por 600 milhões de reais, pagando em cinco anos.
Saída de emergência — Se o negócio não sair com o dono do Mappin, existe a possibilidade de que os fornecedores se juntem para tomar conta da rede. Seria uma saída de emergência, até que surja uma solução melhor. Os fabricantes estão apavorados com a idéia de que a Arapuã desapareça. Seria um desastre. Os bancos deixariam de financiar as outras lojas, o que poderia provocar uma quebradeira geral. Além disso, o fim da Arapuã aumentaria a concentração no setor. Hoje, apenas cinco redes (incluindo a Arapuã) distribuem 60% de todos os televisores, videocassetes, geladeiras e freezers produzidos no Brasil. A situação é delicada. Na semana passada, a dívida da Arapuã aumentou 22 milhões de dólares, em função de um vencimento de títulos lançados pela empresa no exterior.
Caso Ricardo Mansur leve a Arapuã, ele se tornará dono de um império comercial que emprega mais de 17.000 pessoas e fatura 4,5 bilhões de dólares por ano. É um dos maiores fenômenos do capitalismo recente brasileiro. Mansur começou a vida montando uma papelaria no centro de São Paulo, trouxe a Pizza Hut para o Brasil, foi dono dos laticínios Vigor e Leco (vendidos a seu irmão, Carlos Alberto) e é dono de um banco. Subiu na vida comprando negócios de empresários em dificuldades. É o caso dos Simeira Jacob.
Acesso em: 08 abr. 2009.
Chama o Mansur
Rejeitado no início, o dono do Mappin eda Mesbla pode ser a única salvaçãopara os credores da Arapuã
David Friedlander e João Sorima Neto
Balcão quebrado
A situação atual da Arapuã é a seguinte:
Deve mais de 800 milhões de reais afornecedores e bancos
Teve um prejuízo de 183 milhõesde reais no ano passado
Faturou 1,6 bilhão de reais em 1997
Presente em 22 Estados, a Arapuã é amaior rede nacional de venda de eletroeletrônicos
Tem 244 lojas
Emprega 4 891 funcionários
A adrenalina do empresário Ricardo Mansur, o caçador de empresas que nos últimos dois anos comprou os magazines Mappin e Mesbla, estava na estratosfera na semana passada. Refugiado em sua casa de Londres, numa vã tentativa de diminuir um pouco a ansiedade, Mansur ligava de hora em hora para São Paulo. Queria notícias sobre aquela que pode ser a jogada mais ousada de sua vida. Ele está oferecendo 600 milhões de reais pela Arapuã, a maior rede de eletrodomésticos do país. A empresa é um gigante moribundo. Deve mais de 800 milhões de reais na praça e foi tomada da família Simeira Jacob pelos principais credores, que são os fabricantes de televisores, geladeiras e fogões. Esses industriais, que até agora torceram o nariz para Mansur, resolveram sentar para conversar na semana passada. Como não apareceu nenhuma outra proposta pela Arapuã, o lance de Mansur pode ser a única chance que eles têm de recuperar ao menos uma parte de seus créditos. Na sexta-feira à noite, os fornecedores aceitaram a proposta de Mansur. Para que o negócio se feche, o empresário ainda precisa convencer um outro grupo de credores, formado basicamente por bancos, que têm quase 200 milhões de reais para receber. "O negócio só sai se essa turma aceitar perder um pouco", diz um dos executivos que conduzem as negociações.
Para Mansur, a compra da Arapuã representa a chance de transformar-se no rei do comércio brasileiro. Essa é a sua segunda investida na Arapuã. No mês passado, quando veio a público que a rede de lojas estava quebrada, o empresário tentou pechinchar. Fiel ao seu estilo de atacar empresas com a corda no pescoço, ele ofereceu cerca de 300 milhões de reais pelo negócio. O bloco de fornecedores da Arapuã, que tem mais de 600 milhões para receber, não quis conversa. Achou a proposta muito ruim e ficou com medo de que, levando a Arapuã, Mansur ficasse poderoso demais na hora de regatear preços. Como o negócio é muito interessante para Mansur, ele topou dobrar a oferta. As negociações começaram na quarta-feira da semana passada na sede do Bradesco, que está fazendo a aproximação entre o empresário e a indústria de eletrodomésticos. Feito o acerto com os principais credores, que são catorze fábricas de produtos eletroeletrônicos, os representantes de Mansur começam a discutir nesta semana com os bancos.
Pérola do setor — A Arapuã era considerada uma pérola do setor de comércio. Suas ações, cotadas em bolsas, eram recomendadas por especialistas como um excelente negócio. Dois anos atrás, foi apontada como uma das empresas mais rentáveis do país. O vigor dessa rede emergente acabou em meio a uma combinação entre calote de clientes e concorrência selvagem de preços. Como acontece com todas as casas que vendem produtos de valor mais alto, como geladeiras e TVs, a maioria dos clientes da Arapuã faz compras a prestação. De 1996 para 1997 o nível de inadimplência dobrou e a caixa da empresa começou a entrar em desequilíbrio. A situação piorou do meio do ano passado para cá.
Primeiro, houve um erro de previsão dos industriais, que fabricaram mais do que as pessoas estavam dispostas a comprar. O comércio também errou, fazendo a mesma aposta. Abarrotou seu estoque financiando-se em bancos e entre as próprias indústrias. Só que os consumidores não apareceram e ficaram ainda mais arredios com a alta dos juros em outubro. Para desovar os estoques, o comércio derrubou os preços em até 30%, mas nem esse truque adiantou. Além disso, as grandes redes de hipermercados atulharam suas prateleiras de eletroeletrônicos com ofertas melhores que as das lojas especializadas, como Casas Bahia, Ponto Frio e Arapuã. Foi o golpe de misericórdia para a Arapuã. E também para outras redes importantes, como a Paraíso, uma das maiores do Nordeste, e as Casa do Rádio, de Belo Horizonte, que entraram em concordata. A indústria calcula em cerca de 1 bilhão de reais a dívida total do comércio com seus fornecedores.
A propostaCasas Bahia e Ponto Frio especularam, mas só o empresário Ricardo Mansur apresentou uma oferta. Ele quer comprar a Arapuã por 600 milhões de reais, pagando em cinco anos.
Saída de emergência — Se o negócio não sair com o dono do Mappin, existe a possibilidade de que os fornecedores se juntem para tomar conta da rede. Seria uma saída de emergência, até que surja uma solução melhor. Os fabricantes estão apavorados com a idéia de que a Arapuã desapareça. Seria um desastre. Os bancos deixariam de financiar as outras lojas, o que poderia provocar uma quebradeira geral. Além disso, o fim da Arapuã aumentaria a concentração no setor. Hoje, apenas cinco redes (incluindo a Arapuã) distribuem 60% de todos os televisores, videocassetes, geladeiras e freezers produzidos no Brasil. A situação é delicada. Na semana passada, a dívida da Arapuã aumentou 22 milhões de dólares, em função de um vencimento de títulos lançados pela empresa no exterior.
Caso Ricardo Mansur leve a Arapuã, ele se tornará dono de um império comercial que emprega mais de 17.000 pessoas e fatura 4,5 bilhões de dólares por ano. É um dos maiores fenômenos do capitalismo recente brasileiro. Mansur começou a vida montando uma papelaria no centro de São Paulo, trouxe a Pizza Hut para o Brasil, foi dono dos laticínios Vigor e Leco (vendidos a seu irmão, Carlos Alberto) e é dono de um banco. Subiu na vida comprando negócios de empresários em dificuldades. É o caso dos Simeira Jacob.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Já era!
Disponível em: <http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200904052145_NYT_77971962>.
Acesso em: 06 abr. 2009.
Negócios
Vendedor de Hummer nos EUA diz que nem dorme à noite
Em 2005, Jim Lynch fez uma grande aposta em um veículo grande. Ele já era um bem-sucedido revendedor da Hummer, mas gastou US$ 7,5 milhões em um showroom de 3.158 m² em um nobre subúrbio de Saint Louis. Ele até transformou 24 hectares de planície aluvial do rio Missouri em uma trilha de chão batido, esperando que as pessoas viessem de longe para testar - e comprar - seus potentes veículos utilitários esportivos.
A General Motors (GM) o animou, dizendo que ele poderia chegar a vender anualmente até 1,3 mil Hummers - cujo preço começa em US$ 30 mil e pode chegar a mais de US$ 100 mil, sem mencionar os milhares de dólares que os usuários gastam em acessórios -, mais do que suficiente para cobrir a hipoteca mensal de US$ 60 mil. Ele vendia 70 Hummers novas por mês quando abriu a loja, mas agora atende apenas um punhado de consumidores a cada mês. "Isso não paga nem os juros sobre meu estoque", disse Lynch. "Agora não durmo à noite pensando no que posso fazer com esse prédio grande e bonito."
As vendas de Hummer ao todo caíram tanto - 51% no ano passado, o pior desempenho do setor - que a General Motors está tentando encontrar um comprador para a marca. Sem um, a companhia pode fechar a Hummer. Um anúncio sobre o destino da Hummer pode ser feito na terça-feira.
"É uma marca que representa muito do que as pessoas não querem", disse Rebecca Lindland, analista da empresa de pesquisa IHS Global Insight.
"Mesmo se o preço do combustível baixar, ela ainda irradia consumo desenfreado", disse Lindland. "De repente, a Hummer foi percebida como tudo que está errado na dependência americana de petróleo estrangeiro."
Nick Richards, porta-voz da Hummer, disse que a GM permanecia "em discussão com várias partes" e não havia determinado o que fazer com a marca, embora a companhia tenha em fevereiro descartado continuar com a Hummer. Se ela for fechada, seria desativada "bem rápido", segundo o presidente da GM, Frederick A. Henderson, no mês passado.
O fim da Hummer seria comemorado por ambientalistas, que criticaram implacavelmente o modelo, que faz, em média, menos de 4,25 km por l. Outras marcas, como a Land Rover, têm desempenho similar, mas a Hummer tornou-se o bebedor de gasolina por excelência. Um site que pede que visitantes enviem fotos de si com uma "saudação" de um dedo à Hummer já publicou cerca de 5 mil delas.
Para Lynch e 379 outras concessionárias da Hummer pelo mundo, porém, seria um fim súbito para uma marca que já pareceu ter sólido futuro.
Entre seus defensores mais leais estava Robert A. Lutz, desenvolvedor-chefe de produtos da GM, que está se aposentando neste ano. Logo depois de se juntar à GM em 2001, Lutz visualizou a Hummer como uma marca global que poderia desafiar a imagem e supremacia off-road dos produtos Jeep da Chrysler.
"Acho que a Hummer tem muito mais potencial do que a GM desconfia", disse Lutz na época. "Ela representa algo, e é isso que as pessoas querem".
Agora a Hummer é o símbolo de uma época em que os veículos utilitários esportivos, os SUVs, dominavam as pistas americanas e injetavam grandes lucros nos cofres da GM e de outras montadoras.
"Existiam muitos motivos para o otimismo com a marca, mas aquele era um mercado muito diferente", disse Lindland. "Tudo mudou muito rápido. Entrou em colapso quase tão rapidamente quanto subiu."
Foi um despertar brutal para Lynch, 46 anos, que começou a vender Hummers há 15 anos, logo após a A.M. General, de Mishawaka, Indiana, iniciar a produção de uma versão civil de seu Humvee, usado por militares.
Lynch comprou um dos gigantes de 2,8 t em 1994, enquanto trabalhava na concessionária da Toyota de seu pai, de onde acabou saindo para se tornar o único revendedor de Hummer do Missouri.
"Pensava que era o único suficientemente pateta para querer uma dessas grandes bestas", disse. "Mas depois percebi que ele era diferente de todos os outros veículos e tinha capacidades que não dá para achar em um carro comum."
Lynch adorou o manejo da Hummer e sua habilidade de dirigir em quase qualquer lugar, e depois percebeu sua durabilidade em dois acidentes. Em cada caso, o veículo que bateu na Hummer teve perda total, mas ele dirigiu para casa sem qualquer evidência visível de uma batida.
Por sete anos consecutivos, Lynch teve a concessionária de maior volume da Hummer, normalmente vendendo mais que o dobro de veículos de seu concorrente mais próximo. Um mural em um trailer customizado, que usava para transportar Hummers a eventos ao redor dos EUA, alardeia ser "a concessionária Hummer número um".
Hoje em dia, ele mantém cerca de 50 Hummers novos em seu estacionamento. Há quatro anos, ele estocava em torno de 300 em qualquer período, chegando a encher uma área adjacente.
Lynch foi o maior vendedor da Hummer original, a H1, antes de sua produção ser interrompida em 2006. Ele tem um negócio próspero de peças e acessórios no qual planeja se concentrar mais, particularmente se a Hummer acabar.
Seu edifício está à venda, mas ele tem esperança de apenas se mudar para um lugar menor, não fechar completamente a concessionária. Isso significaria abandonar a pista onde organizava grandes ralis gratuitos para seus clientes várias vezes no ano.
Ele já vendeu o pequeno trator que usava para a manutenção da pista, finalizada na última hora em 2005 para uma equipe do Travel Channel gravar um segmento sobre ela. "A maior parte dela foi feita por mim e meu gerente de peças, com serras elétricas e Hummers", disse.
A GM contou muito pouco às concessionárias sobre seus planos para a Hummer, mas Lynch tem esperanças de que os executivos encontrem uma forma de salvar a marca que tem sido seu meio de vida por 15 anos.
Ele lembrou da tempestade de neve do inverno passado, quando muitos caminhões de carga estavam atolados na Interestadual 64, próxima à sua loja. Ele puxou dois deles de volta à rodovia e por uma colina gelada prendendo as cabines na Hummer de 1997 que dirige.
"Éramos as únicas coisas se movendo", disse. "Eu lhes disse, 'Na próxima vez que alguém disser que todo mundo deveria dirigir um híbrido, conte a ele sobre isto'."
Acesso em: 06 abr. 2009.
Negócios
Vendedor de Hummer nos EUA diz que nem dorme à noite
Em 2005, Jim Lynch fez uma grande aposta em um veículo grande. Ele já era um bem-sucedido revendedor da Hummer, mas gastou US$ 7,5 milhões em um showroom de 3.158 m² em um nobre subúrbio de Saint Louis. Ele até transformou 24 hectares de planície aluvial do rio Missouri em uma trilha de chão batido, esperando que as pessoas viessem de longe para testar - e comprar - seus potentes veículos utilitários esportivos.
A General Motors (GM) o animou, dizendo que ele poderia chegar a vender anualmente até 1,3 mil Hummers - cujo preço começa em US$ 30 mil e pode chegar a mais de US$ 100 mil, sem mencionar os milhares de dólares que os usuários gastam em acessórios -, mais do que suficiente para cobrir a hipoteca mensal de US$ 60 mil. Ele vendia 70 Hummers novas por mês quando abriu a loja, mas agora atende apenas um punhado de consumidores a cada mês. "Isso não paga nem os juros sobre meu estoque", disse Lynch. "Agora não durmo à noite pensando no que posso fazer com esse prédio grande e bonito."
As vendas de Hummer ao todo caíram tanto - 51% no ano passado, o pior desempenho do setor - que a General Motors está tentando encontrar um comprador para a marca. Sem um, a companhia pode fechar a Hummer. Um anúncio sobre o destino da Hummer pode ser feito na terça-feira.
"É uma marca que representa muito do que as pessoas não querem", disse Rebecca Lindland, analista da empresa de pesquisa IHS Global Insight.
"Mesmo se o preço do combustível baixar, ela ainda irradia consumo desenfreado", disse Lindland. "De repente, a Hummer foi percebida como tudo que está errado na dependência americana de petróleo estrangeiro."
Nick Richards, porta-voz da Hummer, disse que a GM permanecia "em discussão com várias partes" e não havia determinado o que fazer com a marca, embora a companhia tenha em fevereiro descartado continuar com a Hummer. Se ela for fechada, seria desativada "bem rápido", segundo o presidente da GM, Frederick A. Henderson, no mês passado.
O fim da Hummer seria comemorado por ambientalistas, que criticaram implacavelmente o modelo, que faz, em média, menos de 4,25 km por l. Outras marcas, como a Land Rover, têm desempenho similar, mas a Hummer tornou-se o bebedor de gasolina por excelência. Um site que pede que visitantes enviem fotos de si com uma "saudação" de um dedo à Hummer já publicou cerca de 5 mil delas.
Para Lynch e 379 outras concessionárias da Hummer pelo mundo, porém, seria um fim súbito para uma marca que já pareceu ter sólido futuro.
Entre seus defensores mais leais estava Robert A. Lutz, desenvolvedor-chefe de produtos da GM, que está se aposentando neste ano. Logo depois de se juntar à GM em 2001, Lutz visualizou a Hummer como uma marca global que poderia desafiar a imagem e supremacia off-road dos produtos Jeep da Chrysler.
"Acho que a Hummer tem muito mais potencial do que a GM desconfia", disse Lutz na época. "Ela representa algo, e é isso que as pessoas querem".
Agora a Hummer é o símbolo de uma época em que os veículos utilitários esportivos, os SUVs, dominavam as pistas americanas e injetavam grandes lucros nos cofres da GM e de outras montadoras.
"Existiam muitos motivos para o otimismo com a marca, mas aquele era um mercado muito diferente", disse Lindland. "Tudo mudou muito rápido. Entrou em colapso quase tão rapidamente quanto subiu."
Foi um despertar brutal para Lynch, 46 anos, que começou a vender Hummers há 15 anos, logo após a A.M. General, de Mishawaka, Indiana, iniciar a produção de uma versão civil de seu Humvee, usado por militares.
Lynch comprou um dos gigantes de 2,8 t em 1994, enquanto trabalhava na concessionária da Toyota de seu pai, de onde acabou saindo para se tornar o único revendedor de Hummer do Missouri.
"Pensava que era o único suficientemente pateta para querer uma dessas grandes bestas", disse. "Mas depois percebi que ele era diferente de todos os outros veículos e tinha capacidades que não dá para achar em um carro comum."
Lynch adorou o manejo da Hummer e sua habilidade de dirigir em quase qualquer lugar, e depois percebeu sua durabilidade em dois acidentes. Em cada caso, o veículo que bateu na Hummer teve perda total, mas ele dirigiu para casa sem qualquer evidência visível de uma batida.
Por sete anos consecutivos, Lynch teve a concessionária de maior volume da Hummer, normalmente vendendo mais que o dobro de veículos de seu concorrente mais próximo. Um mural em um trailer customizado, que usava para transportar Hummers a eventos ao redor dos EUA, alardeia ser "a concessionária Hummer número um".
Hoje em dia, ele mantém cerca de 50 Hummers novos em seu estacionamento. Há quatro anos, ele estocava em torno de 300 em qualquer período, chegando a encher uma área adjacente.
Lynch foi o maior vendedor da Hummer original, a H1, antes de sua produção ser interrompida em 2006. Ele tem um negócio próspero de peças e acessórios no qual planeja se concentrar mais, particularmente se a Hummer acabar.
Seu edifício está à venda, mas ele tem esperança de apenas se mudar para um lugar menor, não fechar completamente a concessionária. Isso significaria abandonar a pista onde organizava grandes ralis gratuitos para seus clientes várias vezes no ano.
Ele já vendeu o pequeno trator que usava para a manutenção da pista, finalizada na última hora em 2005 para uma equipe do Travel Channel gravar um segmento sobre ela. "A maior parte dela foi feita por mim e meu gerente de peças, com serras elétricas e Hummers", disse.
A GM contou muito pouco às concessionárias sobre seus planos para a Hummer, mas Lynch tem esperanças de que os executivos encontrem uma forma de salvar a marca que tem sido seu meio de vida por 15 anos.
Ele lembrou da tempestade de neve do inverno passado, quando muitos caminhões de carga estavam atolados na Interestadual 64, próxima à sua loja. Ele puxou dois deles de volta à rodovia e por uma colina gelada prendendo as cabines na Hummer de 1997 que dirige.
"Éramos as únicas coisas se movendo", disse. "Eu lhes disse, 'Na próxima vez que alguém disser que todo mundo deveria dirigir um híbrido, conte a ele sobre isto'."
sábado, 4 de abril de 2009
O bilhete premiado
Disponível em: <http://www.fraudes.org/showpage1.asp?pg=131>.
Acesso em: 04 abr. 2009.
Pequenos Golpes Populares
O bilhete premiado
Alavancas: Ganância, Ignorância Técnica, Irracionalidade, Ingenuidade e Escassa Atenção
Este é sem dúvida um dos golpes mais tradicionais e antigos do Brasil. Segundo algumas fontes os primeiros casos remontam até os anos quarenta.Recebi literalmente dezenas de denúncias de vítimas deste tipo de fraudes. O roteiro clássico é o seguinte:O golpista, com jeito de caipira pouco esperto ou de pessoa humilde, pede informações sobre o endereço de uma agência da Caixa Econômica Federal dizendo que é para receber um prêmio de loteria ou outro sorteio.As vítimas típicas são pessoas idosas, às quais é mostrado o bilhete premiado (forjado ou falso), juntamente com um documento da Caixa Econômica Federal (também falso ou forjado) constando o número do bilhete premiado e o valor do prêmio.Se for concurso tipo "mega sena" será mostrado um comprovante dos números sorteados (verdadeiro ou falso) e um falso bilhete com aposta nos mesmos números.Às vezes eles apresentam um verdadeiro bilhete com aposta nos numeros ganhadores de um concurso anterior (veja exemplo abaixo), e um comprovante dos numeros sorteados naquele concurso, contando com a falta de atenção da vítima quanto ao número do concurso.Em alguns casos o bilhete é forjado com o número de um bilhete que realmente ganhou, assim o documento para comprovar o sorteio não precisa ser falsificado (pode ser um jornal).A caminho da Caixa Econômica, e depois de muita conversa, o golpista propõe à vítima de lhe vender o bilhete premiado por uma fração do seu valor.Em alternativa poderá apresentar a proposta como um pedido de ajuda para resolver problemas. Ajuda na qual a vítima supostamente sairia ganhando.Para justificar a generosa oferta dirá que tem pressa porque o ônibus para sua cidade parte em 15 minutos, que esqueceu ou perdeu os documentos (e não pode retirar o prêmio), que está desorientado com a burocracia ou com a "cidade grande", que é analfabeto, que tem alguém esperando ele, que a mãe dele está no hospital etc...Se a vítima cair nesta conversa sacará o dinheiro da própria conta bancária e o entregará ao golpista em troca de um bilhete que não vale nada. Existem casos onde o golpista, em vez de dinheiro (que pode não estar disponível na conta da vítima), aceita valores como jóias etc...Existem variantes onde, para pressionar ou incentivar a vítima a ir sacar seu dinheiro no banco, no meio da conversa com o golpista que oferece o bilhete, aparece um comparsa se dizendo pronto a comprar o bilhete (aí a vítima pode achar que está perdendo um bom negócio), ou se oferecendo como sócio da vítima na compra do bilhete e mostrando parte do dinheiro necessário, ou ainda, prestativo, ajuda, ligando com o seu celular, a verificar que o bilhete é mesmo "premiado" !! (sic)Existem ainda esquemas via internet e e-mail que desfrutam de princípios parecidos com verdadeiras e supostas loterias internacionais (veja capítulo no site).
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u118237.shtml>.
Acesso em: 04 abr 2009.
12/02/2006 - 16h09
PF prende quadrilha que aplicava golpe do bilhete premiado
da Folha Online
A Polícia Federal de Montes Claros (MG) e de Rio Claro (interior de São Paulo) prendeu na manhã deste domingo seis pessoas suspeitas de estelionato por aplicar o golpe do bilhete da loteria premiado. Dois homens ainda estão foragidos.De acordo com o delegado federal Rogério Machado, de Montes Claros (417 km a norte de Belo Horizonte), eles abordavam principalmente idosas e viúvas e antes de escolher as vítimas faziam uma investigação prévia para checar se elas tinham uma boa situação financeira.Um dos membros da quadrilha se passava pelo caipira inocente, portador de um bilhete premiado. Enquanto ele abordava a vítima, outro integrante da quadrilha chegava e participava da conversa. O falso empresário, então, dizia que queria ajudar também e fingia ligar para o gerente da Caixa Econômica, seu amigo. A vítima achava que ele não estava sendo honesto e decidia ajudar o mais humilde. Em seguida, eles acertavam uma quantia antes de dividir o prêmio"Na hora da negociação, o bandido que se fazia de rico mostrava uma mala cheia de dinheiro e exigia que a vítima desse um sinal. Após receber o dinheiro, a dupla fugia. Em um dos casos, eles roubaram o carro de um das idosas", diz o delegado.Segundo Machado, pelo menos cinco vítimas já identificaram os acusados. "Esperamos que outras pessoas apareçam, já que eles agiam em Minas, Rio Grande do Sul, Brasília e São Paulo."As vítimas tiveram prejuízo que varia de R$ 60 mil a R$ 200 mil. Além de dinheiro, a quadrilha aceitava jóias em troca. Segundo a Polícia Federal, a quadrilha deveria agir desde 2001, e roubou até agora de suas vítimas mais de R$ 3 milhões. Cerca de 40 policiais participaram da ação. O caso está sendo investigado há seis meses.
Disponível em: <http://www.viaseg.com.br/noticia/6750-fraudes__o_golpe_do_bilhete_premiado_ainda_faz_vitimas.html>.
Acesso em 04 abr. 2009.
Fraudes - O "golpe do bilhete premiado" ainda faz vítimas
22/06/08
Idoso cai em golpe de bilhete premiado em Niterói.
Acusado de estelionato, Nelson Macello de Lima, de 61 anos, foi preso ontem, poucas horas depois de supostamente aplicar mais um golpe do bilhete premiado. A vítima seria um aposentado, de 89 anos, que mora em Icaraí, na Zona Sul de Niterói. Nelson foi surpreendido por policiais do Grupo de Investigação Complementar (GIC) da 77ª DP (Icaraí) quando chegava em casa, no bairro da Taquara, Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. Com ele, segundo os agentes, foram apreendidos U$ 35 mil (cerca de R$ 59,5 mil), possivelmente obtidos com o golpe, três anéis que seriam de brilhantes e dois celulares. O preso, no entanto, teria confessado em depoimento que o crime rendeu U$ 105 mil (cerca de R$ 178,5 mil), divididos em partes iguais com outros dois homens.Na delegacia, a vítima registrou que entregou U$ 28 mil (cerca de R$ 47,6 mil) aos supostos golpistas. De acordo com ela, por volta das 9 horas, Nelson teria contado que vinha de Teresópolis, na Região Serrana, para receber um prêmio da Mega-Sena no valor de R$ 3 milhões, mas não sabia como nem onde pegá-lo.Policiais afirmaram que uma segunda pessoa, também envolvida no crime, teria parado ao lado do idoso para "ajudar" e confirmar que o bilhete estaria realmente premiado. Nelson então teria convencido a vítima a ajudá-lo, garantindo que lhe daria em troca 10% do valor do (falso) prêmio. Mas, para isso, o aposentado deveria dar dinheiro como garantia.Ainda de acordo com o relato da vítima, ele foi até seu apartamento, na Rua Mem de Sá, em Icaraí, pegou os dólares e entrou no carro com os criminosos.Nervosismo - Porém, segundo policiais, o porteiro do prédio estranhou a situação, já que o idoso estaria bastante nervoso, e anotou a placa do veículo, um Ecosport que estava em nome de Nelson.A partir daí, o filho do aposentado entrou em contato com a polícia, alegando suspeita de seqüestro. Através da placa, os policiais teriam chegado até o endereço do acusado. Neste local, de acordo com a polícia, Nelson teria tentado fugir, mas, após perseguição, foi preso com o dinheiro. Ele contou que os outros dois supostos comparsas teriam voltado para Porto Alegre, onde moram, depois do golpe. Ainda não se sabe qual teria sido o envolvimento desta terceira pessoa.Policiais disseram que o aposentado só percebeu que havia caído no golpe depois que foi deixado na Rua João Pessoa, próximo ao Caio Martins. Nelson foi autuado por estelionato e pode pegar de três a quatro anos de prisão.Ironias na delegaciaAos jornalistas presentes e a alguns policiais na 77ª DP, Nelson garantiu que já havia aplicado o golpe do bilhete premiado. Ele revelou que toda a sua renda vem dos golpes que faz há 35 anos. De acordo com a delegada Janaina Peregrino, que confirmou as declarações do suspeito, ele já havia sido preso duas vezes, sendo que, na primeira, ficou três dias na cadeia e, na segunda, duas semanas. Ainda segundo a policial, o criminoso tem sete anotações por estelionato, desde 1976.Ele afirmou que costumava agir em Niterói e até mesmo em outros estados, sempre acompanhado de dois homens. Casado e pai de dois filhos, uma advogada, de 34, e um estudante de Direito, de 19, Nelson é morador do condomínio Pousada do Engenho, onde tem casa própria. Sempre tranqüilo, disse que costuma praticar o golpe toda semana e contabiliza, no mínimo, R$ 5 mil por vítima."Minha arma é a persuasão, a caneta e a ganância do cliente, porque eu não chamo de vítima, e sim de cliente. Se a pessoa não tiver olho grande, não vai cair no golpe", disse.
Acesso em: 04 abr. 2009.
Pequenos Golpes Populares
O bilhete premiado
Alavancas: Ganância, Ignorância Técnica, Irracionalidade, Ingenuidade e Escassa Atenção
Este é sem dúvida um dos golpes mais tradicionais e antigos do Brasil. Segundo algumas fontes os primeiros casos remontam até os anos quarenta.Recebi literalmente dezenas de denúncias de vítimas deste tipo de fraudes. O roteiro clássico é o seguinte:O golpista, com jeito de caipira pouco esperto ou de pessoa humilde, pede informações sobre o endereço de uma agência da Caixa Econômica Federal dizendo que é para receber um prêmio de loteria ou outro sorteio.As vítimas típicas são pessoas idosas, às quais é mostrado o bilhete premiado (forjado ou falso), juntamente com um documento da Caixa Econômica Federal (também falso ou forjado) constando o número do bilhete premiado e o valor do prêmio.Se for concurso tipo "mega sena" será mostrado um comprovante dos números sorteados (verdadeiro ou falso) e um falso bilhete com aposta nos mesmos números.Às vezes eles apresentam um verdadeiro bilhete com aposta nos numeros ganhadores de um concurso anterior (veja exemplo abaixo), e um comprovante dos numeros sorteados naquele concurso, contando com a falta de atenção da vítima quanto ao número do concurso.Em alguns casos o bilhete é forjado com o número de um bilhete que realmente ganhou, assim o documento para comprovar o sorteio não precisa ser falsificado (pode ser um jornal).A caminho da Caixa Econômica, e depois de muita conversa, o golpista propõe à vítima de lhe vender o bilhete premiado por uma fração do seu valor.Em alternativa poderá apresentar a proposta como um pedido de ajuda para resolver problemas. Ajuda na qual a vítima supostamente sairia ganhando.Para justificar a generosa oferta dirá que tem pressa porque o ônibus para sua cidade parte em 15 minutos, que esqueceu ou perdeu os documentos (e não pode retirar o prêmio), que está desorientado com a burocracia ou com a "cidade grande", que é analfabeto, que tem alguém esperando ele, que a mãe dele está no hospital etc...Se a vítima cair nesta conversa sacará o dinheiro da própria conta bancária e o entregará ao golpista em troca de um bilhete que não vale nada. Existem casos onde o golpista, em vez de dinheiro (que pode não estar disponível na conta da vítima), aceita valores como jóias etc...Existem variantes onde, para pressionar ou incentivar a vítima a ir sacar seu dinheiro no banco, no meio da conversa com o golpista que oferece o bilhete, aparece um comparsa se dizendo pronto a comprar o bilhete (aí a vítima pode achar que está perdendo um bom negócio), ou se oferecendo como sócio da vítima na compra do bilhete e mostrando parte do dinheiro necessário, ou ainda, prestativo, ajuda, ligando com o seu celular, a verificar que o bilhete é mesmo "premiado" !! (sic)Existem ainda esquemas via internet e e-mail que desfrutam de princípios parecidos com verdadeiras e supostas loterias internacionais (veja capítulo no site).
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u118237.shtml>.
Acesso em: 04 abr 2009.
12/02/2006 - 16h09
PF prende quadrilha que aplicava golpe do bilhete premiado
da Folha Online
A Polícia Federal de Montes Claros (MG) e de Rio Claro (interior de São Paulo) prendeu na manhã deste domingo seis pessoas suspeitas de estelionato por aplicar o golpe do bilhete da loteria premiado. Dois homens ainda estão foragidos.De acordo com o delegado federal Rogério Machado, de Montes Claros (417 km a norte de Belo Horizonte), eles abordavam principalmente idosas e viúvas e antes de escolher as vítimas faziam uma investigação prévia para checar se elas tinham uma boa situação financeira.Um dos membros da quadrilha se passava pelo caipira inocente, portador de um bilhete premiado. Enquanto ele abordava a vítima, outro integrante da quadrilha chegava e participava da conversa. O falso empresário, então, dizia que queria ajudar também e fingia ligar para o gerente da Caixa Econômica, seu amigo. A vítima achava que ele não estava sendo honesto e decidia ajudar o mais humilde. Em seguida, eles acertavam uma quantia antes de dividir o prêmio"Na hora da negociação, o bandido que se fazia de rico mostrava uma mala cheia de dinheiro e exigia que a vítima desse um sinal. Após receber o dinheiro, a dupla fugia. Em um dos casos, eles roubaram o carro de um das idosas", diz o delegado.Segundo Machado, pelo menos cinco vítimas já identificaram os acusados. "Esperamos que outras pessoas apareçam, já que eles agiam em Minas, Rio Grande do Sul, Brasília e São Paulo."As vítimas tiveram prejuízo que varia de R$ 60 mil a R$ 200 mil. Além de dinheiro, a quadrilha aceitava jóias em troca. Segundo a Polícia Federal, a quadrilha deveria agir desde 2001, e roubou até agora de suas vítimas mais de R$ 3 milhões. Cerca de 40 policiais participaram da ação. O caso está sendo investigado há seis meses.
Disponível em: <http://www.viaseg.com.br/noticia/6750-fraudes__o_golpe_do_bilhete_premiado_ainda_faz_vitimas.html>.
Acesso em 04 abr. 2009.
Fraudes - O "golpe do bilhete premiado" ainda faz vítimas
22/06/08
Idoso cai em golpe de bilhete premiado em Niterói.
Acusado de estelionato, Nelson Macello de Lima, de 61 anos, foi preso ontem, poucas horas depois de supostamente aplicar mais um golpe do bilhete premiado. A vítima seria um aposentado, de 89 anos, que mora em Icaraí, na Zona Sul de Niterói. Nelson foi surpreendido por policiais do Grupo de Investigação Complementar (GIC) da 77ª DP (Icaraí) quando chegava em casa, no bairro da Taquara, Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. Com ele, segundo os agentes, foram apreendidos U$ 35 mil (cerca de R$ 59,5 mil), possivelmente obtidos com o golpe, três anéis que seriam de brilhantes e dois celulares. O preso, no entanto, teria confessado em depoimento que o crime rendeu U$ 105 mil (cerca de R$ 178,5 mil), divididos em partes iguais com outros dois homens.Na delegacia, a vítima registrou que entregou U$ 28 mil (cerca de R$ 47,6 mil) aos supostos golpistas. De acordo com ela, por volta das 9 horas, Nelson teria contado que vinha de Teresópolis, na Região Serrana, para receber um prêmio da Mega-Sena no valor de R$ 3 milhões, mas não sabia como nem onde pegá-lo.Policiais afirmaram que uma segunda pessoa, também envolvida no crime, teria parado ao lado do idoso para "ajudar" e confirmar que o bilhete estaria realmente premiado. Nelson então teria convencido a vítima a ajudá-lo, garantindo que lhe daria em troca 10% do valor do (falso) prêmio. Mas, para isso, o aposentado deveria dar dinheiro como garantia.Ainda de acordo com o relato da vítima, ele foi até seu apartamento, na Rua Mem de Sá, em Icaraí, pegou os dólares e entrou no carro com os criminosos.Nervosismo - Porém, segundo policiais, o porteiro do prédio estranhou a situação, já que o idoso estaria bastante nervoso, e anotou a placa do veículo, um Ecosport que estava em nome de Nelson.A partir daí, o filho do aposentado entrou em contato com a polícia, alegando suspeita de seqüestro. Através da placa, os policiais teriam chegado até o endereço do acusado. Neste local, de acordo com a polícia, Nelson teria tentado fugir, mas, após perseguição, foi preso com o dinheiro. Ele contou que os outros dois supostos comparsas teriam voltado para Porto Alegre, onde moram, depois do golpe. Ainda não se sabe qual teria sido o envolvimento desta terceira pessoa.Policiais disseram que o aposentado só percebeu que havia caído no golpe depois que foi deixado na Rua João Pessoa, próximo ao Caio Martins. Nelson foi autuado por estelionato e pode pegar de três a quatro anos de prisão.Ironias na delegaciaAos jornalistas presentes e a alguns policiais na 77ª DP, Nelson garantiu que já havia aplicado o golpe do bilhete premiado. Ele revelou que toda a sua renda vem dos golpes que faz há 35 anos. De acordo com a delegada Janaina Peregrino, que confirmou as declarações do suspeito, ele já havia sido preso duas vezes, sendo que, na primeira, ficou três dias na cadeia e, na segunda, duas semanas. Ainda segundo a policial, o criminoso tem sete anotações por estelionato, desde 1976.Ele afirmou que costumava agir em Niterói e até mesmo em outros estados, sempre acompanhado de dois homens. Casado e pai de dois filhos, uma advogada, de 34, e um estudante de Direito, de 19, Nelson é morador do condomínio Pousada do Engenho, onde tem casa própria. Sempre tranqüilo, disse que costuma praticar o golpe toda semana e contabiliza, no mínimo, R$ 5 mil por vítima."Minha arma é a persuasão, a caneta e a ganância do cliente, porque eu não chamo de vítima, e sim de cliente. Se a pessoa não tiver olho grande, não vai cair no golpe", disse.
A crise e os hot dogs
A Crise"Era uma vez um homem que vivia à beira de uma estrada, onde vendia cachorro-quente. Ele não ouvia bem, por isso não tinha rádio. Tinha problemas de visão, por isso não lia jornais. Mas ele vendia cachorro-quente. Colocava cartazes na estrada, fazendo propaganda da qualidade de seu produto. Ficava na beira da estrada e oferecia o seu produto em alta voz, e o povo comprava. Lentamente foi aumentando as vendas e cada vez mais aumentava a compra de salsicha e de pão. Comprou um fogão industrial para melhor atender os fregueses. O negócio prosperava: o homem conseguiu até mesmo enviar seu filho para estudar na capital. Certo dia, o filho, já formado, retornou para cuidar do pai e viu que as coisas não mudavam naquele lugar. Em casa, chegou logo dizendo ao pai: Você não ouve rádio! Nem lê jornais! Há uma crise no mundo. A situação na Europa é terrível e a do Brasil ainda pior. Tudo está indo para o vinagre. O pai logo pôs-se a refletir: "Meu filho estudou, lê jornais, ouve rádio e só pode estar com a razão." Então resolveu reduzir as compras de salsicha e de pão. Tirou os cartazes de propaganda e já não anunciava tão alto seu cachorro-quente, abatido que estava pela notícia da crise. As vendas foram caindo, caindo, caindo... Então o pai finalmente disse ao filho: - Você estava certo, meu filho. Nós certamente estamos vivendo uma grande crise." (Autor desconhecido)
Contabilizando prejuízos
Disponível em: <http://contabilidadefinanceira.blogspot.com/2009/04/aracruz-e-auditoria.html>.
Acesso em: 04 abr 2009.
01 Abril 2009
Aracruz e auditoria
Auditoria discorda do registro das dívidas da AracruzValor Econômico - 1/4/2009Os derivativos tóxicos contratados pela Aracruz na tentativa de elevar os ganhos financeiros, mas que se transformaram em dívida bilionária, não mancharam apenas o balanço de 2008. Os contratos também contaminaram o parecer dos auditores independentes, peça que tem a função de validar a qualidade da contabilidade da empresa. A peça veio com ressalva, ou seja, o auditor não está de acordo com o relato financeiro da companhia.As apostas cambiais levaram a Aracruz a um prejuízo de R$ 4,2 bilhões em 2008, comparado a um lucro de R$ 1,0 bilhão em 2007. As operações elevaram a dívida da empresa de R$ 3,1 bilhões para um total bruto de R$ 9,7 bilhões.O parecer dos auditores não coloca em xeque os valores relatados pela empresa. A questão foi a forma de contabilizar a dívida.A Aracruz registrou a maior parte da dívida, incluindo aquela gerada pelos derivativos, como sendo com vencimento no longo prazo, ou seja, a partir de 2010.Para a Deloitte, auditoria independente da empresa, os compromissos deveriam ser registrados como de curto prazo, ou seja, com vencimento em 2009. Mais especificamente, uma fatia de R$ 8,7 bilhões do balanço consolidado.Conforme o parecer, o entendimento vem do fato de o contrato definitivo com os bancos ainda não ter sido assinado pela empresa. Até o momento, foi firmado um pré-acordo. Nele, já foram estabelecidos o prazo e o custo da transformação da perda com derivativos numa dívida de longo prazo. "Até a data deste parecer ainda não existem contratos finais assinados entre as partes que ratifiquem tais condições", diz o parecer.Marcos Grodetzky, diretor financeiro e de relações com investidores da Aracruz, explicou que não há risco de as condições pré-acordadas se modificarem no contrato. A expectativa é que em meados deste mês sejam assinados os documentos definitivos. Por isso, o executivo disse estar confortável apesar da ressalva, pois entende o papel do auditor. "O contrato é uma bíblia, está cheio de pequenos pontos e questões jurídicas."Caso essa saída não tivesse sido negociada com os bancos, a companhia teria de pagar US$ 2,1 bilhões às instituições ao longo deste ano. Pelos termos já acertados, a empresa pagará esse total num prazo de nove anos, que pode ser reduzido para sete conforme o desempenho operacional do negócio, a um custo ponderado de taxa Libor mais 4,6% ao ano.O prejuízo gerado pelos derivativos trouxe uma outra grave consequência à Aracruz: antecipou o vencimento das dívidas tradicionais anteriormente detidas pela companhia. Em dezembro, a companhia negociava com bancos o equivalente a R$ 1,6 bilhão em responsabilidades antecipadas.É praxe que a concessão de empréstimos e financiamentos esteja vinculada a cláusulas sobre a saúde financeira da empresa. Ficam estipulados limites de alavancagem da companhia. Caso essa fronteira seja ultrapassada, a empresa fica obrigada a imediatamente honrar os compromissos. É uma forma dos bancos administrarem os riscos. Essas cláusulas são conhecidas pelo jargão financeiro de "covenant".No caso dos vencimentos antecipados de dívidas tradicionais por conta dos derivativos, a Aracruz informa, na nota explicativa do balanço, que já obteve por parte de todos os credores "propostas visando a reestruturação dos termos e condições dos empréstimos, incluindo a adequação ou isenção de cumprimento dos 'covenants' financeiros."Porém, também com relação a esses compromissos ainda não havia assinatura de um contrato definitivo. Daí, o entendimento da auditoria no parecer.Os financiamentos com o BNDES também teriam que ser imediatamente pagos, mas o banco liberou a companhia dessa obrigação e ainda trocou algumas garantias, de forma a não comprometer a unidade industrial do Espírito Santo, principal parque da companhia. A empresa pediu tais concessões à instituição de fomento em 21 de janeiro de 2008 e o BNDES aceitou em 20 de fevereiro.O banco autorizou a "exclusão da obrigação de manutenção de índices econômico-financeiros previstos no contrato" referente a um empréstimo de R$ 595,8 milhões de novembro de 2006, dos quais R$ 499,7 milhões foram liberados. Além disso, referente a um contrato de R$ 692,7 milhões de 2001, trocou a hipoteca do Espírito Santo pela unidade de Guaíba.Em relação aos vencimentos antecipados com outros bancos (além do BNDES), Grodetzky explicou que eles serão adicionados ao contrato final dos derivativos, para que tenham as mesmas condições. Com isso, o valor total renegociado sobe de US$ 2,1 bilhões para cerca de US$ 2,6 bilhões.Os problemas da Aracruz afetaram também o parecer dos auditores da Votorantim Celulose e Papel (VCP). O documento, assinado pela auditoria Terco Grant Thorton, também traz ressalva por conta da contabilização das dívidas de sua investida. Procurada, a empresa preferiu não comentar.Segundo o parecer dos auditores, a VCP argumenta que os contratos assinados pela Aracruz com os bancos credores, embora sejam um pré-acordo, são "vinculantes". Na prática, isso significaria uma garantia de sua validade. A VCP possui 28% do capital votante da Aracruz e está em meio a um processo de aquisição do controle e fusão das empresas. O BNDES será sócio relevante para viabilizar a fusão, mas tem sua saída do bloco de controle programa para 2014.O interessante da notícia é que somente agora perceberam que o parecer dos auditores foi com ressalva (pelo menos não li nada sobre o assunto quando a imprensa noticiou o resultado da ARacruz).
as 06:07
Acesso em: 04 abr 2009.
01 Abril 2009
Aracruz e auditoria
Auditoria discorda do registro das dívidas da AracruzValor Econômico - 1/4/2009Os derivativos tóxicos contratados pela Aracruz na tentativa de elevar os ganhos financeiros, mas que se transformaram em dívida bilionária, não mancharam apenas o balanço de 2008. Os contratos também contaminaram o parecer dos auditores independentes, peça que tem a função de validar a qualidade da contabilidade da empresa. A peça veio com ressalva, ou seja, o auditor não está de acordo com o relato financeiro da companhia.As apostas cambiais levaram a Aracruz a um prejuízo de R$ 4,2 bilhões em 2008, comparado a um lucro de R$ 1,0 bilhão em 2007. As operações elevaram a dívida da empresa de R$ 3,1 bilhões para um total bruto de R$ 9,7 bilhões.O parecer dos auditores não coloca em xeque os valores relatados pela empresa. A questão foi a forma de contabilizar a dívida.A Aracruz registrou a maior parte da dívida, incluindo aquela gerada pelos derivativos, como sendo com vencimento no longo prazo, ou seja, a partir de 2010.Para a Deloitte, auditoria independente da empresa, os compromissos deveriam ser registrados como de curto prazo, ou seja, com vencimento em 2009. Mais especificamente, uma fatia de R$ 8,7 bilhões do balanço consolidado.Conforme o parecer, o entendimento vem do fato de o contrato definitivo com os bancos ainda não ter sido assinado pela empresa. Até o momento, foi firmado um pré-acordo. Nele, já foram estabelecidos o prazo e o custo da transformação da perda com derivativos numa dívida de longo prazo. "Até a data deste parecer ainda não existem contratos finais assinados entre as partes que ratifiquem tais condições", diz o parecer.Marcos Grodetzky, diretor financeiro e de relações com investidores da Aracruz, explicou que não há risco de as condições pré-acordadas se modificarem no contrato. A expectativa é que em meados deste mês sejam assinados os documentos definitivos. Por isso, o executivo disse estar confortável apesar da ressalva, pois entende o papel do auditor. "O contrato é uma bíblia, está cheio de pequenos pontos e questões jurídicas."Caso essa saída não tivesse sido negociada com os bancos, a companhia teria de pagar US$ 2,1 bilhões às instituições ao longo deste ano. Pelos termos já acertados, a empresa pagará esse total num prazo de nove anos, que pode ser reduzido para sete conforme o desempenho operacional do negócio, a um custo ponderado de taxa Libor mais 4,6% ao ano.O prejuízo gerado pelos derivativos trouxe uma outra grave consequência à Aracruz: antecipou o vencimento das dívidas tradicionais anteriormente detidas pela companhia. Em dezembro, a companhia negociava com bancos o equivalente a R$ 1,6 bilhão em responsabilidades antecipadas.É praxe que a concessão de empréstimos e financiamentos esteja vinculada a cláusulas sobre a saúde financeira da empresa. Ficam estipulados limites de alavancagem da companhia. Caso essa fronteira seja ultrapassada, a empresa fica obrigada a imediatamente honrar os compromissos. É uma forma dos bancos administrarem os riscos. Essas cláusulas são conhecidas pelo jargão financeiro de "covenant".No caso dos vencimentos antecipados de dívidas tradicionais por conta dos derivativos, a Aracruz informa, na nota explicativa do balanço, que já obteve por parte de todos os credores "propostas visando a reestruturação dos termos e condições dos empréstimos, incluindo a adequação ou isenção de cumprimento dos 'covenants' financeiros."Porém, também com relação a esses compromissos ainda não havia assinatura de um contrato definitivo. Daí, o entendimento da auditoria no parecer.Os financiamentos com o BNDES também teriam que ser imediatamente pagos, mas o banco liberou a companhia dessa obrigação e ainda trocou algumas garantias, de forma a não comprometer a unidade industrial do Espírito Santo, principal parque da companhia. A empresa pediu tais concessões à instituição de fomento em 21 de janeiro de 2008 e o BNDES aceitou em 20 de fevereiro.O banco autorizou a "exclusão da obrigação de manutenção de índices econômico-financeiros previstos no contrato" referente a um empréstimo de R$ 595,8 milhões de novembro de 2006, dos quais R$ 499,7 milhões foram liberados. Além disso, referente a um contrato de R$ 692,7 milhões de 2001, trocou a hipoteca do Espírito Santo pela unidade de Guaíba.Em relação aos vencimentos antecipados com outros bancos (além do BNDES), Grodetzky explicou que eles serão adicionados ao contrato final dos derivativos, para que tenham as mesmas condições. Com isso, o valor total renegociado sobe de US$ 2,1 bilhões para cerca de US$ 2,6 bilhões.Os problemas da Aracruz afetaram também o parecer dos auditores da Votorantim Celulose e Papel (VCP). O documento, assinado pela auditoria Terco Grant Thorton, também traz ressalva por conta da contabilização das dívidas de sua investida. Procurada, a empresa preferiu não comentar.Segundo o parecer dos auditores, a VCP argumenta que os contratos assinados pela Aracruz com os bancos credores, embora sejam um pré-acordo, são "vinculantes". Na prática, isso significaria uma garantia de sua validade. A VCP possui 28% do capital votante da Aracruz e está em meio a um processo de aquisição do controle e fusão das empresas. O BNDES será sócio relevante para viabilizar a fusão, mas tem sua saída do bloco de controle programa para 2014.O interessante da notícia é que somente agora perceberam que o parecer dos auditores foi com ressalva (pelo menos não li nada sobre o assunto quando a imprensa noticiou o resultado da ARacruz).
as 06:07
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Casos de Derivativos
Cuidado com os espertos
Disponível em: <http://contabilidadefinanceira.blogspot.com/2009/04/ponzi-e-filipetas.html>.
Acesso em: 04 abr. 2009.
02 Abril 2009
Ponzi e Filipetas
(...) No Rio de Janeiro, década de 1950, certo tenente da Aeronáutica, Felipe de tal, comprava carros a prazo e imediatamente os revendia à vista. Por menos. Na contabilidade de cada transação tinha prejuízo. Mas saía dela com dinheiro no bolso, enquanto deixava, no do otário, um maço de promissórias, as felipetas. (O trocadilho combina "Felipe" com "petas", que, na gíria da época, significava "mentira".) A princípio, aplicava parte do dinheiro apurado para resgatar felipetas no vencimento. Ampliava assim o eixo de crédito, em torno do qual fazia girar uma espiral de valores ascendentes.O tenente pode ter aprendido o truque com Carlo Ponzi, vigarista italiano que, na década de 1920, fez efêmera fortuna com esse golpe nos EUA. Ponzi passou 13 anos na cadeia e, da Itália para onde o deportaram, veio passar seus últimos anos no Rio; morreu ali, como indigente, em 1949.Nos esquemas Ponzi e Felipeta, o golpista honra vencimentos e resgates -e embolsa seu ganho- enquanto número crescente de investidores continuar afluindo ao "empreendimento". Pela impossibilidade matemática de essa condição persistir indefinidamente, cedo ou tarde a bolha estoura.A desmemória coletiva favorece a recorrência episódica do golpe. Quem se lembra de que há apenas dez anos a construtora de pirâmides Encol o aplicou a 42 mil sofisticados otários? Com outros nomes, o esquema Ponzi se repete, se repete, se repete.Nada aqui, nada aqui - zás!
Folha de São Paulo - 2/4/2009
ALDO PEREIRA
Acesso em: 04 abr. 2009.
02 Abril 2009
Ponzi e Filipetas
(...) No Rio de Janeiro, década de 1950, certo tenente da Aeronáutica, Felipe de tal, comprava carros a prazo e imediatamente os revendia à vista. Por menos. Na contabilidade de cada transação tinha prejuízo. Mas saía dela com dinheiro no bolso, enquanto deixava, no do otário, um maço de promissórias, as felipetas. (O trocadilho combina "Felipe" com "petas", que, na gíria da época, significava "mentira".) A princípio, aplicava parte do dinheiro apurado para resgatar felipetas no vencimento. Ampliava assim o eixo de crédito, em torno do qual fazia girar uma espiral de valores ascendentes.O tenente pode ter aprendido o truque com Carlo Ponzi, vigarista italiano que, na década de 1920, fez efêmera fortuna com esse golpe nos EUA. Ponzi passou 13 anos na cadeia e, da Itália para onde o deportaram, veio passar seus últimos anos no Rio; morreu ali, como indigente, em 1949.Nos esquemas Ponzi e Felipeta, o golpista honra vencimentos e resgates -e embolsa seu ganho- enquanto número crescente de investidores continuar afluindo ao "empreendimento". Pela impossibilidade matemática de essa condição persistir indefinidamente, cedo ou tarde a bolha estoura.A desmemória coletiva favorece a recorrência episódica do golpe. Quem se lembra de que há apenas dez anos a construtora de pirâmides Encol o aplicou a 42 mil sofisticados otários? Com outros nomes, o esquema Ponzi se repete, se repete, se repete.Nada aqui, nada aqui - zás!
Folha de São Paulo - 2/4/2009
ALDO PEREIRA
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Casos de Mercados Financeiros
Quando vale aquilo que nada vale?
Disponível em: <http://bussoladefinancas.blogspot.com/2009/03/voce-ficaria-feliz-em-comprar-uma-maca.html>.
Acesso em 04 abr. 2009.
Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Você ficaria feliz em comprar uma maçã podre?
Prezados,Pode parecer loucura para uns, ilógico para outros, mas o fato é que o mercado adorou o discurso de se comprar maçãs podres... Eu explico, calma!A MAGIA NEGRA ESTÁ NO AR...O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner apresentou, hoje (23/03/09), segunda-feira, o plano público-privado para comprar entre US$ 500 bilhões e US$ 1 trilhão em ativos “tóxicos” dos balanços de bancos americanos. Os US$ 100 bilhões iniciais do projeto sairão do TARP, aprovado em outubro do ano passado, além de recursos de investidores privados.QUAL É O PREÇO, MAESTRO?Sobre a precificação dos papéis, o governo vai realizar leilões entre os bancos que estão vendendo os ativos e os investidores interessados, na expectativa de criar um fluxo de mercado. Ou seja, apesar de muito se aplaudir, o fator crucial é saber quanto vale o show!OPINIÕESNa opinião do Tesouro americano, o programa criará um mercado para estes ativos, ajudando a melhorar seu valor, aumentar a capacidade dos bancos de conceder créditos e reduzir a incerteza obre as dimensões das perdas no balanço geral dos bancos.A minha opinião É QUE MUITO CEDO para se afirmar isso...CARÊNCIA....Estamos carentes de boas notícias. Logo, como seres humanos que somos, buscamos nos apoiar em aquilo que nos oferece conforto depois de tanto apanhar, não é mesmo?Agora, daí o pacote de compra de "maçãs podres" ser a solução do problema é um hiato muito grande para ser preenchido só que este afato.. não é mesmo?De todos os modos, o mercado vive de expectativas, e a melhora do humor dos investidores aqueceu as turbinas hoje e fez a Bovespa romper os 42 mil pontos... MAS MUITA CALMA NESSA HORADaí a se aventurar a dizer que a recuperação será consistente é um passo mais audacioso, que não me atreveria a dar.Afinal, não podemos esquecer que por aqui, no Brasil, por outro lado, as previsões para o desempenho da economia neste ano seguem em deterioração cada vez mais pronunciada. Ao falar sobre os cortes no orçamento na semana passada, o ministro Paulo Bernardo reconheceu que o governo já trabalha com um crescimento da ordem de 2% para este ano. Já entre os analistas, as projeções são bem mais modestas: de acordo com o Boletim Focus anunciado hoje, a mediana das estimativas recuou para apenas 0,01%, ou seja, crescimento nulo neste ano.Outro aspecto importante a citar é que com a forte queda ocorrida nas taxas de juros de mercado (Selic hoje em 11,25% aa e com VIES DE BAIXA PARA MENOS DE 10% no final de 2009), é provável que mais recursos migrem para a bolsa, na expectativa que as ações tenham um desempenho melhor que os juros.É isso.. Olhos e Ouvidos bem atentos, &
Acesso em 04 abr. 2009.
Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Você ficaria feliz em comprar uma maçã podre?
Prezados,Pode parecer loucura para uns, ilógico para outros, mas o fato é que o mercado adorou o discurso de se comprar maçãs podres... Eu explico, calma!A MAGIA NEGRA ESTÁ NO AR...O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner apresentou, hoje (23/03/09), segunda-feira, o plano público-privado para comprar entre US$ 500 bilhões e US$ 1 trilhão em ativos “tóxicos” dos balanços de bancos americanos. Os US$ 100 bilhões iniciais do projeto sairão do TARP, aprovado em outubro do ano passado, além de recursos de investidores privados.QUAL É O PREÇO, MAESTRO?Sobre a precificação dos papéis, o governo vai realizar leilões entre os bancos que estão vendendo os ativos e os investidores interessados, na expectativa de criar um fluxo de mercado. Ou seja, apesar de muito se aplaudir, o fator crucial é saber quanto vale o show!OPINIÕESNa opinião do Tesouro americano, o programa criará um mercado para estes ativos, ajudando a melhorar seu valor, aumentar a capacidade dos bancos de conceder créditos e reduzir a incerteza obre as dimensões das perdas no balanço geral dos bancos.A minha opinião É QUE MUITO CEDO para se afirmar isso...CARÊNCIA....Estamos carentes de boas notícias. Logo, como seres humanos que somos, buscamos nos apoiar em aquilo que nos oferece conforto depois de tanto apanhar, não é mesmo?Agora, daí o pacote de compra de "maçãs podres" ser a solução do problema é um hiato muito grande para ser preenchido só que este afato.. não é mesmo?De todos os modos, o mercado vive de expectativas, e a melhora do humor dos investidores aqueceu as turbinas hoje e fez a Bovespa romper os 42 mil pontos... MAS MUITA CALMA NESSA HORADaí a se aventurar a dizer que a recuperação será consistente é um passo mais audacioso, que não me atreveria a dar.Afinal, não podemos esquecer que por aqui, no Brasil, por outro lado, as previsões para o desempenho da economia neste ano seguem em deterioração cada vez mais pronunciada. Ao falar sobre os cortes no orçamento na semana passada, o ministro Paulo Bernardo reconheceu que o governo já trabalha com um crescimento da ordem de 2% para este ano. Já entre os analistas, as projeções são bem mais modestas: de acordo com o Boletim Focus anunciado hoje, a mediana das estimativas recuou para apenas 0,01%, ou seja, crescimento nulo neste ano.Outro aspecto importante a citar é que com a forte queda ocorrida nas taxas de juros de mercado (Selic hoje em 11,25% aa e com VIES DE BAIXA PARA MENOS DE 10% no final de 2009), é provável que mais recursos migrem para a bolsa, na expectativa que as ações tenham um desempenho melhor que os juros.É isso.. Olhos e Ouvidos bem atentos, &
Procuramos Sherlocks!
Disponível em: <http://contabilidadefinanceira.blogspot.com/>.
Acesso em: 04 abr. 2009.
Investigadores
Procuram-se investigadores de fraudes
Gazeta Mercantil - 3/4/2009
3 de Abril de 2009 - À medida que a crise financeira se alastra, surgem novas suspeitas de fraude - e com elas a necessidade de encontrar provas de má conduta. É por esse motivo que cresce a procura por investigadores de fraudes.Recentemente, o FBI anunciou que o número de investigações de fraudes com hipotecas superava os 1,6 mil casos no fim do ano fiscal de 2008, que terminou em 30 de setembro, em contraste com as 881 ocorrências registradas dois anos atrás. Em acréscimo, foram abertas 530 investigações de fraudes corporativas, informou a policia federal americana.A agência está recrutando gente para ajudar nessas investigações, incluindo pessoas com experiência em informática e contabilidade. Os candidatos que falam um idioma estrangeiro e aqueles que são inspetores de fraude certificados também levam vantagem sobre os concorrentes. A certificação é uma credencial oferecida pela Associação de Inspetores de Fraude que indica proficiência e experiência na prevenção, detectação e dissuasão de fraudes.Fora do âmbito governamental, os investigadores de fraudes trabalham para consultoras de segurança como a Kroll; nos escritórios de contabilidade como o Deloitte Touche and Eisner; e nos escritórios de consultoria empresarial global e de auditoria interna como o Protiviti. Alguns penduram suas próprias placas. Esses escritórios podem ser contratados por escritórios de advocia ou pelas empresas que queiram realizar uma investigação interna.O número de inspetores certificados cresceu 10% em comparação com o ano passado, segundo a associação, um grupo de classe com sede em Austin, no Texas. A remuneração média para os inspetores de fraude certificados que trabalharam em tempo integral em 2008 foi de pouco mais de US$ 90 mil por ano, informa a associação.Os investigadores de fraude corporativa dizem que o trabalho exige curiosidade e tenacidade. E advertem que pode ser extenuante e mesmo enfadonho. Por serem contratados com basea na recomendação de advogados corporativos ou externos, eles estão comprometidos com o direito profissional do advogado e não têm poder para processar o autor de um crime. Mesmo assim, eles asseguram, seus esforços podem ser recompensadores.Recentemente, surgiu um heroi da categoria: Harry Markopolos, que advertiu sucessivamente a Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários americana) que Bernard L. Madoff aoperava um esquema de pirâmide gigantesca às custas dos investidores. Markopolos, que trabalhava para uma empresa de investimento quando começou a investigar as atividades de Madoff, saiu do emprego em 2004 para estabelecer sua própria agência de investigação.Embora a SEC não tenha agido com base nas advertências de Markopolos, ele ajudou a facilitar o caminho para investigações posteriores, que identificaram vários escândalos "mini-Madoff" e outros tipos de fraude.Embora muitos investigadores tenham experiência em contabilidade forense, auditoria interna e cumprimento da lei, os especialistas dizem que a área também atrai executivos de finanças, assistentes jurídicos, bibliotecários e ex-jornalistas. "O que é realmente necessário é uma grande habilidade para fazer as pessoas falarem", declarou Jules Kroll, o recém-aposentado fundador da empresa que traz seu nome.Há dois anos, depois de publicar um livro intitulado "Body Brokers: Inside America's Underground Trade in Human Remains", a escritora free-lance Annie Cheney pensou no que faria a seguir. Ela considerou a produção do livro uma experiência incompleta. "Era muita solidão", disse. "Eu precisava de um emprego".Já que ela adora relatórios e solucionar enigmas, Cheney enviou um currículo para a Kroll, empresa de gereneciamento de risco e investigação de fraudes. Contratada como analista, foi recentemente promovida a diretora.Philip S. Deming, que administra a agência Philip S. Deming & Associates, em King of Prussia, na Pensilvânia, iniciou sua carreira no Departamento do Tesouro e avançou degraus em desenvolvimento e gestão de recursos humanos. Numa caso que investigou, concluiu que um funcionário havia exagerado numa nota de despesas. Em outro, descobriu que uma mulher forjou um diploma universitário.A necessidade de investigar fraudes hoje em dia é tão grande que Deming viu-se forçado a contratar funcionários temporários - advogados, investigadores particulares e inspetores de fraude certificados - que ganham de US$ 150 a US$ 275 por hora.A formação de profissionais também pode fazer parte do cotidiano de um investigador de fraudes. Pam Verick, que coordena o sistema de gestão de risco de fraude na Protiviti, também conduz sessões de treinamento para funcionários de clientes. Nessas oportunidades, ela os alerta para as possíveis práticas de esquemas que envolvem propinas, subornos e relatórios financeiros fraudulentos.De quando em quando, durante o intervalo das aulas, um participante da turma a chama de lado e diz: "Estou preocupado, pois algo sobre o que conversamos está ocorrendo".. O assunto é então encaminhado ao consultor juridico interno para investigação na empresa do aluno do curso de treinamento.Quando Pam conduz suas próprias investigações de fraude, ela se mantém alerta para os detalhes. E a tecnologia que usa para obtê-los ganhou sofisticação. Ela diz que agora recupera provas de celulares, Blackberry, discos rígidos e arquivos de rede. Pam disse por experiência própria que, se a fraude for descoberta, a maior parte das empresas não entram com ação judicial. Em vez disso, elas fazem acordos individuais para que os funcionários envolvidos efetuem a devida restituição.Os expedientes com duração de 18 horas e as refeições extraídas de máquinas automáticas durante as investigações valem a pena, quando um cliente diz: "Obrigado, nós tínhamos de ouvir exatamente isso".Dina Blake, estudante formada em contabilidade pela West Virginia University, em Morgantown, na Virgínia Ocidental, espera investigar fraude um dia. Ela pretende seguir a carreira de contabilidade forense e receber um certificado de investigação de fraude. Para tanto, conseguiu um estágio na Ernst & Young, o escritório de auditoria, em Washington enquanto ainda cursava o segundo semestre.Ela disse que seus estudos lhe deram uma melhor compreensão das dificuldades pelas quais passam as pessoas que perderam as economias de aposentadoria como resultado de fraude corporativa. Dina vê sua nova carreira com idealismo: "Eu vou ajudar a endireitar o mundo dos negócios. Por bem ou por mal".(Gazeta Mercantil/Caderno D - Pág. 7)(Amy Zipkin The New York Times)
Acesso em: 04 abr. 2009.
Investigadores
Procuram-se investigadores de fraudes
Gazeta Mercantil - 3/4/2009
3 de Abril de 2009 - À medida que a crise financeira se alastra, surgem novas suspeitas de fraude - e com elas a necessidade de encontrar provas de má conduta. É por esse motivo que cresce a procura por investigadores de fraudes.Recentemente, o FBI anunciou que o número de investigações de fraudes com hipotecas superava os 1,6 mil casos no fim do ano fiscal de 2008, que terminou em 30 de setembro, em contraste com as 881 ocorrências registradas dois anos atrás. Em acréscimo, foram abertas 530 investigações de fraudes corporativas, informou a policia federal americana.A agência está recrutando gente para ajudar nessas investigações, incluindo pessoas com experiência em informática e contabilidade. Os candidatos que falam um idioma estrangeiro e aqueles que são inspetores de fraude certificados também levam vantagem sobre os concorrentes. A certificação é uma credencial oferecida pela Associação de Inspetores de Fraude que indica proficiência e experiência na prevenção, detectação e dissuasão de fraudes.Fora do âmbito governamental, os investigadores de fraudes trabalham para consultoras de segurança como a Kroll; nos escritórios de contabilidade como o Deloitte Touche and Eisner; e nos escritórios de consultoria empresarial global e de auditoria interna como o Protiviti. Alguns penduram suas próprias placas. Esses escritórios podem ser contratados por escritórios de advocia ou pelas empresas que queiram realizar uma investigação interna.O número de inspetores certificados cresceu 10% em comparação com o ano passado, segundo a associação, um grupo de classe com sede em Austin, no Texas. A remuneração média para os inspetores de fraude certificados que trabalharam em tempo integral em 2008 foi de pouco mais de US$ 90 mil por ano, informa a associação.Os investigadores de fraude corporativa dizem que o trabalho exige curiosidade e tenacidade. E advertem que pode ser extenuante e mesmo enfadonho. Por serem contratados com basea na recomendação de advogados corporativos ou externos, eles estão comprometidos com o direito profissional do advogado e não têm poder para processar o autor de um crime. Mesmo assim, eles asseguram, seus esforços podem ser recompensadores.Recentemente, surgiu um heroi da categoria: Harry Markopolos, que advertiu sucessivamente a Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários americana) que Bernard L. Madoff aoperava um esquema de pirâmide gigantesca às custas dos investidores. Markopolos, que trabalhava para uma empresa de investimento quando começou a investigar as atividades de Madoff, saiu do emprego em 2004 para estabelecer sua própria agência de investigação.Embora a SEC não tenha agido com base nas advertências de Markopolos, ele ajudou a facilitar o caminho para investigações posteriores, que identificaram vários escândalos "mini-Madoff" e outros tipos de fraude.Embora muitos investigadores tenham experiência em contabilidade forense, auditoria interna e cumprimento da lei, os especialistas dizem que a área também atrai executivos de finanças, assistentes jurídicos, bibliotecários e ex-jornalistas. "O que é realmente necessário é uma grande habilidade para fazer as pessoas falarem", declarou Jules Kroll, o recém-aposentado fundador da empresa que traz seu nome.Há dois anos, depois de publicar um livro intitulado "Body Brokers: Inside America's Underground Trade in Human Remains", a escritora free-lance Annie Cheney pensou no que faria a seguir. Ela considerou a produção do livro uma experiência incompleta. "Era muita solidão", disse. "Eu precisava de um emprego".Já que ela adora relatórios e solucionar enigmas, Cheney enviou um currículo para a Kroll, empresa de gereneciamento de risco e investigação de fraudes. Contratada como analista, foi recentemente promovida a diretora.Philip S. Deming, que administra a agência Philip S. Deming & Associates, em King of Prussia, na Pensilvânia, iniciou sua carreira no Departamento do Tesouro e avançou degraus em desenvolvimento e gestão de recursos humanos. Numa caso que investigou, concluiu que um funcionário havia exagerado numa nota de despesas. Em outro, descobriu que uma mulher forjou um diploma universitário.A necessidade de investigar fraudes hoje em dia é tão grande que Deming viu-se forçado a contratar funcionários temporários - advogados, investigadores particulares e inspetores de fraude certificados - que ganham de US$ 150 a US$ 275 por hora.A formação de profissionais também pode fazer parte do cotidiano de um investigador de fraudes. Pam Verick, que coordena o sistema de gestão de risco de fraude na Protiviti, também conduz sessões de treinamento para funcionários de clientes. Nessas oportunidades, ela os alerta para as possíveis práticas de esquemas que envolvem propinas, subornos e relatórios financeiros fraudulentos.De quando em quando, durante o intervalo das aulas, um participante da turma a chama de lado e diz: "Estou preocupado, pois algo sobre o que conversamos está ocorrendo".. O assunto é então encaminhado ao consultor juridico interno para investigação na empresa do aluno do curso de treinamento.Quando Pam conduz suas próprias investigações de fraude, ela se mantém alerta para os detalhes. E a tecnologia que usa para obtê-los ganhou sofisticação. Ela diz que agora recupera provas de celulares, Blackberry, discos rígidos e arquivos de rede. Pam disse por experiência própria que, se a fraude for descoberta, a maior parte das empresas não entram com ação judicial. Em vez disso, elas fazem acordos individuais para que os funcionários envolvidos efetuem a devida restituição.Os expedientes com duração de 18 horas e as refeições extraídas de máquinas automáticas durante as investigações valem a pena, quando um cliente diz: "Obrigado, nós tínhamos de ouvir exatamente isso".Dina Blake, estudante formada em contabilidade pela West Virginia University, em Morgantown, na Virgínia Ocidental, espera investigar fraude um dia. Ela pretende seguir a carreira de contabilidade forense e receber um certificado de investigação de fraude. Para tanto, conseguiu um estágio na Ernst & Young, o escritório de auditoria, em Washington enquanto ainda cursava o segundo semestre.Ela disse que seus estudos lhe deram uma melhor compreensão das dificuldades pelas quais passam as pessoas que perderam as economias de aposentadoria como resultado de fraude corporativa. Dina vê sua nova carreira com idealismo: "Eu vou ajudar a endireitar o mundo dos negócios. Por bem ou por mal".(Gazeta Mercantil/Caderno D - Pág. 7)(Amy Zipkin The New York Times)
Ajustando as regras
Disponível em: <http://contabilidadefinanceira.blogspot.com/>.
Acesso em: 04 abr. 2009.
IFRS e Brasil
Mudança contábil exige novo perfil de profissionais
Valor Econômico - 3/4/2009
A implementação das Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS), aprovada em 2007 no Brasil por meio da Lei 11.638 e que afeta todas as companhias abertas e limitadas de grande porte do país, está causando uma verdadeira revolução na rotina e na carreira de contadores, auditores, controllers e executivos da área financeira. A mudança, que unifica os padrões contábeis para estabelecer critérios de comparação entre empresas internacionais, aumenta significativamente o grau de responsabilidade dos profissionais que elaboram ou analisam balanços, exigindo deles uma visão crítica e conhecimentos mais aprofundados de gestão de negócios, finanças corporativas, questões societárias, planejamento tributário e sistemas de informação.Os treinamentos, debates e congressos sobre IFRS pipocam por toda parte e lotam auditórios com representantes de empresas, universidades e órgãos públicos preocupados em entender e debater as aplicações das novas regras, já em vigor nos balanços consolidados de 2008 publicados este ano.Mas, apesar dessa corrida contra o tempo, esta lei é entendida pelo mercado como um grande avanço por transformar as demonstrações financeiras em um instrumento efetivo de gestão do negócio, mais transparente e confiável para os investidores. Já para os contadores, acostumados a figurar em segundo plano na escala das profissões da área financeira, trata-se de uma revolução que os coloca em um novo patamar no mercado. Seu papel, até então restrito aos registros numéricos, sobe para o nível da tomada de decisão."Esta é uma grande oportunidade de carreira para o profissional contábil, que sempre foi muito discriminado, visto como um registrador de fatos e dados. Agora, ele é obrigado a fazer parte da estratégia da empresa", diz a contadora-chefe do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Vania Borgerth. Para ela, que também é diretora do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI) no Rio de Janeiro e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), este é o momento de maior mudança em toda a sua carreira.Há 16 anos no BNDES, Vania lidera atualmente uma equipe de 50 pessoas. Ao todo, a estrutura da instituição tem 250 contadores, responsáveis por analisar o balanço das empresas que solicitam financiamento. E é da contadora-chefe a missão de capacitá-los em IFRS. Por isso, desde 2006, Vania acompanha de perto as discussões no Brasil e no exterior sobre as normas contábeis internacionais. "Procuramos nos antecipar ao mercado. O próximo passo será certificar internacionalmente todos os nossos contadores", explica ela.As normas internacionais causam também um impacto importante no ensino, uma vez que exigem mudanças não apenas no currículo dos cursos de ciências contábeis, administração e economia, mas também na mentalidade dos professores e nas metodologias. Afinal, as escolas terão de exigir do aluno um posicionamento mais analítico e não somente o cumprimento de normas pré-estabelecidas. O desafio é grande: segundo o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), cerca de 20 a 25 mil contabilistas se formam a cada ano em 1.046 instituições de ensino superior espalhadas pelo país.Como as regras estão sendo adotadas por etapas e, por isso, há pouquíssimas publicações sobre o tema no Brasil, a responsabilidade de se atualizar e buscar as informações recai sobre todos os profissionais envolvidos com o tema - inclusive os professores. "O conhecimento está se formando e, por isso é muito importante que os professores participem das discussões", diz Sérgio Machado, professor do Ibmec São Paulo. Em relação ao mercado de trabalho, ele acredita que a demanda agora será por contadores que enxerguem a organização de forma mais ampla.As escolas de ponta no ensino de finanças saem na frente na adequação à nova legislação. A Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), ligada à Universidade de São Paulo (USP), é uma das líderes do processo no país, e faz parte do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), grupo formado pelas principais entidades do mercado de capitais responsável pelo estudo, adequação e emissão de normas ligadas à Lei 11.638.Além de promover uma série de workshops e palestras sobre o assunto em parceria com outras entidades e empresas, a Fipecafi já incorporou ao seu currículo todas as normas publicadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "O antigo modelo contábil é mencionado apenas como referência histórica", diz o professor Ariovaldo dos Santos. Para ele, mais do que a questão técnica, o maior desafio é a postura que deverá ser adotada pelos professores, alunos e profissionais de mercado. "É preciso mudar a cabeça das pessoas. Elas terão de reaprender a profissão."A Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp) também já reformou a disciplina de contabilidade em seus cursos de acordo com o padrão internacional. A cada nova norma publicada pela CVM, os professores levam artigos e a própria legislação para discutir em sala de aula.A professora Edilene Santana Santos, do departamento de Contabilidade, Finanças e Controle da FGV, vê impactos importantes tanto na carreira dos contadores, que precisam de conhecimento mais profundo para tomar decisões, como dos analistas de mercado, já que eles são os usuários das informações publicadas e precisam interpretar corretamente os balanços. "Com a adoção do IFRS, há flexibilidade para adaptação em cada empresa. O analista vai se deparar com formas diferentes e, ao ler os relatórios, precisa saber como aquela prática adotada afetou os resultados", explica Edilene.É o que vive na pele Marco Saravalle, analista da corretora Coinvalores e conselheiro da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). "Foi uma mudança muito sensível para a análise", diz ele, que terá de fazer projeções de mercado para 2009 com as novas alterações. Saravalle acabou de concluir um MBA voltado para o mercado de capitais, porém ainda estudou com base no modelo contábil antigo. "Se eu soubesse (que as regras mudariam tanto) teria esperado mais um pouco para fazer o curso", lamenta. "Nós, analistas, vamos ter que ler muito, buscar informações em palestras e seminários para estarmos atualizados, porque pequenas questões podem ser determinantes na avaliação de uma empresa."Outro segmento do mercado que tem investido fortemente em capacitação em IFRS são as empresas de auditoria, que têm sido responsáveis por introduzir as novas regras em boa parte das empresas de grande porte no País, além de oferecer treinamento para as equipes internas dessas organizações. Para garantir tal expertise dos auditores, os treinamento no Brasil e exterior são intensivos.Só na KPMG, foram investidos em 2008 aproximadamente de R$ 4 milhões em treinamentos de IFRS e novos pronunciamentos contábeis. Cerca de 1.800 profissionais da equipe passaram por 280 mil horas de treinamentos presenciais no país e na Europa ou em cursos on-line. "Muitos fatores exigem um grau de subjetividade muito grande, como determinar o valor justo de ativos. São aspectos que exigem maior senioridade dos profissionais", diz o sócio-líder de auditoria da KPMG no Brasil, Charles Krieck. "O processo ficou mais complexo e mais interessante", completa.A PricewaterhouseCoopers (PwC) também treinou mais de mil funcionários em sessões que variaram de 30 a 100 horas por ano, além de um grupo de cerca de cem "superespecialistas" que fizeram intercâmbio técnico fora do país ou possuem qualificação internacional independente. Além da capacitação interna, a empresa promove constantemente seminários gratuitos para cerca de 400 pessoas sobre a Lei 11.638 e seus impactos nas organizações. "Nossa preocupação é que o mercado todo consiga se capacitar", diz Fábio Cajazeira, sócio da área de mercado de capitais no Brasil.Há cerca de dez anos, quando a Europa sinalizou a mudança nas regras internacionais, a PwC mundial começou a promover intercâmbios internos para capacitar profissionais dos 154 países em que atua. Cajazeira foi um deles. Passou dois anos no Reino Unido participando de um grupo global especializado em IFRS. Hoje, considerado um "superespecialista", ele acredita que a convergência das regras internacionais é a maior revolução na linguagem de comunicação das empresas com seus diversos públicos. Por isso, o entendimento de quem atua na área não pode ser superficial. "São mais de 40 normas que mudam toda a estrutura de balanço. Não é algo que um curso de cinco horas resolveria." Na opinião dos especialistas ouvidos pelo Valor, o IFRS tende a promover um maior interesse de jovens profissionais para atuar na área contábil.A demanda já foi identificada pelo Ibmec RJ, por exemplo, que lançou uma graduação em ciências contábeis toda moldada a essa nova realidade. O curso se propõe a formar profissionais que tenham pleno domínio conceitual, funcional e operacional do IFRS e outras questões importantes ligadas à área financeira, mas também traz questões que remetem ao novo papel dos contadores, como gestão de negócios, análise de informações, habilidades de liderança e visão estratégica das atividades contábeis.Para o vice-presidente de fiscalização do Conselho Federal de Contabilidade, Enory Luiz Spinelli, o pleno ajuste às novas regras deve se dar entre cinco e oito anos. "A história da contabilidade no Brasil, desde a chegada dos portugueses, sempre teve um enfoque tributário, fiscal. Agora, teremos uma contabilidade focada no negócio e no conhecimento."
Acesso em: 04 abr. 2009.
IFRS e Brasil
Mudança contábil exige novo perfil de profissionais
Valor Econômico - 3/4/2009
A implementação das Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS), aprovada em 2007 no Brasil por meio da Lei 11.638 e que afeta todas as companhias abertas e limitadas de grande porte do país, está causando uma verdadeira revolução na rotina e na carreira de contadores, auditores, controllers e executivos da área financeira. A mudança, que unifica os padrões contábeis para estabelecer critérios de comparação entre empresas internacionais, aumenta significativamente o grau de responsabilidade dos profissionais que elaboram ou analisam balanços, exigindo deles uma visão crítica e conhecimentos mais aprofundados de gestão de negócios, finanças corporativas, questões societárias, planejamento tributário e sistemas de informação.Os treinamentos, debates e congressos sobre IFRS pipocam por toda parte e lotam auditórios com representantes de empresas, universidades e órgãos públicos preocupados em entender e debater as aplicações das novas regras, já em vigor nos balanços consolidados de 2008 publicados este ano.Mas, apesar dessa corrida contra o tempo, esta lei é entendida pelo mercado como um grande avanço por transformar as demonstrações financeiras em um instrumento efetivo de gestão do negócio, mais transparente e confiável para os investidores. Já para os contadores, acostumados a figurar em segundo plano na escala das profissões da área financeira, trata-se de uma revolução que os coloca em um novo patamar no mercado. Seu papel, até então restrito aos registros numéricos, sobe para o nível da tomada de decisão."Esta é uma grande oportunidade de carreira para o profissional contábil, que sempre foi muito discriminado, visto como um registrador de fatos e dados. Agora, ele é obrigado a fazer parte da estratégia da empresa", diz a contadora-chefe do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Vania Borgerth. Para ela, que também é diretora do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI) no Rio de Janeiro e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), este é o momento de maior mudança em toda a sua carreira.Há 16 anos no BNDES, Vania lidera atualmente uma equipe de 50 pessoas. Ao todo, a estrutura da instituição tem 250 contadores, responsáveis por analisar o balanço das empresas que solicitam financiamento. E é da contadora-chefe a missão de capacitá-los em IFRS. Por isso, desde 2006, Vania acompanha de perto as discussões no Brasil e no exterior sobre as normas contábeis internacionais. "Procuramos nos antecipar ao mercado. O próximo passo será certificar internacionalmente todos os nossos contadores", explica ela.As normas internacionais causam também um impacto importante no ensino, uma vez que exigem mudanças não apenas no currículo dos cursos de ciências contábeis, administração e economia, mas também na mentalidade dos professores e nas metodologias. Afinal, as escolas terão de exigir do aluno um posicionamento mais analítico e não somente o cumprimento de normas pré-estabelecidas. O desafio é grande: segundo o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), cerca de 20 a 25 mil contabilistas se formam a cada ano em 1.046 instituições de ensino superior espalhadas pelo país.Como as regras estão sendo adotadas por etapas e, por isso, há pouquíssimas publicações sobre o tema no Brasil, a responsabilidade de se atualizar e buscar as informações recai sobre todos os profissionais envolvidos com o tema - inclusive os professores. "O conhecimento está se formando e, por isso é muito importante que os professores participem das discussões", diz Sérgio Machado, professor do Ibmec São Paulo. Em relação ao mercado de trabalho, ele acredita que a demanda agora será por contadores que enxerguem a organização de forma mais ampla.As escolas de ponta no ensino de finanças saem na frente na adequação à nova legislação. A Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), ligada à Universidade de São Paulo (USP), é uma das líderes do processo no país, e faz parte do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), grupo formado pelas principais entidades do mercado de capitais responsável pelo estudo, adequação e emissão de normas ligadas à Lei 11.638.Além de promover uma série de workshops e palestras sobre o assunto em parceria com outras entidades e empresas, a Fipecafi já incorporou ao seu currículo todas as normas publicadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "O antigo modelo contábil é mencionado apenas como referência histórica", diz o professor Ariovaldo dos Santos. Para ele, mais do que a questão técnica, o maior desafio é a postura que deverá ser adotada pelos professores, alunos e profissionais de mercado. "É preciso mudar a cabeça das pessoas. Elas terão de reaprender a profissão."A Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp) também já reformou a disciplina de contabilidade em seus cursos de acordo com o padrão internacional. A cada nova norma publicada pela CVM, os professores levam artigos e a própria legislação para discutir em sala de aula.A professora Edilene Santana Santos, do departamento de Contabilidade, Finanças e Controle da FGV, vê impactos importantes tanto na carreira dos contadores, que precisam de conhecimento mais profundo para tomar decisões, como dos analistas de mercado, já que eles são os usuários das informações publicadas e precisam interpretar corretamente os balanços. "Com a adoção do IFRS, há flexibilidade para adaptação em cada empresa. O analista vai se deparar com formas diferentes e, ao ler os relatórios, precisa saber como aquela prática adotada afetou os resultados", explica Edilene.É o que vive na pele Marco Saravalle, analista da corretora Coinvalores e conselheiro da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). "Foi uma mudança muito sensível para a análise", diz ele, que terá de fazer projeções de mercado para 2009 com as novas alterações. Saravalle acabou de concluir um MBA voltado para o mercado de capitais, porém ainda estudou com base no modelo contábil antigo. "Se eu soubesse (que as regras mudariam tanto) teria esperado mais um pouco para fazer o curso", lamenta. "Nós, analistas, vamos ter que ler muito, buscar informações em palestras e seminários para estarmos atualizados, porque pequenas questões podem ser determinantes na avaliação de uma empresa."Outro segmento do mercado que tem investido fortemente em capacitação em IFRS são as empresas de auditoria, que têm sido responsáveis por introduzir as novas regras em boa parte das empresas de grande porte no País, além de oferecer treinamento para as equipes internas dessas organizações. Para garantir tal expertise dos auditores, os treinamento no Brasil e exterior são intensivos.Só na KPMG, foram investidos em 2008 aproximadamente de R$ 4 milhões em treinamentos de IFRS e novos pronunciamentos contábeis. Cerca de 1.800 profissionais da equipe passaram por 280 mil horas de treinamentos presenciais no país e na Europa ou em cursos on-line. "Muitos fatores exigem um grau de subjetividade muito grande, como determinar o valor justo de ativos. São aspectos que exigem maior senioridade dos profissionais", diz o sócio-líder de auditoria da KPMG no Brasil, Charles Krieck. "O processo ficou mais complexo e mais interessante", completa.A PricewaterhouseCoopers (PwC) também treinou mais de mil funcionários em sessões que variaram de 30 a 100 horas por ano, além de um grupo de cerca de cem "superespecialistas" que fizeram intercâmbio técnico fora do país ou possuem qualificação internacional independente. Além da capacitação interna, a empresa promove constantemente seminários gratuitos para cerca de 400 pessoas sobre a Lei 11.638 e seus impactos nas organizações. "Nossa preocupação é que o mercado todo consiga se capacitar", diz Fábio Cajazeira, sócio da área de mercado de capitais no Brasil.Há cerca de dez anos, quando a Europa sinalizou a mudança nas regras internacionais, a PwC mundial começou a promover intercâmbios internos para capacitar profissionais dos 154 países em que atua. Cajazeira foi um deles. Passou dois anos no Reino Unido participando de um grupo global especializado em IFRS. Hoje, considerado um "superespecialista", ele acredita que a convergência das regras internacionais é a maior revolução na linguagem de comunicação das empresas com seus diversos públicos. Por isso, o entendimento de quem atua na área não pode ser superficial. "São mais de 40 normas que mudam toda a estrutura de balanço. Não é algo que um curso de cinco horas resolveria." Na opinião dos especialistas ouvidos pelo Valor, o IFRS tende a promover um maior interesse de jovens profissionais para atuar na área contábil.A demanda já foi identificada pelo Ibmec RJ, por exemplo, que lançou uma graduação em ciências contábeis toda moldada a essa nova realidade. O curso se propõe a formar profissionais que tenham pleno domínio conceitual, funcional e operacional do IFRS e outras questões importantes ligadas à área financeira, mas também traz questões que remetem ao novo papel dos contadores, como gestão de negócios, análise de informações, habilidades de liderança e visão estratégica das atividades contábeis.Para o vice-presidente de fiscalização do Conselho Federal de Contabilidade, Enory Luiz Spinelli, o pleno ajuste às novas regras deve se dar entre cinco e oito anos. "A história da contabilidade no Brasil, desde a chegada dos portugueses, sempre teve um enfoque tributário, fiscal. Agora, teremos uma contabilidade focada no negócio e no conhecimento."
Coitado de Noé!
Disponível em: <>.
Acesso em: 04 abr. 2009.
03 Abril 2009
Rir é o melhor remédio
Um dia, o Senhor chamou Noé que morava no Brasil e ordenou-lhe:- Dentro de 6 meses, farei chover ininterruptamente durante 40 dias e 40 noites, até que todo o Brasil seja coberto pelas águas. Os maus serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie animal. Vai e constrói uma arca de madeira. No tempo certo, os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram o céu. Noé chorava, ajoelhado no quintal de sua casa, quando ouviu a voz do Senhor soar furiosa, entre as nuvens:- Onde está a arca, Noé? - Perdoe-me, Senhor suplicou o homem. Fiz o que pude, mas encontrei dificuldades imensas: Primeiro tentei obter uma licença da Prefeitura, mas para isto, além das altas taxas para obter o alvará, me pediram ainda uma contribuição para a campanha para eleição do prefeito. Precisando de dinheiro, fui aos bancos e não consegui empréstimo, mesmo aceitando aquelas taxas de juros. O Corpo de Bombeiros exigiu um sistema de prevenção de incêndio, mas consegui contornar, subornando um funcionário. Começaram então os problemas com o IBAMA para a extração da madeira. Eu disse que eram ordens Suas, mas eles só queriam saber se eu tinha um “Projeto de Reflorestamento” e um tal de “Plano de Manejo”. Neste meio tempo ELES descobriram também uns casais de animais guardados em meu quintal. Além da pesada multa, o fiscal falou em "Prisão Inafiançável" e eu acabei tendo que matá-lo, porque, para este crime a lei é mais branda. Quando resolvi começar a obra, na raça, apareceu o CREA e me multou porque eu não tinha um Engenheiro Naval responsável pela construção. Depois apareceu o Sindicato exigindo que eu contratasse seus marceneiros com garantia de emprego por um ano. Veio em seguida a Receita Federal, falando em “sinais exteriores de riqueza“ e também me multou. Finalmente, quando a Secretaria do Meio Ambiente pediu o “Relatório de Impacto Ambiental“ sobre a zona a ser inundada, mostrei o mapa do Brasil. Aí, quiseram me internar num Hospital Psiquiátrico! Sorte que o INSS estava de greve.Noé terminou o relato chorando, mas notou que o céu clareava e perguntou:- Senhor, então não irás mais destruir o Brasil? - Não! - respondeu a Voz entre as nuvens. Pelo que ouvi de ti, Noé, cheguei tarde!
Acesso em: 04 abr. 2009.
03 Abril 2009
Rir é o melhor remédio
Um dia, o Senhor chamou Noé que morava no Brasil e ordenou-lhe:- Dentro de 6 meses, farei chover ininterruptamente durante 40 dias e 40 noites, até que todo o Brasil seja coberto pelas águas. Os maus serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie animal. Vai e constrói uma arca de madeira. No tempo certo, os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram o céu. Noé chorava, ajoelhado no quintal de sua casa, quando ouviu a voz do Senhor soar furiosa, entre as nuvens:- Onde está a arca, Noé? - Perdoe-me, Senhor suplicou o homem. Fiz o que pude, mas encontrei dificuldades imensas: Primeiro tentei obter uma licença da Prefeitura, mas para isto, além das altas taxas para obter o alvará, me pediram ainda uma contribuição para a campanha para eleição do prefeito. Precisando de dinheiro, fui aos bancos e não consegui empréstimo, mesmo aceitando aquelas taxas de juros. O Corpo de Bombeiros exigiu um sistema de prevenção de incêndio, mas consegui contornar, subornando um funcionário. Começaram então os problemas com o IBAMA para a extração da madeira. Eu disse que eram ordens Suas, mas eles só queriam saber se eu tinha um “Projeto de Reflorestamento” e um tal de “Plano de Manejo”. Neste meio tempo ELES descobriram também uns casais de animais guardados em meu quintal. Além da pesada multa, o fiscal falou em "Prisão Inafiançável" e eu acabei tendo que matá-lo, porque, para este crime a lei é mais branda. Quando resolvi começar a obra, na raça, apareceu o CREA e me multou porque eu não tinha um Engenheiro Naval responsável pela construção. Depois apareceu o Sindicato exigindo que eu contratasse seus marceneiros com garantia de emprego por um ano. Veio em seguida a Receita Federal, falando em “sinais exteriores de riqueza“ e também me multou. Finalmente, quando a Secretaria do Meio Ambiente pediu o “Relatório de Impacto Ambiental“ sobre a zona a ser inundada, mostrei o mapa do Brasil. Aí, quiseram me internar num Hospital Psiquiátrico! Sorte que o INSS estava de greve.Noé terminou o relato chorando, mas notou que o céu clareava e perguntou:- Senhor, então não irás mais destruir o Brasil? - Não! - respondeu a Voz entre as nuvens. Pelo que ouvi de ti, Noé, cheguei tarde!
Elevando a Cesp
Disponível em: <http://contabilidadefinanceira.blogspot.com/>.
Acesso em: 04 abr. 2009.
Valor recuperável e Cesp
Valor recuperável dá novo fôlego às ações da CespGazeta Mercantil - 3/4/2009São Paulo, 3 de Abril de 2009 - O demonstrativo financeiro de 2008 da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) é um dos melhores exemplos até agora da dualidade que a adoção dos padrões contábeis definidos pela lei 11.638 pode trazer às empresas de capital aberto. Apesar de a companhia ter divulgado um prejuízo de R$ 2,35 bilhões por conta dos ajustes de contabilidade, a resposta do mercado acionário foi a valorização de seus papéis, com alta superior a 7% no pregão seguinte.Não fossem os ajustes, as operações se manteriam lucrativas, com um avanço de 13,5% da receita e de 12% na geração de caixa, para R$ 1,63 bilhão. Mas não é que o mercado tenha sido tão compreensível assim com o ajuste. Acontece que, também por conta das novas regras de contabilidade, a Cesp exibiu um novo fôlego para a briga de renovação das concessões que opera."O resultado operacional ficou dentro das expectativas, mas o que animou o mercado foi a avaliação do valor recuperável dos ativos", afirma Luciana Pazos, analista da Gradual Corretora. Agora, cada usina passa a ter seu valor econômico individual, como unidades de negócios segmentadas e que não afetam uma à outra (positiva ou negativamente). Nesta avaliação, das seis usinas da Cesp, somente a Porto Primavera fica com as contas no vermelho - o que explica justamente o prejuízo contábil final."A empresa mostrou um valor de R$ 9,54 bilhões de recuperação dos demais ativos, que deu ao investidor uma percepção de minimização dos riscos de não renovação das concessões. Ou seja, se a companhia devolver os ativos para a União, terá esta remuneração", explica Luciana, ressaltando entretanto que a Cesp não explicitou que taxa de desconto aplicou nessas contas.O montante daria um valuation de R$ 38 por ação, segundo a equipe da corretora Bradesco - bem melhor que os cerca de R$ 13 em que o papel é negociado atualmente. Nas contas da Ativa Corretora, o valor justo seria de R$ 43 por ação, após o desconto das dívidas. A equipe da Ativa ressalta que a Cesp ainda apresenta alta exposição à variação cambial - 40% de suas dívidas estão em moeda estrangeira, sem hedge. Com o cenário, a corretora Merrill Lynch reiterou a recomendação de compra aos papéis, com preço-alvo de R$ 25 por ação, enquanto as demais corretoras estão revendo suas recomendações.O prejuízo contábil já impacta de imediato a distribuição de dividendos. Mas segundo analistas, o grande apelo da ação continua sendo a expectativa de privatização - quanto mais perto do vencimento das concessões operadas pela Cesp, que se dará em 2015, maior a possibilidade de um desfecho positivo. "O governo pode ficar encorajado com o novo valuation por ação", diz um analista.(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 4)(Maria Luíza Filgueiras)
Acesso em: 04 abr. 2009.
Valor recuperável e Cesp
Valor recuperável dá novo fôlego às ações da CespGazeta Mercantil - 3/4/2009São Paulo, 3 de Abril de 2009 - O demonstrativo financeiro de 2008 da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) é um dos melhores exemplos até agora da dualidade que a adoção dos padrões contábeis definidos pela lei 11.638 pode trazer às empresas de capital aberto. Apesar de a companhia ter divulgado um prejuízo de R$ 2,35 bilhões por conta dos ajustes de contabilidade, a resposta do mercado acionário foi a valorização de seus papéis, com alta superior a 7% no pregão seguinte.Não fossem os ajustes, as operações se manteriam lucrativas, com um avanço de 13,5% da receita e de 12% na geração de caixa, para R$ 1,63 bilhão. Mas não é que o mercado tenha sido tão compreensível assim com o ajuste. Acontece que, também por conta das novas regras de contabilidade, a Cesp exibiu um novo fôlego para a briga de renovação das concessões que opera."O resultado operacional ficou dentro das expectativas, mas o que animou o mercado foi a avaliação do valor recuperável dos ativos", afirma Luciana Pazos, analista da Gradual Corretora. Agora, cada usina passa a ter seu valor econômico individual, como unidades de negócios segmentadas e que não afetam uma à outra (positiva ou negativamente). Nesta avaliação, das seis usinas da Cesp, somente a Porto Primavera fica com as contas no vermelho - o que explica justamente o prejuízo contábil final."A empresa mostrou um valor de R$ 9,54 bilhões de recuperação dos demais ativos, que deu ao investidor uma percepção de minimização dos riscos de não renovação das concessões. Ou seja, se a companhia devolver os ativos para a União, terá esta remuneração", explica Luciana, ressaltando entretanto que a Cesp não explicitou que taxa de desconto aplicou nessas contas.O montante daria um valuation de R$ 38 por ação, segundo a equipe da corretora Bradesco - bem melhor que os cerca de R$ 13 em que o papel é negociado atualmente. Nas contas da Ativa Corretora, o valor justo seria de R$ 43 por ação, após o desconto das dívidas. A equipe da Ativa ressalta que a Cesp ainda apresenta alta exposição à variação cambial - 40% de suas dívidas estão em moeda estrangeira, sem hedge. Com o cenário, a corretora Merrill Lynch reiterou a recomendação de compra aos papéis, com preço-alvo de R$ 25 por ação, enquanto as demais corretoras estão revendo suas recomendações.O prejuízo contábil já impacta de imediato a distribuição de dividendos. Mas segundo analistas, o grande apelo da ação continua sendo a expectativa de privatização - quanto mais perto do vencimento das concessões operadas pela Cesp, que se dará em 2015, maior a possibilidade de um desfecho positivo. "O governo pode ficar encorajado com o novo valuation por ação", diz um analista.(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 4)(Maria Luíza Filgueiras)
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