O balanço do IPO da Visanet
Por Cláudio Gradilone 29/06/2009 - 17:19
Abertura de capital mais esperada do ano, o lançamento de ações da Visanet relembrou os velhos e bons tempos de euforia do mercado. No fim do dia, os papéis eram negociados com uma alta de 14,3%, a R$ 17,15. Depois de uma derrapada no início dos negócios, as cotações foram de vento em popa até o final, encerrando perto das máximas do dia.
Isso quer dizer que a má fase do mercado passou, e que de agora em diante os investidores terão só alegrias no mercado? Vamos com calma. As ações da Visanet tiveram um desempenho tão bom muito mais em função dos méritos da própria empresa do que devido às boas condições do mercado.
A Visanet, assim como sua principal concorrente, a Redecard, são empresas que praticamente só têm qualidades. Dominam o mercado com uma fatia de 90%, praticamente um duopólio, que lhes permite impor condições sobre seus principais clientes, que não são os possuidores de cartões, mas os estabelecimentos comerciais. Donos de loja têm de comprar pelo menos dois terminais de operação, um da Visanet e outro da Redecard. É péssimo para quem tem loja, mas é ótimo para quem tem ações da empresa.
Há mais. As duas operam em um setor em franca expansão e que ganha dinheiro com aumento da escala. O uso de pagamentos eletrônicos, como os cartões de débito e de crédito, só vem crescendo e agora começa a ganhar peso até mesmo nas classes C e D.
Há desvantagens, claro: o setor vem sentindo a pressão das autoridades para a ruptura do duopólio, com medidas que podem obrigar as concorrentes a compartilhar suas redes. Se isso ocorrer, os lojistas só precisarão ter um terminal, podendo aceitar cartões das duas bandeiras e pagando apenas uma taxa. Pode ocorrer, dizem os especialistas em cartões, mas é algo pouco provável no curto prazo.
A Visanet vale a pena, por isso suas ações subiram com tanta força, mas isso não quer dizer que o mercado esteja engatando uma trajetória consistente de alta. Ao contrário, após voltar ao patamar de 52 000 pontos, o Índice Bovespa deverá iniciar um movimento sem uma tendência definida.
Há várias razões para isso. Os dois grandes propulsores da valorização das ações no primeiro semestre, que foram a queda dos juros e os pacotes de ajuda governamental no Brasil e no exterior, começam a perder a força.
Os juros podem cair mais um pouco, mas a expectativa firme do mercado é que eles voltem a subir em algum momento em 2010. Pode ser janeiro (para os pessimistas) ou junho (para os otimistas).
Já o efeito dos pacotes de ajuda governamental está chegando ao fim, pois eles já cumpriram seu papel, que era de impedir uma quebra sistêmica dos bancos em todo o mundo. Estatizado, combalido e várias ordens de grandeza menor do que era, o sistema bancário continua e precisa cada vez menos de dinheiro estatal. Ou seja, as injeções de liquidez que irrigaram os mercados no primeiro semestre vão secar definitivamente.
Por tudo isso, o movimento das ações deverá ser errático e sem tendência definida, em um cenário no geral positivo, mas sem fôlego para novas grandes ondas de valorização.
Marcadores (Tags)
- Casos com Golpes ou Fraudes (1)
- Casos de Avaliação de Empresas (9)
- Casos de Contabilidade (5)
- Casos de Controles Internos (4)
- Casos de Custos (8)
- Casos de Derivativos (6)
- Casos de Estatística (2)
- Casos de Estratégia (7)
- Casos de Finanças (29)
- Casos de Matemática Financeira (5)
- Casos de Mercados Financeiros (58)
- Casos de Metodologia (1)
- Casos de Orçamento (1)
- Casos de Planejamento (3)
- Controles Internos (2)
- Custos; Teoria de Finanças (1)
- Governança (1)
- Mercados Financeiros (3)
- preços (1)
terça-feira, 30 de junho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário