quarta-feira, 8 de julho de 2009

Gerdau e governança

Reação rápida
Gerdau mostra que é possível fazer logo as pazes com o mercado após uma falha grave de governança

Disponível em: <http://www.capitalaberto.com.br/ler_artigo.php?pag=3&sec=28&i=2266>. Acesso em: 08 jul. 2009.


Por Marcelo Loureiro, Repórter da Revista Capital Aberto

Corria o ano de 2006. Mais precisamente, o dia 11 de abril. Uma terça-feira que despontava para a calmaria, no meio de uma semana pascal. Foi nesse cenário que a família controladora da siderúrgica Gerdau se reuniu e, sem alarde, decidiu mudar a cobrança dos royalties pelo uso da marca sem consultar os demais acionistas da companhia. O valor cobrado, que beirava os R$ 600 mil ao ano, passaria a ser medido em percentagem de um indicador. As empresas operacionais do grupo pagariam algo como 0,6% da receita líquida da companhia. Os recursos iriam para o bolso dos controladores a título de cobrança pelo uso do nome da família. A percentagem diminuta não condiz com o volume potencial que a Grupo Gerdau Empreendimentos, holding formada pela família e detentora da marca, arrecadaria com o pagamento. Em números de 2007, cerca de R$ 190 milhões passariam pela holding e iriam pingar nos cofres dos Gerdau. Certamente, a reunião de abril de 2006 entraria para o rol das mais valiosas da história, não fosse por um detalhe: o mercado repugnou as decisões ali tomadas. “Não foi a primeira vez que a Gerdau pecou em governança corporativa”, lembra Catarina Pedrosa, analista da Banif Investment. Ela conta que outros casos (veja mais no quadro) em que a companhia gaúcha era protagonista causaram mal-estar no mercado, mas que o entrevero dos royalties chamou muita atenção pelo montante envolvido. A base usada pela Gerdau para sugerir a mudança foi um estudo encomendado à consultoria de marcas Interbrand, que avaliou a siderúrgica em US$ 885 milhões à época ao levar em conta análises das finanças, da demanda e da marca. Mesmo assim, investidores chiaram. Alguns de forma efusiva. Foi o caso de Mark Mobius, da Templeton. Em maio daquele ano, quando o assunto veio à tona, ele enviou uma carta à direção da Gerdau para criticar a medida. Segundo o noticiário, Mobius dizia ter-se surpreendido com a decisão, por acreditar que a companhia teria mudado a forma de tratar os minoritários. O investidor não se conformava com a hipótese de pagar pela marca de um produto classificado como commodity. Até a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) questionou. Por meio de um ofício, a autarquia pediu explicações à Gerdau sobre a iniciativa de mudar o cálculo da cobrança sem submetê-la à assembléia. Todas essas pedras foram atiradas em menos de um mês e atingiram em cheio o papel da companhia. Entre os dias 2 e 5 de maio, quando a discussão tornou-se pública, a cotação da ação preferencial recuou de R$ 17 para R$ 15,6. Preocupada, a companhia agiu rápido. No dia 8 de maio, a Gerdau S.A. anunciou ao mercado que não pagaria mais royalties para a família, porque as marcas seriam transferidas para a empresa. “O desenvolvimento da companhia tem no mercado de capitais um de seus principais sustentáculos”, dizia o comunicado. O documento se esforçou em passar a imagem de uma Gerdau preocupada com o que os players pensam sobre ela. O conselho de administração, segundo a companhia, voltou atrás por ter sido “sensível às recomendações do mercado”. Tudo isso em menos de um mês. No feriado de Corpus Christi, comemorado 40 dias após a Páscoa, os royalties eram apenas uma marca do passado.

A resposta vem a cavalo

Numa crise de governança corporativa como a experimentada pela Gerdau, agilidade e sensatez são ingredientes fundamentais para encontrar a saída. Nos poucos dias em que o assunto esteve no noticiário, a siderúrgica chegou a defender a autoridade do conselho de administração para deliberar sobre o assunto sem consultar os acionistas. Mas conseguiu interpretar a cólera do mercado antes que o estrago na imagem da companhia fosse irreversível. Para Catarina Pedrosa, analista do Banif, a reação rápida era essencial. “Até porque os R$ 600 mil que a Gerdau deixou de pagar a título de royalties não fazem muita diferença para a família”, alfineta. A maleabilidade apresentada pela Gerdau pode ser creditada à experiência adquirida pela companhia ao longo de alguns imbróglios com analistas e minoritários. Outro episódio que gerou rusgas foi o do empréstimo que a companhia concedeu ao Haras Joter. Controlado pela família Gerdau, o empreendimento recebeu empréstimo de R$ 45 milhões da companhia nos anos 1990. Em 2002, um analista questionou a siderúrgica pelo dado no balanço patrimonial. A última parcela da operação — feita em bases de mercado, segundo a empresa — havia sido quitada no mesmo ano, mas arranhou a imagem da Gerdau perante o mercado. Nem o fato de o atual comandante André Gerdau Johannpeter ter sido medalhista olímpico por duas oportunidades com o cavalo Calei, do haras, amenizou a reação. “O empréstimo foi feito antes da internacionalização da siderúrgica”, explica Catarina. A entrada da Gerdau em novos mercados ajudou a melhorar a forma como a companhia trata os minoritários, acredita a analista. “O que não impede que, às vezes, os controladores lancem balões de ensaio”, afirma “Mas, se o mercado questionar, ela volta atrás.” E rápido, de preferência.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Stakeholders, custos e investimentos

O CFO e a Saúde: custos na empresa
por Ana Paula Martins (Saúde Business)*
01/07/2009
Ter ações de gestão em saúde tornou-se prática fundamental para garantir a eficiência dos custos com o benefício
Já soa até repetitivo dizer que o benefício saúde é o segundo maior custo dentro das corporações, só perdendo para a folha de pagamento. Isso é um fato estabelecido, mas é inevitável citá-lo quando se quer falar em gestão de saúde dentro das organizações. E quando se envolve custos, uma figura se torna fundamental para o sucesso ou o fracasso das ações de saúde dentro das empresas: o CFO.
No Fórum da Qualicorp de Saúde Corporativa, realizado no mês passado, esse foi a tecla mais apertada pelos especialistas em gestão de saúde dentro das empresas. Uma vez que a missão do diretor financeiro é garantir a gestão eficiente do fluxo financeiro da empresa, e daí leia-se ter lucro e rentabilidade com o menor custo, convencê-lo a investir em projetos de gestão de saúde passa a ser um desafio. “Os projetos de gestão de saúde só funcionam quando o envolvimento do board da companhia. O gestor de RH fala muito em preocupação com os funcionários. Quando a discussão vai para a diretoria, a discussão gira em torno de custo, e daí o trabalho de sensibilizá-los com argumentos que vão além das finanças”, acentua o diretor executivo da Axismed, Fábio Abreu.
Para que o projeto seja aceito, o executivo acredita que o foco dos programas precisa ser o resultado perene e isso depende de uma integração de ações dentro da companhia, que vão desde o mapeamento epidemiológico e monitoração de população de risco, até o maior envolvimento dos funcionários no cuidado com sua saúde e no melhor uso do benefício saúde. “Todas essas ações precisam estar alinhadas com a cultura da empresa e apresentar resultados concretos, só assim o projeto torna-se viável”, assinala.
Na visão do diretor da Athon Group, Fernando Fernandes, convencer os CFOs da importância do investimento em projetos de gestão de saúde acaba sendo o principal desafio para a implementação dessas ações. “Já chegamos a ter mais de dez reuniões com o CFO de uma empresa para mostrar o custo-benefício do projeto. A discussão nesse nível é sempre mais árdua”, aponta.
Dentro da sua experiência no setor, o médico aponta aspectos considerados fundamentais para o sucesso dos programas. A primeira delas é buscar soluções costumizadas no mercado. “Cada empresa tem a sua cultura, a sua identidade. Além disso, trabalhar dentro do orçamento estabelecido e ainda em sinergia com a operadora do plano de saúde acabam se mostrando como estratégias mais bem-sucedidas”, aponta.E para convencer o CFO, o caminho mais viável é sempre mostra o retorno que o programa trará para cada real investido e ainda assumir riscos junto com a empresa contratante. “A expectativa é sempre a de redução de custos e quando a empresa parceira assume o risco junto, fica mais fácil vender o projeto. Não dá para fazer gestão em saúde sem ter o CFO e toda a diretoria como aliados”, conclui.
*Ana Paula Martins é editora da Unidade Setores e Negócios/ Saúde da IT Mídia
MARTINS, Ana Paula, O CFO e a Saúde: custos na empresa. Disponível em: <http://www.financialweb.com.br/noticias/index.asp?cod=58764> Acesso em: 01 jul. 2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

Fraude Societe

25/01/2008 - 18h01
Tamanho da fraude no Société Générale chocou operador que quebrou banco inglês
da BBC Brasil
O ex-operador de mercado inglês Nick Leeson, que em 1995 foi o responsável pela fraude que levou à queda do banco Barings, disse que ficou surpreso com o volume de dinheiro movimentado na fraude que atingiu o banco Société Générale, o segundo maior da França.
Apesar disso, Leeson --cuja história foi contada no filme "A Fraude", de 1999, estrelado por Ewan McGregor-- disse que não se surpreendeu com o fato, em si, da fraude ter ocorrido.
"A primeira coisa que veio à minha mente não foi necessariamente o choque de que isso poderia ocorrer de novo --acho que as operações desonestas são, provavelmente, ocorrências diárias nos mercados financeiros. O que realmente me chocou foi o tamanho (da fraude)", disse Leeson à BBC.
Na quinta-feira, o Société Générale anunciou ter perdido US$ 7 bilhões por causa de fraudes cometidas por um único operador. O banco ainda não divulgou seu nome, mas a imprensa francesa o identificou como Jerome Kerviel, de 31 anos.
Essa é uma das maiores fraudes de todos os tempos já cometidas por um único operador contra um banco. O Société Générale já abriu uma queixa formal contra o operador, que foi suspenso das atividades e estaria desaparecido.
Buracos
Para Leeson, as fraudes ainda são possíveis porque os bancos não taparam os "buracos" nos sistemas de segurança.
"Eles não fecharam as brechas. Acho que quando você olha para o que os bancos estão tentando fazer, [vê que] eles se focam em fazer dinheiro."
Leeson foi gerente de operações de mercados futuros no banco Barings em Cingapura, e em 1995 causou prejuízos de quase US$ 1,4 bilhão com operações nos mercados asiáticos, acabando com as reservas do banco e provocando sua quebra.
"O que eu queria, e tenho certeza de que é o que este rapaz queria também, era o sucesso. Sucesso foi o que o levou a fazer isso", disse Leeson, que cumpriu pena de quatro anos pela fraude em Cingapura.
"O maior medo dele era o de fracasso. (...) Ele sobreviveu um dia, uma semana, um mês. Finalmente, você começa a acreditar que talvez não seja tão ruim assim."
"Há um grau de compulsão também --ele acredita que está certo, e que no final a posição vai se inverter. E infelizmente isso não ocorreu."
Atualmente, Leeson é o presidente de um clube de futebol irlandês.
Nesta sexta-feira, o Société Générale publicou um anúncio de página inteira nos principais jornais franceses, pedindo desculpas aos acionistas.
"Eu entendo sua decepção, sua raiva. A situação é perfeitamente inaceitável", escreveu o presidente do banco, Daniel Bouton.

Societe e fraude

24/01/2008 - 09h13
Banco francês perde mais de US$ 10 bi com fraude e créditos de risco
Publicidade
Dim hasPlayer, playerversion
hasPlayer = false
playerversion = 10
Do While playerversion > 0
On Error Resume Next
hasPlayer = (IsObject(CreateObject("ShockwaveFlash.ShockwaveFlash." & playerversion)))
If hasPlayer = true Then Exit Do
playerversion = playerversion - 1
Loop
DEfVr = playerversion
DEplg = hasPlayer


da Folha Online
O banco francês Société Générale informou nesta quinta-feira que irá registrar uma perda de cerca de US$ 7,16 bilhões devido a um esquema de fraude elaborado por um operador e que irá fazer uma redução de US$ 2,99 bilhões em seus ativos ligados ao mercado de créditos de risco. Com a fraude, o banco espera agora que seu lucro líquido em 2007 fique entre US$ 877 milhões e US$ 1,16 bilhão.
O banco anunciou ter descoberto o caso de fraude em sua divisão de mercados futuros para a França no último fim de semana. O operador envolvido no esquema era responsável por negociar papéis chamados de "plain vanilla" --instrumento financeiro de tipo mais simples, em geral na forma de opções de ações, títulos ou contratos futuros.
Ele assumiu posições fraudulentas no ano passado e neste ano através de um "esquema de transações fictícias", abusando do acesso que tinha a informações sobre os sistemas de segurança do grupo, segundo o banco. O operador (cujo nome não havia ainda sido revelado) assumiu a fraude e o processo de demissão já foi iniciado. Os supervisores imediatos ligados a ele também serão demitidos, segundo comunicado.
A diretoria do Société Générale rejeitou o pedido de renúncia feito pelo executivo-chefe, Daniel Bouton.
As ações do banco tiveram suas negociações suspensas na Bolsa de Paris logo após a abertura, segundo a operadora da Bolsa, a Euronext.
"Hoje é um dia difícil para os acionistas do Société Générale; a sensação é a de um copo meio vazio", informou em uma nota o banco de investimentos J.P. Morgan.
O banco informou ainda que terá de fazer uma captação de US$ 8,02 bilhões em capital novo "nas próximas semanas".
Em 1995, o britânico Barings Bank quebrou com o golpe aplicado por Nick Leeson, que era gerente de negócios com contratos futuros do banco em Cingapura. Na época, Leeson, que acabou preso, perdeu cerca de US$ 1,3 bilhão em negócios não autorizados pelo banco. Outro banco que quebrou com esquemas de fraudes foi o BCCI (Bank of Credit and Commerce International), em 1991, com a perda de mais de US$ 10 bilhões à época.
Ação
Segundo a agência de notícias France Presse, um advogado que representa cem acionistas do Société Générale vai apresentar uma demanda ao procurador de Paris por "fraude, abuso de confiança, falsificação, cumplicidade e ocultação".
O Banco da França (banco central francês, ligado ao Banco Central Europeu) informou que foi imediatamente informado da descoberta desta fraude e de suas conseqüências. "Uma investigação da Comissão Bancária será feita para examinar as condições nas quais aconteceu a fraude", diz o texto.

Wall Street 2 vem ai

Finanças
5/9/2007

O império contra-atacaLondres reage à decadência e disputa com Nova York o título de centro financeiro mundial
STUTTARD, DA CITY, provoca o touro de Wall Street e vem ao Brasil para conquistar clientes: “Se forem lançar ações, venham para Londres”
Londres X Nova York
COMENTE A REPORTAGEM
Com toda a pompa e circunstância, o inglês John Stuttard prepara-se para falar a banqueiros, corretores de valores e investidores num almoço promovido pela BM&F em Campos do Jordão. O calor de agosto esquenta o dia na cidade serrana, mas ele não perde a pose e mantém abotoado o paletó – de risca de giz, of course. No peito, um centenário medalhão de ouro branco, com 250 diamantes e o brasão da City of London. Stuttard é o 679º Lord Mayor da City, como é chamado o prefeito honorário e embaixador global do distrito financeiro londrino. Com o sotaque típico da realeza britânica, faz os cumprimentos de praxe e não perde tempo para soltar a primeira piada. Seu alvo é o verdadeiro prefeito de Londres, um polêmico político do Partido Trabalhista, com quem às vezes costuma ser confundido. “Meu nome não é Ken Livingstone”, diz, arrancando os primeiros sorrisos. “Ele prefere ir para a cama com Hugo Chávez em vez de George Bush, mas eu não dormiria com nenhum deles.” A platéia delira.
Que ninguém se engane. Lord Mayor não está para brincadeiras e declarou guerra a Wall Street. Em sua viagem de três semanas pelo Brasil, encerrada no sábado 1o em São Paulo, ele tentou seduzir empresários, financistas, políticos e até estudantes para fazerem negócios na City londrina. Em todas as ocasiões, bradou as vantagens do distrito financeiro inglês – um quadrado com uma milha (1,6 km) no centro da antiga capital imperial – e lembrou as desvantagens da concorrente americana. “Não quero zombar de Nova York. Nós adoramos Nova York. Mas, se vocês tiverem de lançar ações, venham para Londres”, convidou. Até agora, somente três empresas brasileiras, todas novatas, aventuraram-se a captar recursos na City: Itacaré, Clean Energy Brazil e Infinity Bio Energy. Na Bolsa de Nova York (a NYSE), que atrai as companhias tupiniquins desde os anos 90, esse número é 11 vezes maior. Todas as grandes estrelas da Bovespa são negociadas por lá.
Para reverter a preferência a seu favor, Lord Mayor veio pegar o touro de Wall Street à unha no próprio quintal brasileiro da NYSE. Em São Paulo, além da BM&F, passou na Fiesp e esteve com o prefeito Gilberto Kassab e o ministro Miguel Jorge. No Rio de Janeiro, visitou a Firjan e o governador Sérgio Cabral. E, claro, o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli – a estatal é a empresa estrangeira mais negociada em Nova York. Em Porto Alegre, Stuttard foi à Fiergs e à governadora Yeda Crusius. Em todas as ocasiões, medalhão no peito e discurso no bolso, como fez nas 22 viagens a países estrangeiros desde que assumiu o cargo não-remunerado de Lord Mayor, em novembro passado. O mandato é de um ano. Nesta semana, seu destino é o México. Levou consigo o mesmo cardápio de serviços que ofereceu aos brasileiros: grandes mercados de ações, bônus, moedas, seguros e até consultoria em parcerias público-privadas, as PPPs. “Fizemos mais de 800 PPPs no Reino Unido e podemos ajudar com nosso know-how”, afirmou, em inglês, aos interlocutores em Campos do Jordão. E emendou, num português pouco convincente: “Nosso centro financeiro não é só para inglês ver.”
“NOSSO CENTRO FINANCEIRO NÃO É SÓ PARA INGLÊS VER” JOHN STUTTARD
Não é mesmo. Ao que tudo indica, o contra-ataque do antigo Império está sendo bem-sucedido. Os números de Stuttard, um contador que fez carreira no mercado de capitais, são eloqüentes. A City de Londres movimenta recursos de mais de US$ 7 trilhões, emprega mais de um milhão de pessoas e contribui com 12% do Produto Interno Bruto britânico. Lá, são realizados 32% das operações com moedas e 90% dos contratos de metais negociados no mundo. Mais de 600 empresas estrangeiras são negociadas na Bolsa de Valores de Londres (LSE). Pelo menos nos lançamentos de ações, os IPO’s, a LSE está na frente da NYSE. No ano passado, foram levantados pelas empresas US$ 104 bilhões em Londres e US$ 69 bilhões em Nova York. Este ano, a primeira registrou US$ 26 bilhões até junho e a segunda, US$ 21 bilhões. No mercado de balcão, o inglês Alternative Investment Market (AIM) já rivaliza com a americana Nasdaq na atração de empresas internacionais com desejo de exposição global. “Em um ano, atraímos mais empresas do que Nova York e Hong Kong”, gaba-se Lord Mayor. Até mesmo Hollywood sucumbiu aos encantos da City. Onde será rodada a continuação do famoso filme Wall Street (1987), em que o astro Michael Douglas interpreta o investidor inescrupuloso Gordon Gekko? Em Londres.
Essa virada histórica, depois de décadas de supremacia americana, tem fundamentos opostos dos dois lados do oceano atlântico. Neste século, além de sofrer a perda das Torres Gêmeas em 2001, Wall Street foi abalada pela crise de confiança corporativa com a quebra da Enron. Atolada em fraudes contábeis, a companhia causou prejuízos imensos aos investidores americanos. O Congresso americano reagiu com firmeza e apertou ainda mais as rédeas da legislação que regula a atividade das companhias abertas. A lei Sarbanes-Oxley (SOX), de 2001, é detalhista e responsabiliza o presidente e o diretor financeiro por eventuais problemas contábeis, entre outras medidas. O ambiente de negócios piorou. “A Sarbanes-Oxley está matando Nova York. É o último prego no caixão de Wall Street”, afirmou Stuttard à DINHEIRO.
SINAL DOS TEMPOS: A CONTINUAÇÃO DO FILME WALL STREET SERÁ RODADA EM LONDRES
Em Londres, ocorreu o contrário. Num movimento que ele chama de “Big Bang”, o governo britânico liberalizou o mercado financeiro e permitiu a entrada de empresas e investidores estrangeiros, sem restrições. O foco é maior na governança corporativa das próprias empresas do que na imposição permanente de regras. A supervisão ficou a cargo da Financial Services Authority (FSA), uma agência pró-mercado. O Banco da Inglaterra ganhou independência para tocar a política monetária e deu estabilidade macroeconômica aos investidores. O atual primeiro-ministro Gordon Brown, que durante dez anos ocupou o cargo de Chancellor of the Exchequer – espécie de ministro das Finanças –, coordenou essas mudanças. “Brown orgulha-se de não ter criado regulamentações quando os Estados Unidos criaram a SOX”, diz Lord Mayor. É por isso que empresas chinesas, indianas e russas preferem a City a Wall Street. Falta agora conquistar as brasileiras. O touro que se cuide

Aipiou!

O balanço do IPO da Visanet
Por Cláudio Gradilone 29/06/2009 - 17:19
Abertura de capital mais esperada do ano, o lançamento de ações da Visanet relembrou os velhos e bons tempos de euforia do mercado. No fim do dia, os papéis eram negociados com uma alta de 14,3%, a R$ 17,15. Depois de uma derrapada no início dos negócios, as cotações foram de vento em popa até o final, encerrando perto das máximas do dia.
Isso quer dizer que a má fase do mercado passou, e que de agora em diante os investidores terão só alegrias no mercado? Vamos com calma. As ações da Visanet tiveram um desempenho tão bom muito mais em função dos méritos da própria empresa do que devido às boas condições do mercado.
A Visanet, assim como sua principal concorrente, a Redecard, são empresas que praticamente só têm qualidades. Dominam o mercado com uma fatia de 90%, praticamente um duopólio, que lhes permite impor condições sobre seus principais clientes, que não são os possuidores de cartões, mas os estabelecimentos comerciais. Donos de loja têm de comprar pelo menos dois terminais de operação, um da Visanet e outro da Redecard. É péssimo para quem tem loja, mas é ótimo para quem tem ações da empresa.
Há mais. As duas operam em um setor em franca expansão e que ganha dinheiro com aumento da escala. O uso de pagamentos eletrônicos, como os cartões de débito e de crédito, só vem crescendo e agora começa a ganhar peso até mesmo nas classes C e D.
Há desvantagens, claro: o setor vem sentindo a pressão das autoridades para a ruptura do duopólio, com medidas que podem obrigar as concorrentes a compartilhar suas redes. Se isso ocorrer, os lojistas só precisarão ter um terminal, podendo aceitar cartões das duas bandeiras e pagando apenas uma taxa. Pode ocorrer, dizem os especialistas em cartões, mas é algo pouco provável no curto prazo.
A Visanet vale a pena, por isso suas ações subiram com tanta força, mas isso não quer dizer que o mercado esteja engatando uma trajetória consistente de alta. Ao contrário, após voltar ao patamar de 52 000 pontos, o Índice Bovespa deverá iniciar um movimento sem uma tendência definida.
Há várias razões para isso. Os dois grandes propulsores da valorização das ações no primeiro semestre, que foram a queda dos juros e os pacotes de ajuda governamental no Brasil e no exterior, começam a perder a força.
Os juros podem cair mais um pouco, mas a expectativa firme do mercado é que eles voltem a subir em algum momento em 2010. Pode ser janeiro (para os pessimistas) ou junho (para os otimistas).
Já o efeito dos pacotes de ajuda governamental está chegando ao fim, pois eles já cumpriram seu papel, que era de impedir uma quebra sistêmica dos bancos em todo o mundo. Estatizado, combalido e várias ordens de grandeza menor do que era, o sistema bancário continua e precisa cada vez menos de dinheiro estatal. Ou seja, as injeções de liquidez que irrigaram os mercados no primeiro semestre vão secar definitivamente.
Por tudo isso, o movimento das ações deverá ser errático e sem tendência definida, em um cenário no geral positivo, mas sem fôlego para novas grandes ondas de valorização.

sábado, 20 de junho de 2009

Preço cai

Preço do videogame PS3 deve reduzir 100 dólares

http://games.terra.com.br/interna/0,,OI3835174-EI1702,00-Preco+do+videogame+PS+deve+reduzir+dolares.html

19/06/09

PS3, videogame da Sony, pode ter preço reduzido em 100 dólares, ainda em agosto

Sterne Agee, analista da consultoria Arvind Bhatia, publicou nota afirmando ter "fontes de indústria de jogos" que confirmam a redução de 100 dólares no preço do sistema PS3. O novo preço entraria em vigor em meados de agosto.
Conforme nota do analista, "fontes da indústria indicam que a Sony planeja um corte de 100 dólares no preço do PS3 em meados de agosto, pouco antes do lançamento de Madden NFL 10 (que acontece dia 18 do mês)".
Após a publicação da nota, editores de alguns dos principais sites especializados lembraram que entre 19 e 23 de agosto de 2009 será realizada a feira de jogos Gamescom.
Gamescom 2009
A maior apresentação do jogo será realizada durante a próxima Gamescom, uma das maiores feiras de videogames da Europa. O evento será realizado em Cologne, Alemanha, entre os dias 19 e 23 de agosto de 2009.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Miragem

Esquema da pirâmide: uma bola de neve surgida nos anos 20
15/12/2008 - 12:00 - AFP
O 'esquema da pirâmide' que inspirou o administrador de fundos Bernard Madoff também é conhecido como "esquema Ponzi", em referência ao fraudador Carlo Ponzi e se caracteriza por um efeito de bola de neve.
Em Boston, no início dos anos 20, Carlo Ponzi, um imigrante italiano, se tornou um milionário com menos de 40 anos em apenas seis meses.
Ele elaborou uma estratégia apoiada na mentira e na confiança dos clientes de sua empresa, a Securities Exhange Company. Ele prometia às pessoas rendimentos de até 40% em 90 dias, quando as contas de poupança ordinárias da época não ofereciam mais de 5%.
Estes lucros seriam obtidos, em teoria, com a compra e a revenda de selos postais internacionais.
O negócio oferecido aos clientes por Ponzi era sumamente simples: uma pessoa no exterior enviava uma carta para os Estados Unidos, incluindo um selo postal comprado segundo as tarifas do país de origem.
A promessa gloriosa era baseada no fato de que a diferença entre as cotações do dólar americano e as divisas estrangeiras daria lucros enormes automáticos.
Entusiasmados com esta perspectiva, os pequenos poupadores entregaram seu dinheiro a Ponzi, que, "em três horas, recebeu um milhão de dólares", segundo o site da SEC, autoridade reguladora do mercado americano.
A fraude funcionou enquanto os investidores não decidiram retirar em massa suas economias, posto que a mentira se manteve pagando alguns clientes com o dinheiro que outros haviam injetado, seguindo o popular princípio de "despir um santo para vestir outro".
"Apesar de alguns investidores terem obtido lucros com o esquema de Ponzi, o que legitimou assim sua montagem, uma investigação mostrou que o fraudador só havia investido 30 dólares para comprar selos postais internacionais", explicou a SEC, que 90 anos mais tarde foi acusada de não ter detectado o "esquema Ponzi" a grande escala de Bernard Madoff.
Ponzi foi desmascarado pela revista Barrons, que revelou que o fraudador não investia em sua própria empresa e que precisaria de seis meses mais de selos postais em circulação para cobrir o conjunto de suas operações.
Os poupadores se precipitavam em vão para recuperar suas economias e Ponzi foi condenado a muitos anos de prisão.

De grão em grão ...

EUA: Allen Stanford é preso após denúncia de esquema Ponzi de US$ 8 bilhões
Sex, 19 Jun, 07h35

Disponível em: . Acesso em: 19 jun. 2009.

SÃO PAULO - À luz da fraude de Bernard Madoff, o bilionário texano Allen Stanford, que transformou uma companhia imobiliária pequena em um império bancário global, está sob custódia da Justiça dos EUA, ao ter sido acusado de realizar um esquema Ponzi com volume de US$ 8 bilhões.
Nesse sentido, a prisão preventiva do executivo ocorre aproximadamente quatro meses após a acusação pela SEC (Securities Exchange Commission). Segundo a denúncia, Stanford emitiu bilhões de dólares em certificados de depósitos de seu banco na ilha caribenha Antígua.
Estes certificados de depósitos bancários eram vendidos separadamente e para indivíduos, muitos deles aposentados nos EUA, como alternativa segura de investimentos. Contudo, a instituição reguladora acusa que esses ativos serviam para pagar rendimentos a investidores antigos, completando o esquema Ponzi.
Luxos. Como decorrência de seus ganhos, a vida de Allen Stanford é luxuosa. Ele detém uma frota de jatos particulares e diversos imóveis ao redor do mundo. Além disso, como fã de críquete, organizou um torneio amador do esporte na Antígua, em que o prêmio dado era de US$ 20 milhões - mais do que o dobro pago aos campeões da Copa Libertadores no ano passado.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Risco e grau de investimento

Quarta, 13 de maio de 2009, 9h14

Fonte: Gazeta Mercantil
Economia Nacional
Fitch: crise não abala grau de investimento do Brasil
A recessão global, desencadeada pela menor liquidez nos mercados globais após a crise subprime, afeta de forma desigual os emergentes. Enquanto no México a recessão expõe fragilidades estruturais do país e o fracasso do governo em reduzir a dependência do petróleo, no Brasil a estabilidade macroeconômica, construída nos últimos anos, ganha mais destaque. A nota de crédito do México, em perspectiva negativa, pode ser rebaixada pelas agências de rating este ano. Já o Brasil, que desde 2008 é grau de investimento, teve ontem sua nota reafirmada pela Fitch Ratings.
A agência de classificação de risco Fitch reafirmou a nota de risco de crédito do Brasil em moeda estrangeira em "BBB-", o primeiro nível dos países considerados seguros para o investidor. A perspectiva para o rating brasileiro é estável, não devendo, portanto, sofrer alteração na próxima revisão da nota brasileira a ser feita pela Fitch.
Ao justificar a manutenção do rating brasileiro, em seu relatório, a Fitch lembrou a solidez das contas externas do Brasil, a estabilidade macroeconômica e um "consenso" quanto aos rumos da políticas econômica. A Fitch estima uma contração no PIB brasileiro de 1% este ano, assim como uma maior flexibilidade na política monetária brasileiro. A Selic já está em seu menor valor histórico, a 10,25% ao ano.
"Mesmo com a expectativa de contração no PIB, a maior flexibilização monetária, um sistema financeiro relativamente forte e a força da economia doméstica sugerem que a economia brasileira estará bem posicionada para se recuperar assim que o ambiente para os financiamentos externos melhorar", afirmou Shelly Shetty, diretora sênior de ratings da Fitch.
As ressalvas em relação ao rating brasileiro, feitas pela agência, se referem à falta de reformas e à fraqueza estrutural nas finanças públicas. Segundo a agência, estes fatores "limitam a evolução da nota brasileira". "Um ambiente econômico desafiador exporá a fraqueza estrutural das finanças públicas e testará a credibilidade fiscal do governo que terá de enfrentar um choque nas receitas em 2009", avaliou Shelly.
Para a Fitch, a redução no superávit primário e o aumento das transferências de recursos do governo para o BNDES podem produzir um aumento da dívida geral do governo este ano, acima de 60% do PIB, "significativamente maior do que a média dos outros países classificados com BBB".
México Já a classificação de crédito do México - país também grau de investimento, mas um pouco acima do Brasil na escala das agências - deverá ser reduzida já no terceiro trimestre deste ano. A recessão mundial está expondo o fracasso do governo mexicano em elevar os impostos e atenuar sua dependência em relação à receita do petróleo, segundo o Credit Suisse e o UBS.
"O México está muito acomodado com os sucessos obtidos da última década", disse Alonso Cervera, economista para a América Latina do Credit Suisse, em entrevista concedida a partir de Nova York. O país "não tomou, na verdade, medidas significativas para implementar as reformas de que precisava", disse ele.
A Standard e Poor"s baixou na segunda-feira a perspectiva da classificação de crédito do México de estável para negativa, sinalizando que examina a possibilidade de fazer a primeira redução da nota do país desde a desvalorização do peso, em 1994.
A SeP atribui ao México a classificação BBB+, a segunda mais elevada dentre os principais países latino-americanos, depois apenas do Chile. A Fitch, que também classificou os títulos do governo mexicano com BBB+ pôs o país em perspectiva negativa em novembro.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Morreu?

Aqui jaz o DCF!

Por RICARDO RATNER ROCHMAN em 17/11/08.

"Prezado Leitor, é com imenso pesar que venho a público comunicar o falecimento do Fluxo de Caixa Descontado, também conhecido como Discounted Cash Flow, ou DCF para os íntimos. O óbito ocorreu devido a uma colisão com o mercado, que foi desencadeada pela crise financeira de 2008.

O DCF deixou para trás fãs (também conhecidos como fundamentalistas), filhos, como os modelos de dividendos de Gordon, o baseado no custo de capital (WACC - Weighted Average Cost of Capital), o APV (Adjusted Present Value), e o CCF (Capital Cash Flow), parentes distantes, como a avaliação por múltiplos, e amigos como os analistas de mercado, investidores, empresas que muito o respeitavam e seguiam suas prescrições.

No entanto, o DCF também era imcompreendido por alguns, como os analistas técnicos ou grafistas que se importavam somente com o passado, sem olhar para o futuro. Nascido em 1930, filho do grande economista Irving Fisher, o DCF era um método de avaliação de empresas no qual o analista projetava os fluxos de caixa esperados futuros (o dinheiro que o analista tem expectativa que a empresa vai gerar no futuro), e os traz a valor presente considerando uma taxa de desconto que reflete os riscos da empresa, e o custo de oportunidade do investidor.


A grande popularidade do DCF veio logo após a crise de 1929 porque os investidores perceberam que o lucro líquido (medido contabilmente) não refletia a verdadeira geração de caixa e valor dos negócios. Alguns dos grandes diferenciais do DCF eram a possibilidade de detalhar estratégias de negócios, vantagens competitivas, e riscos da empresa nos seus fluxos de caixa e taxa de desconto, que não eram possíveis em outros métodos de avaliação, e também por ser uma ferramenta muito interessante de gestão de empresas focadas na criação de valor para os acionistas. Aqueles que quiserem visitar o túmulo do DCF devem se dirigir à bolsa de valores de Nova Iorque (NYSE - 11 Wall Street, New York)."

Para a alegria dos fundamentalistas este trecho de obituário não é verdadeiro, mas infelizmente reflete o sentimento que muitos envovidos com o mercado acionário estão vivendo na conjuntura atual. Entretanto, o momento de crise não é para se lamentar, mas sim para revigorar a importância do papel do DCF nas análises de empresas, e como devemos nos atentar aos parâmetros utilizados pelos analistas nos seus relatórios, pois um excesso de pessimismo pode subavaliar demasiadamente boas empresas e ativos. Para exemplificar este efeito, vamos utilizar um modelo bem simples de DCF para avaliar a ação preferencial da Petrobras (PETR4).

O modelo que vamos empregar (expresso na fórmula da Equação 1) é conhecido como perpetuidade, que determina o valor da empresa (V) partindo da suposição que a empresa possui um fluxo de caixa (FC), que por sua vez crescerá todo ano e perpetuamente (até o final dos tempos!!!) a uma dada taxa de crescimento (g) constante, e estes fluxos de caixa serão trazidos a valor presente por uma taxa de custo de capital (k) constante. Este modelo é simples por não considerar variações nas taxas de juros, sazonalidades, taxas diferenciadas de investimentos e crescimento no decorrer dos anos, mas é um modelo que nos permite fazer algumas análises simples e detectar algumas falhas de avaliação de negócios.

Escolhemos a ação PETR4 porque em 11/11/2008 foi divulgado o resultado do terceiro trimestre de 2008 da Petrobras, que foi um recorde, com desempenho 96% superior ao mesmo período de 2007. Para simplificar nossa análise, ao invés de usar o fluxo de caixa da Petrobras de 2008, vamos usar o lucro líquido por ação da empresa (lembre-se que lucro líquido não é igual a fluxo de caixa, e normalmente é uma quantia inferior a este último) que em 2007 que foi R$ 2,45/ação (já ajustado ao número de ações disponíveis atualmente).

Só para demonstrar nosso conservadorismo, vamos recordar que o lucro líquido de 2007 da Petrobras foi 17% inferior ao de 2006, e até o terceiro trimestre de 2008 a empresa já acumulou um lucro líquido de R$ 3,03/ação. Como custo de capital próprio (cost of equity) podemos usar a taxa de 8,91% ao ano do setor petrolífero, que se encontra disponível no site do Prof. Aswath Damodaran (um dos mais renomados do mundo no assunto de avaliação de empresas) - www.damodaran.com.

Para sermos mais conservadores vamos adicionar mais 4,60% ao ano, que correspondem ao risco país medido no dia 14/11/2008. Dessa forma consideraremos um custo do capital próprio (k) igual a 13,51% ao ano. Que tal exagerarmos mais um pouco e considerarmos um custo de capital de 13,75% ao ano (taxa SELIC em novembro de 2008), ao invés de 13,51% ao ano?

Agora faremos uma engenharia reversa para obter a taxa de crescimento implícita no preço da PETR4, colocando no parâmetro V da fórmula da perpetuidade o preço da ação PETR4 em 14/11/2008, que foi de R$ 20,76/ação; no parâmetro k substituiremos a taxa de 13,75% ao ano, e no parâmetro FC colocaremos o lucro líquido de 2007 de R$ 2,45/ação.

Após substituirmos esses valores na fórmula, a engenharia reversa se completa ao calcularmos a taxa de crescimento dos fluxos de caixa que torna o valor V igual a R$ 20,76, que neste caso será igual 1,74% ao ano. Ou seja, quando se negocia a ação PETR4 a R$ 20,76 os investidores concordaram naquele instante que a Petrobras gerará fluxos de caixa, que em 2009 serão 17% inferiores aos de 2006, e que crescerão indefinidamente (perpetuamente) a pequena taxa de 1,74% ao ano.

Se você ainda não se convenceu que a PETR4 está subavaliada, lembramos que o crescimento médio real do PIB brasileiro foi de 3,08% ao ano, no período de 1994 a 2007. Reparaste como mesmo um modelo simples do DCF nos dá mais informações que os múltiplos ou outras técnicas? Além disso, você acredita que a Petrobras crescerá somente 1,74% ao ano, e que a PETR4 vale somente R$ 20,76?

Doutor em Administração de Empresas pela FGV-EAESP, Ricardo Ratner Rochman é consultor e professor de Finanças da FGV-EAESP

terça-feira, 28 de abril de 2009

Mercados gripados

Disponível em: <http://portalexame.abril.com.br/blogs/gradilone/listar1.shtml>.
Acesso em: 28 abr. 2009.

A gripe suína e os mercados 1/2
Por Cláudio Gradilone 27/04/2009 - 14:49
O susto do dia nesta segunda-feira, dia 27 de abril, chama-se gripe suína. Consta que ela já matou 22 pessoas no México, e há rumores não confirmados de vítimas nos Estados Unidos, Canadá e Espanha. Como qualquer susto, a gripe suína leva as pessoas a agir em pânico e a tomar decisões incorretas, o que costuma gerar boas oportunidades de investimento no mercado.
Para entender melhor o que é esse problema, nada como passar a manhã conversando com quem entende do assunto. As conversas renderam o seguinte:
- a gripe suína, como qualquer gripe, é uma doença viral. Ou seja, provocada por um vírus. Isso faz toda a diferença.
- os virus são os microorganismos que mudam mais rapidamente. Enquanto você lê este post, algo que deve levar mais ou menos cinco minutos, já devem ter surgido algumas cepas novas de vírus da gripe. Isso vai continuar enquanto houver vida na Terra.
- por isso os virus são tão difíceis de combater: eles não são muito poderosos, mas são incontáveis. Para ficarmos em uma metáfora militar, pense em um general que pudesse mandar milhões e milhões de soldados para a morte todos os dias, continuamente, sem que o seu estoque de tropas diminuísse. Em algum momento, um desses milhões de soldados encontraria uma brecha nas defesas do corpo e faria um estrago. Por isso pegamos gripe no início do outono, quando a umidade aumenta e as temperaturas baixam. Mais frágeis, nossos organismos exibem mais brechas.
Dito isso, o que a gripe suína tem de novidade? Não muito, infelizmente. Nos últimos cinco anos, duas cepas de gripe, a Sars e a gripe aviária, fizeram estragos na Ásia, e esses estragos se espalharam pelo mundo devido à eficiência das empresas de transporte aéreo (onde não tem Infraero, claro).
Essas doenças surgiram a partir de mutações de virus que atacam galinhas e porcos e que passam a atacar humanos. As irrupções de gripe costumam ocorrer em países pobres e com forte base agrícola, onde animais e pessoas costumam dividir os mesmos ambientes.
Como tudo isso pode afetar os mercados? Por enquanto, a reação dos investidores tem sido exagerada. Em Wall Street, os investidores têm feito o equivalente ao hipocondríaco que lava as mãos continuamente e anda por aí com uma máscara cirúrgica para evitar contágio.
Essa entidade mística chamada mercado, que é a soma de milhões de indivíduos tomando decisões, vendeu ações de empresas que produzem carne suína e de companhias aéreas, e comprou papéis de empresas farmacêuticas.
A venda de ações de empresas aéreas lá fora afetou os papéis das companhias daqui, também. Tam PN está caindo 5,4% e Gol, cujo faturamento depende menos de vôos internacionais, está recuando 1,6%.
As ações de empresas ligadas à produção animal estão indo muito bem, obrigado. Sadia PN sobe 7,1%, Perdigão PN sobe 3,5% e JHS Friboi avança 5,9%, estimuladas pela compreensão do mercado de que a gripe é transmitida pelo ar, não pela ingestão de carne de um porco gripado. Mesmo que a carne atuasse como um agente transmissor, não há virus da gripe que resista a uma hora de forno ou panela, que é o tempo que a carne de porco demora para ficar cozida. Ou seja, depois de oscilarem, as ações das empresas brasileiras produtoras de proteína animal subiram bastante.
Moral da história: pode ser uma boa hora para comprar ações das empresas produtoras de alimentos. O Brasil tem uma fama razoavelmente boa em ser um produtor de comida saudável (de vez em quando uns fazendeiros contrabandeiam uns bois com aftosa do Paraguai e a Vigilância Sanitária não descobre a tempo, mas tudo bem), e essa qualidade é reconhecida pelos investidores internacionais.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Atchim! Subiu e caiu!

Disponível em: <http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200904271613_RTR_1240848792nN27534172&idtel=>.
Acesso em: 27 abr. 2009.

Mercados Financeiros

Bolsas européias sobem; gripe suína impulsiona farmacêuticas

As bolsas de valores da Europa terminaram em alta nesta segunda-feira, em recuperação após terem sido pressionadas em grande parte do dia por temores sobre uma possível pandemia da gripe suína. As companhias farmacêuticas avançaram motivadas por esperanças de aumento da demanda por vacinas e outras drogas para tratamento da doença.
O índice FTSEurofirst 300, referência das principais ações europeias, subiu 0,53%, para 814 pontos, após ter atingido 795 pontos mais cedo. GlaxoSmithKline subiu 5,7%, AstraZeneca avançou 3,7%, Sanofi-Aventis ganhou 2,4% e Roche teve valorização de 3,5%.
"É muito fácil identificar setores específicos que podem ser vulneráveis ao problema, como o setor de viagens, hoteleiro e de transporte aéreo, mas o sentimento geral ainda é razoavelmente positivo após os ganhos que vimos nas últimas semanas", disse Henk Potts, estrategista do Barclays Stockbrokers.
"A leve melhoria que estamos vendo, em termos de dados econômicos junto com uma temporada de resultados mais positiva, está excedendo o risco potencial do agravamento da gripe suína", acrescentou ele.
O comitê emergencial da Organização Mundial de Saúde (OMS) pode elevar o alerta pandêmico para fase 4 ou 5, conforme o surto de gripe suína não mostra sinais de abrandamento, disse um porta-voz da agência. O vírus matou cerca de 100 pessoas no México e se espalhou para a América do Norte e Europa.
Entre as ações dos segmentos de viagens e lazer, a companhia áerea Lufthansa despencou 9,25%, British Airways retrocedeu 7,75%, Air France-KLM caiu 6,56% e Tui Travel recuou 3,3%.
Em Londres, o índice Financial Times fechou em alta de 0,27%, a 4.167 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX ganhou 0,42%, para 4.694 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 recuou 0,01%, para 3.102 pontos.
Em Milão, o índice Mibtel subiu 0,5%, para 14.897 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 registrou declínio de 1,25%, para 8.777 pontos. Em Lisboa, o índice PSI20 perdeu 0,29%, a 6.617 pontos.

domingo, 26 de abril de 2009

A Sustentável Leveza do Ter

Disponível em: .
Acesso em: 25 abr. 2009.


Sustentabilidade aumenta lucros em até 2%
Uma pesquisa divulgada pela consultoria internacional Atos Origin e pela IDC apontou que as companhias que desenvolvem programas de sustentabilidade alcançam maiores margens de lucro. Segundo o estudo, realizado com 165 executivos seniores dos setores de manufatura e varejo na Europa, os ganhos das companhias "verdes" podem superar as demais em até 2%.
Para Thierry Breton, CEO da Atos Origin, as políticas de sustentabilidade podem garantir, além da preservação dos recursos naturais e do meio ambiente, maior resistência das companhias em tempos de crise. "As organizações que inserirem sustentabilidade em suas estratégias e operações terão seu futuro mais garantido em tempos incertos", assegurou.
O levantamento apontou, ainda, que 46% das empresas pesquisadas estão executando ou planejam executar projetos ambientais, que são justificados pela redução de custo. Para os entrevistados, a prática de projetos sustentáveis também garantirá retornos financeiros acima da média, segundo a pesquisa.
Cerca de 25% das companhias declararam ter migrado de abordagens reativas para estratégias proativas com relação à excelência ambiental, ao passo que outros 5% disseram ter equipes multifuncionais, apontando a fragmentação da responsabilidade pelas iniciativas sustentáveis nas empresas.
No Brasil, a sustentabilidade também é uma tendência. De acordo com levantamento da Fundação Getúlio Vargas, a pedido do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), 52% das companhias brasileiras desenvolvem algum tipo de iniciativa voltada para sustentabilidade. O levantamento apontou, ainda, que 62% das companhias se valem de critérios socioambientais para escolher seus fornecedores.

sábado, 25 de abril de 2009

Quem audita o auditor?

Disponível em: .
Acesso em: 23 abr. 2009.


Contador preso por fraude
Contador de Madoff é preso por fraude

Nova York (19 de Março de 2009)
O contador que ofereceu serviços de auditoria à companhia de Bernard L. Madoff por mais de uma década, operando a partir de um minúsculo escritório em Rockland County, foi acusado ontem de fraudes - envolvendo valores mobiliários e consultoria para investimentos - relacionadas ao gigantesco esquema de pirâmide financeira de Madoff.
O contador, David G. Friehling, que tornou-se o principal auditor de Madoff no início da década de 1990, quando seu sogro se aposentou e ele assumiu a empresa Friehling & Horowitz que contava com apenas dois sócios, entregou-se às autoridades federais e à promotoria pública na manhã desta quarta-feira.
Estas foram as primeiras queixas registradas publicamente desde que Madoff, 70, confessou ser culpado das acusações de fraude financeira na última quinta-feira e deverá aguardar em um presídio federal a sua condenação, que poderá ser o equivalente à prisão perpétua. Fontes familiarizadas com o andamento do processo acreditam que outros casos devem vir à tona uma vez que os promotores públicos e agentes de FBI estão investigando membros da família de Madoff e seus funcionários, embora ele tenha afirmado que agiu sozinho na fraude de pirâmide financeira.
A prisão de Friehling aconteceu alguns dias após a morte de seu sogro e ex-sócio, Jeremy Horowitz, que tinha 80 anos de idade e sofria de câncer. A morte de Horowitz aconteceu no estado da Flórida na mesma manhã em que Madoff admitiu sua culpa na corte distrital de Lower Manhattan, mesmo tribunal onde, ontem, Friehling foi levado à juízo. Horowitz havia sido interrogado recentemente por investigadores federais que buscavam juntar informações acerca do esquema fraudulento de Madoff, informou uma fonte. Se Friehling for considerado culpado, ele poderá ser condenado a até 105 anos de detenção. O advogado de Friehling, Andrew M. Lankler, recusou-se a comentar o assunto. O pequeno escritório de Friehling agora está fechado e há uma placa de "aluga-se" na janela.

Fonte: Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados (The New York Times)

Educação: um mercado bilionário

Disponível em: .
Acesso em: 25 abr. 2009.

Nós nunca estudamos tanto!
O ingresso de uma nova geração de consumidores quintuplicou o bilionário mercado brasileiro de ensino superior - que hoje movimenta 25 bilhões de reais por ano - e está mudando o perfil das instituições do país

No dia 9 de março, os executivos do grupo americano de ensino DeVry, com sede em Chicago e faturamento de 1 bilhão de dólares em 2008, encerraram uma busca que levou dois anos. Após pesquisar uma centena de países, eles encontraram no Nordeste brasileiro o destino para dar seu primeiro passo fora da América do Norte. Com investimento de 55 milhões de reais, o grupo arrematou 70% da Faculdades Nordeste (Fanor), com 10 000 alunos em cinco campi, no Ceará e na Bahia. O movimento do DeVry é a mais recente demonstração do interesse de investidores estrangeiros pelo mercado brasileiro de educação. O pioneiro foi o também americano Laureate, em 2005, com a compra do controle da rede de faculdades Anhembi Morumbi, de São Paulo. Um ano mais tarde, a americana Whitney International University adquiriu participação majoritária na Faculdades Jorge Amado, de Salvador. Representantes do Apollo, o maior grupo de educação do mundo, com receita de 3 bilhões de dólares em 2008, também vêm visitando o país em busca de oportunidades. "O mercado brasileiro ainda possui um grande número de estudantes potenciais para graduação, e a consolidação deverá continuar mesmo em meio à crise", diz Carlos Alberto Guerra Filgueiras, atual presidente e um dos fundadores da Fanor, criada em 2001 por um grupo de investidores interessados nas altas taxas de crescimento do setor.

Assim como Filgueiras, os estrangeiros foram atraídos por uma massa crescente de novos consumidores de educação no Brasil. Na última década, o número de alunos de graduação em escolas privadas no país passou de 1 milhão para cerca de 4 milhões (veja quadro na pág. 45). Na última década, o mercado quintuplicou seu valor e deverá movimentar neste ano 24 bilhões de reais. Boa parte desse crescimento pode ser creditada à ascensão da classe C - parcela da população com renda familiar mensal entre 1 000 e 4 600 reais, segundo o Ipea, e que até pouco tempo atrás era praticamente excluída do ensino superior. "Hoje os alunos da classe C representam a maior parte dos novos estudantes dos cursos de ensino superior no país", afirma Renato Souza Neto, diretor da PRS, empresa de consultoria educacional que mantém com o pai, o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. O ingresso desses consumidores não apenas possibilitou a criação de grandes grupos de educação no país como também tem exigido uma transformação do modelo de negócios das universidades. "Até pouco tempo atrás, esses grupos ofereciam apenas cursos de graduação tradicionais", diz Ryon Braga, diretor da consultoria especializada em educação Hoper. "Agora, eles estão criando modelos de negócios para atender às demandas dos novos alunos." Na prática, isso significa que as instituições precisam sanar três necessidades básicas ao oferecer um curso: que ele ajude o aluno a progredir na carreira, que seja próximo de casa ou do trabalho e que caiba em seu bolso.

Uma das tendências que despontam nesse contexto é a expansão dos cursos tecnológicos, com nível de graduação e duração de dois a três anos. Hoje existem cerca de 400 000 alunos desses cursos no país - menos de 10% do total de graduandos. Ainda se trata de uma participação pequena, sobretudo se comparada à média americana, em que 56% dos alunos de graduação frequentam cursos de curta duração. Mas o percentual brasileiro vem progredindo num ritmo acelerado. A consultoria Hoper projeta que o número total de alunos chegue a 490 000 até o final deste ano. Uma das instituições que investem nesse mercado é a Fanor, que desde 2008 oferece cinco cursos tecnológicos, como construção de edifícios e produção de eventos. "Devemos investir cada vez mais na expansão desse modelo", diz Filgueiras, que já programou a abertura de 30 novos cursos desse tipo nos próximos dois anos.

Alguns grupos fizeram um movimento de adaptação à nova demanda de forma ainda mais radical, como o Anhanguera, um dos maiores do país, com receita de 630 milhões de reais entre janeiro e setembro de 2008. Fundado em 1994, o grupo seguiu até recentemente apenas com cursos de graduação. O movimento mais relevante para mudar seu perfil ocorreu em julho, com a aquisição de 30% da rede de ensino profissionalizante Microlins, com sede em Valinhos, no interior de São Paulo, por 25 milhões de reais. Hoje o grupo possui 220 000 alunos na graduação e mais de 500 000 matriculados na Microlins, que oferece cursos técnicos específicos, como formação para garçons e operadores de telemarketing, com mensalidades de 75 a 120 reais. "Ter clareza sobre o perfil de nosso consumidor ajudou a direcionar a estratégia de investimentos", diz Antonio Carbonari Netto, presidente da Anhanguera, que investiu 300 milhões de reais em aquisições só em 2008.

Para atender aos quesitos de conveniência e preço exigidos pelos novos consumidores, boa parte dos grupos brasileiros planeja sustentar sua expansão por meio da educação a distância. De acordo com projeções da consultoria Hoper, trata-se de um modelo com potencial de crescimento de 230% nos próximos três anos, quando deverá atingir
2 milhões de alunos no Brasil. Além de permitir a expansão rápida para o interior, a educação a distância torna o ensino mais acessível à população de baixa renda. Um curso de graduação a distância custa em média 168 reais por mês, ante 457 reais de um tradicional. A expansão da educação a distância também deve ajudar no crescimento dos cursos de pós-graduação no país. Essa é a aposta, por exemplo, da Anhanguera, que comprou a paulista LFG no ano passado. A escola oferece cursos a distância que vão da preparação para exames da OAB a MBAs.

Segundo especialistas, a expansão da pós-graduação é também uma consequência natural do crescimento do número de formandos. Em alguns grupos, o aumento de matrículas já é maior no caso dos cursos de pós-graduação do que na graduação. É o caso do paranaense Positivo, que faturou cerca de 1,3 bilhão de reais em 2008. Neste ano, o Positivo abriu 36 novos cursos de pós-graduação, dobrando a oferta. "Muitos deles são voltados para mercados que se expandiram recentemente, como no caso da pós-graduação voltada para o mercado de etanol", afirma Oriovisto Guimarães, fundador e presidente do conselho de administração do grupo. Estimativas indicam que o número de alunos de cursos de pós-graduação passe dos atuais 600 000 para 2 milhões em três anos.

Para que boa parte dessas projeções de crescimento se concretize, será fundamental que o crédito educacional decole no país. Por enquanto, apenas 3,7% dos alunos matriculados usam esse sistema para financiar seus estudos, mas especialistas estimam que esse índice pode chegar a 30% até 2012 - nos Estados Unidos, mais de 70% dos graduandos financiam seus cursos. Recentemente, a Ideal Invest, primeira empresa criada no mercado brasileiro para crédito educativo, traçou um perfil dos estudantes que já financiam seus estudos. Em geral, eles ganham menos de dois salários mínimos por mês, a maioria - 63% - trabalha e 78% compõem a primeira geração de sua família num curso de graduação. Diante dos números do mercado potencial, aos poucos as próprias universidades começam a facilitar o crédito. Um exemplo é o grupo Kroton, que tem entre os fundadores o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. O Kroton já oferece hoje o Pravaler, da Ideal Invest, e está elaborando outro produto com o Unibanco. Atualmente, apenas 15% dos alunos do Kroton possuem financiamento. "Numa de nossas unidades, 65% dos alunos que ingressam nos cursos indicam que querem financiamento estudantil. Fizemos uma análise com uma instituição financeira e quase 70% desses alunos interessados já têm o crédito pré-aprovado", diz Walter Luiz Diniz Braga, presidente do grupo Kroton.

A consolidação do setor, tanto com a chegada de grupos estrangeiros como com o avanço dos grupos nacionais, deverá continuar aquecida neste ano. As possibilidades para fusões e aquisições são enormes - hoje, cerca de 70% do mercado de graduação está nas mãos de pequenas instituições de ensino. Segundo Luciano Campos, analista da Itaú Corretora especializado em educação, muitas escolas que abriram as portas na onda da expansão do setor - mais de 1 300 novas instituições surgiram entre 1997 e 2007, numa média de duas escolas por semana - deverão ser engolidas por outras mais fortes. A expectativa é que essa expansão melhore a posição do Brasil no ranking mundial de presença do ensino superior, elaborado pela Unesco. Hoje o percentual de brasileiros em cursos de graduação é um dos menores do mundo - apenas 20% da população que poderia estar na universidade de fato frequenta os bancos escolares. Países vizinhos, como Argentina e Chile, estão muito à frente, com 61% e 43%, respectivamente. "Temos um longo caminho a percorrer, mas estamos na direção certa", diz Braga, da consultoria Hoper.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Tudo o que sobe cai?

Risco e oportunidades na bolsa
Tatiana Bautzer e Angelo Pavini, de São Paulo
05/08/2008

Com a queda de 13% na bolsa desde janeiro - só ontem o índice Bovespa caiu 3,5% - muitos investidores podem entrar em pânico e vender tudo. Mas, para os que têm sangue-frio, essa é a hora de escolher pechinchas do mercado, mostra a revista "ValorInveste", que circula hoje.
§O investidor Manuel Moreira Giesteira, que após a eleição de Lula comprou Itaúsa a R$ 1,60 (R$ 9,94 ontem), está adquirindo papéis de energia elétrica, pelos dividendos e alternativas de lucro. Pedro Bastos, do HSBC, sugere a venda de companhias realmente afetadas pela crise, mesmo com realização de prejuízos. Luiz Galvão, da Corretora Bradesco, propõe aos defensivos a compra de blue chips. Para os ousados, a opção são papéis de segunda linha "em liquidação" nos setores de varejo, construção, consumo e logística. André Lion, da BRZ, lembra uma máxima: comprar sempre "ao som de canhões" e vender "ao som de violinos".

A tragédia de uma decisão

Em 3 de Julho de 1988, o estreito de Ormuz foi palco de uma das mais controversas tragédias da aviação da História, quando o vôo 655 da companhia iraniana Iran Air, um Airbus A300, foi abatido pelo navio de guerra da United States Navy USS Vincennes (CG-49). Todas as pessoas a bordo morreram (na maioria mulheres e crianças), e uma situação de crise internacional foi dificilmente evitada quando o presidente dos Estados Unidos George H. W. Bush disse "I will never apologise for what Americans do" (Nunca pedirei desculpas pelo que os Americanos fazem) e o presidente iraniano jurou vingança sobre os americanos. As circunstâncias dessa tragédia ainda não foram, e talvez nunca serão, totalmente esclarecidas.

Na mesma reportagem, o Washington Post lembra que, em 1988, o cruzador americano USS Vincennes derrubou um avião civil do Irã que levava 290 passageiros a bordo. Todos morreram. "Os Estados Unidos inicialmente afirmaram que era um avião militar, que estava fora do corredor da aviação civil e que não respondeu aos chamados por rádio. As duas afirmações iniciais eram falsas e as chamadas de rádio foram feitas na frequência militar às quais o avião civil não tinha acesso. Uma investigação subsequente mostrou que o navio americano estava fora de rota.“

É indispensável para se evitar erros trágicos como os que ocorreram nos USS Snark e no USS Vincennes. No primeiro caso o oficial não conseguiu compreender corretamente o lançamento de dois Exocet por dois Mirage F-1 iraquianos, causando a morte de 37 tripulantes no navio. Pouco mais de um ano depois, assustado com o caso anterior o comandante disparou mísseis SAM contra um Airbus da IranAir causando a morte de mais de 290 passageiros civis.

O que quebrou os hedge funds?

GLOBO Panorama Econômico 18/09/2003

Não é a natureza especulativa dos investimentos a principal causa de falência de hedge funds nos EUA. Estudo da Capco com 100 desses fundos que quebraram desde 2000 mostra que metade quebrou pelos riscos operacionais e 38% pelos riscos dos investimentos propriamente ditos.

Entre os problemas operacionais, destacam-se as fraudes e outras irregularidades. O despreparo dos recursos humanos respondeu por apenas 9% da quebradeira causada por riscos operacionais; informação fraudulenta sobre os investimentos foi determinante do fracasso de 41% dos fundos; e o desvio de fundos por gestores foi responsável por 30% das quebras.

A ocorrência simultânea desses dois fatores explica a grande maioria das quebras por risco operacional.

Resumindo: o problema é de governança corporativa e regulação deficiente.

Salários baixos, prêmios nem tanto

Disponível em:
Acesso em: 05 jul. 2007.

Salário de US$1


Empresas
EUA: executivo mais bem pago tem salário de US$ 1

Steve Jobs, executivo do grupo informático Apple, que oficialmente recebe apenas US$ 1 de salário por ano, foi em 2006 o patrão mais bem remunerado dos Estados Unidos, com US$ 646 milhões sob a forma de ações ou bônus, segundo a classificação da revista Forbes. Ele ganhou duas vezes mais do que o segundo colocado, Ray Irani, executivo do grupo petrolífero Occidental Petroleum (US$ 321 milhões), e do que o número 3, Barry Diller, diretor do grupo de mídia InterActive Corp (US$ 295 milhões), segundo a lista publicada na noite de quinta-feira.

O patrão da seguradora Fidelity National, William Foley, ficou em 4º, com US$ 179 milhões, seguido pelos dirigentes de dois grupos high tech: Terry Semel (Yahoo!), com US$ 174 milhões, e Michael Dell (Dell), com US$ 153 milhões. Jobs, no entanto, ficou em 36º lugar na classificação das performances de executivos, segundo a Forbes.

A Apple, cujos dois pilares, o iPod e os computadores Mac, são um sucesso constante, teve excelentes resultados financeiros nos últimos meses.

Para o trimestre que termina em março, o grupo conseguiu vender mais de 10 milhões de iPods e quase dobrou seu lucro líquido, enquanto que suas vendas cresceran em 20%. O grupo vendeu exatamente 10,549 milhões de iPods, ou seja, 24% a mais em um ano, e 1,517 milhão de computadores Macintosh (36% a mais em um ano).

Seu lucro atingiu US$ 770 milhões e suas vendas ficaram em US$ 5,26 bilhões.

Recentemente, Jobs foi acusado por seu ex-diretor financeiro, Fred Anderson, de ter ordenado o acobertamento de um plano de venda de ações com data retroativa em 2001, o que aumentou o valor das ações de Jobs.

Mas uma pesquisa da SEC, agência de regulação da bolsa americana, considerou Anderson culpado, além da ex-diretora jurídica, Nancy Heinen. Ela, no entanto, não apresentou nenhuma acusação contra Jobs, que recebeu o apoio oficial de seu conselho de administração.

Os 500 dirigentes classificados pela Forbes viram sua remuneração crescer em 38% em 2006, ou seja, em US$ 7,5 bilhões.
BrT admite que "longo litígio" entre acionistas cria incertezas


Convergência Digital :: 12/03/2008

Ao divulgar às Bolsas de valores Estrangeiras, o plano de ação para 2008 e os números de 2007, a Brasil Telecom destacou a briga de acionistas como um dos pontos a criar incertezas com relação ao futuro da concessionária. O documento, que também está disponível na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), é assinado pelo Diretor de Relações com Investidores, Paulo Nardélio do Amaral.

No informe, a concessionária admite que "disputas entre nossos acionistas controladores e as entidades que administram esses acionistas já exerceram e podem voltar a exercer no futuro um efeito negativo sobre nossa administração e nossas operações".

Para não jogar a bola fora

Disponível em: .
Acesso em: 24 jul. 2007.

Cuidado com oferta de investimento em jogador de futebol

Após problemas e prejuízos em aplicações em bois e avestruzes, CVM alerta investidores para oferta de aplicações em "direitos federativos" de jogadores de futebolApós os problemas gerados por aplicações na criação de bois e de avestruzes, que trouxeram fortes perdas aos investidores, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) volta a alertar para o risco de captação irregular de poupança popular.A CVM verificou a oferta ao público de investimento em "direitos federativos" de atletas profissionais da Sociedade Esportiva Palmeiras e do Guarani Futebol Clube. Nessas situações, o dinheiro entregue pelos investidores seria usado em benefício dos clubes de futebol detentores dos "direitos federativos" dos atletas. Os investidores teriam o direito de participar dos ...

O barato pode sair muito caro

Disponível em: <www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/520/artigo60819-1.htm>.
Acesso em 17 out. 2007.

DELOITTE CONTRA A PAREDE

Consultoria sofre processos judiciais após auditar documentos e registros contábeis de exportações fraudulentas de soja. E defende-se acusando outra empresa, a Globalbank, de coordenar as operacões. Istoé Dinheiro. 12/09/2007. Por Milton Gamez
A cobrança excessiva e complexa de impostos faz do Brasil um paraíso para as empresas que oferecem serviços de planejamento tributário. Grandes firmas internacionais disputam com as locais o rentável mercado de soluções para reduzir a mordida do governo, que passa de R$ 800 bilhões por ano. Todas dizem que operam dentro da lei e usam as brechas da legislação para favorecer os clientes. O problema é que nem sempre o planejamento tributário termina bem para as partes envolvidas. Uma ferrenha briga judicial, exposta ao público na semana passada, mostra que os riscos nem sempre compensam os ganhos com a economia de impostos de maneira, digamos, “criativa”. Duas consultorias, a Deloitte e a Globalbank Consulting, tiveram a imagem chamuscada depois de sofrerem processos milionários de empresas que contrataram seus serviços e acabaram multadas pela Fazenda paulista. Acionadas judicialmente por grandes companhias – como Casas Pernambucanas, Tubos e Cone xões Tigre e Ficap –, a Deloitte e a Globalbank passaram a acusar-se mutuamente pela responsabilidade das operações irregulares de suas clientes. A briga é desproporcional: a Deloitte, uma das maiores consultorias do mundo, tem muito mais a perder com os danos à sua imagem do que a Globalbank, empresa de Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-secretário de Assuntos Estratégicos do governo Collor.
Tudo começou a partir de 2002, quando as empresas foram procuradas por consultores com uma proposta de planejamento tributário, no mínimo, ousada. O plano era o seguinte: as empresas passariam a comprar óleo e farelo de soja para exportação. Ao comprarem soja de outro Estado (Mato Grosso) para exportar, elas seriam beneficiadas com créditos fiscais e teriam descontos nos pagamentos dos impostos devidos. Teriam créditos de ICMS (alíquota de 12%), de Cofins (7,6%) e de PIS (1,65%). Dito e feito. Embora não tivessem tradição nenhuma no setor agrícola, a Casas Pernambucanas, a Tigre, a Ficap e a Adria aceitaram a sugestão dos consultores e passaram a acumular créditos fiscais com a compra e venda de soja. O problema é que essas operações eram fictícias, ou seja, existiam apenas no papel. Empresas de fachada eram abertas e fechadas conforme a conveniência do esquema.
A maracutaia tributária, apelidada de soja-papel, foi descoberta pela Receita Federal e pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo em 2005, segundo reportagem publicada na época pelo jornal Folha de S. Paulo. Mais de R$ 1,5 bilhão em notas frias foram utilizadas. Somente a Casas Pernambucanas e a Tigre “exportaram” R$ 550 milhões. A rede varejista fechou pelo menos 12 operações entre dezembro de 2002 e agosto de 2004, pelas quais foi multada em R$ 340,5 milhões. A Tigre fez 13 operações e “exportou” 255 mil toneladas de soja. Levou multas de R$ 46,1 milhões. Ambas aderiram a um programa do governo paulista para reduzir os juros e multas nas dívidas de ICMS e acertaram as contas com a Fazenda estadual. Depois, as empresas voltaram-se contra as consultorias Deloitte e Globalbank, que seriam responsáveis pelo planejamento tributário fracassado.
A Casas Pernambucanas quer receber indenização de R$ 92 milhões da Deloitte. A Tigre, R$ 38,6 milhões. E a Ficap, R$ 5,1 milhões. Todas afirmam que aceitaram a solução tributária por causa da credibilidade que a Deloitte conferiu às operações. A Casas Pernambucanas e a Ficap também processam a Globalbank. As ações judiciais foram reveladas na sexta-feira 31 de agosto pelo jornal Valor Econômico. Desde então, a briga entre a Deloitte e a Globalbank tornou-se pública. Ambas colocaram anúncios pagos na imprensa na semana passada, defendendose das acusações e culpando- se pelo escândalo da soja-papel.A Deloitte diz que foi contratada pela Globalbank unicamente para revisar os documentos e os registros contábeis. Isso ocorreu, segundo a Deloitte, antes mesmo de a Globalbank ter sido contratada pela Casas Pernambucanas e pela Tigre para fazer o planejamento fiscal. Por esse trabalho, recebeu honorários de R$ 495 mil. A “Globalbank, a empresa que coordenou essas operações, nos contratos assinados com suas clientes, responsabilizou-se pelo acompanhamento logístico e físico da soja relacionado às transações, inclusive pela eventual sustentação jurídica, nos âmbitos administrativo e judicial”, escreveu a Deloitte. A consultoria ainda afirma ter denunciado a operação às autoridades policiais tão logo tomou conhecimento das dúvidas sobre a idoneidade dos dodocumentos revisados. A Globalbank, em resposta, colocou a culpa na Deloitte: “A Deloitte afirmou a excelência da operação e se dispôs a apresentá-la a clientes dela.” E acrescentou: “A Globalbank Consulting, que tinha na Deloitte a garantia de correção e legalidade da operação, sente-se decepcionada com as tentativas desta de fugir a sua responsabilidade.”

Golpe não tão zero quilômetro

Época 28/08/2003 - 17:44 Edição nº 275

Golpe do carro zero volta a atacar consumidores em São Paulo

A volta de um velho golpe prejudica centenas de consumidores em São Paulo. Um anúncio veiculado em jornais oferece carros zero por até R$ 10 mil abaixo do preço de tabela. Mas os veículos e a empresa que faz essa oferta tentadora não existem. Começando pelo anúncio de jornal, tudo é mentira. O preço do carro, muito abaixo do mercado. O orçamento enviado por fax, com logotipo de montadora. A nota fiscal cheia de erros de português como "setessentos" e "massaneta" escritos com dois esses.

Verdadeiro, só o depósito feito pela vítima como sinal, que foi de R$ 3 mil no caso do corretor Francisco D’Paula. Ele chegou a ir até a porta da fábrica em São Bernardo do Campo só para descobrir que tinha sido enganado. “Eu cheguei na portaria 3 e descobri que não existia essa venda de veículo. O guarda falou que era um golpe que outras pessoas já tinham entrado nessa” – contou seu Francisco.

O mais surpreendente é que dez dias depois do golpe os telefones do anúncio continuaram atendendo. Os estelionatários parecem certos da impunidade. Para aumentar a credibilidade de uma operação toda feita por telefone, os golpistas usam linhas fixas que têm o endereço registrado. Mas isso não significa nenhum risco para a operação criminosa. A polícia chegou ao local onde estão instaladas as linhas usadas para enganar o seu Francisco. Não há nenhum telefone no salão vazio.

Um técnico que presta serviços à Telefônica disse que conhece o esquema. O provável destino final das ligações é surpreendente: celas de presídios. “O pessoal liga, mas o telefone vai cair direto na cadeia” – contou.

A Telefônica divulgou uma nota dizendo que está criando um grupo para investigar o uso de telefones no golpe. A Ford do Brasil alertou, mais uma vez, que não vende veículos por telefone. A montadora informou que todos os carros vendidos são entregues aos consumidores, diretamente nas lojas dos distribuidores oficiais.

Finanças divertidas?

Disponível em: <http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200904221102_GZM_78011193&idtel=>.
Acesso em: 22 abril 2009.


Invertia
- Últimas Notícias
now = new Date; t5 = now.getTime();
Quarta, 22 de abril de 2009, 8h02

Fonte: Gazeta Mercantil
Empresas
Parques de diversão viram "mico" entre investidores no Brasil
Maria Luíza Filgueiras
Parques de diversões, tidos como máquinas de fazer dinheiro nos Estados Unidos, transformaram-se num "mico" sem precedentes entre experientes investidores brasileiros. Playcenter, Terra Encantada, Water Park e Hopi Hari são exemplos de empreendimentos que desafiaram a lógica de fundos de private equity e de pensão: o investimento feito não retornou em dobro. Em poucos casos, aliás, retornou em alguma dimensão.
O mais curioso é que investidores e administradores continuam sem saber o que deu errado. Alguns culpam a estratégia de marketing, outros culpam os próprios investidores que não quiseram dar um pouquinho mais para fazer o negócio funcionar. Há quem acuse o brasileiro por suas opções de entretenimento, trocando um dia no parque por um passeio no shopping center ou um dia inteiro na frente da TV.
Independente da causa, muitos desses fundos continuam na composição societária de parques de diversões, seja por falta de comprador ou expectativa de reverter parte do prejuízo. No caso do Wet'n Wild, as duas versões são válidas. A Fundação dos Economiários Federais (Funcef), fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, pode estar perto de receber, pela primeira vez, retorno financeiro de um investimento que fez há quase 13 anos - e só lhe rendeu dor de cabeça.
O fundo entrou como o maior debenturista da sociedade Serra Azul, controladora do parque Wet'n Wild, na cidade paulista de Itupeva, na distribuição feita em 1996. À época, bancos e fundos adquiriram os papéis de dívida perpétua, total de R$ 54 milhões, parte da estrutura de financiamento para construção do complexo de lazer.
O restante foi distribuído entre Unibanco AIG, Fundação Philips de Seguridade Social, Fundação Francisco Bastos Martins (fundo de pensão da Companhia Ipiranga de Petróleo) e a Método Engenharia (construtora e operadora do parque) - composição que pouco tem a ver com a atual.
A proposta da Funcef foi transformar as debêntures em ações e ter de fato a figura de sócios. Na nova composição, os acionistas são a Funcef, a Método e os executivos Alain Baldacci e Fernando Furriela - ambos tinha créditos a receber da Wet''n Wild International, que foram trocados por participação na Serra Azul.
Os antigos contratos de royalties e administração foram rescindidos e as novas cláusulas adaptadas ao interesse do parque - a remuneração de operação será baseada em resultado, e não mais em faturamento, e o contrato de royalty fixo em reais, já que o antigo era variável e em dólar.
Debenturistas, operadora e franqueadora levaram dois anos para chegar num consenso sobre o plano de reestruturação. Em boa medida porque a operadora e a franqueadora não queriam passar de prestadoras de serviço à acionistas de uma empresa quebrada. "Mas se ninguém abrisse mão, chegaríamos à total insustentabilidade do parque, com disputa por ativos restantes, como terreno e equipamentos", explica Carlos Rosa, diretor de participações da Funcef.
A conclusão é que o parque pode iniciar uma nova fase já que, segundo Rosa, tem visitantes e receita suficiente para custeio e sobra de recursos para investimento. Na simulação dos investidores, com o faturamento bruto atual de R$ 18 milhões, o complexo poder gerar R$ 1,2 milhão de Ebitda.
A situação é semelhante à do Hopi Hari, na avaliação de Nelson de Sampaio Bastos, à frente da Íntegra, consultoria especializada em reestruturação de companhias em dificuldade que fez proposta para assumir o parque de diversões. "O Hopi Hari é operacionalmente viável, mas tem o peso da dívida, por isso estamos planejando uma reestruturação financeira em entendimento com o BNDES, que é credor, e os sócios", diz o executivo.
O complexo de lazer, que mantém público anual de 1,5 milhão de pessoas, mantém uma geração de caixa entre 15% e 18% sobre a receita - mas a Íntegra depende de um acordo com o BNDES para deságio da dívida, que torne seu plano de reestruturação viável. A estimativa de Bastos é que o processo leve até 50 dias para ser concluído. O parque também está na carteira da Funcef, além de Previ, Petros e GP Investimentos.
Venda com deságio ou perdão de dívida são as alternativas encontradas pelos investidores para minimizar danos. A Funcef, após provisionar uma perda de R$ 20 milhões em 2003 com o Wet'n Wild, chegou a avaliar a venda de sua participação. "Mas achamos que seria mal negócio, por estar vendendo um crédito, e não a participação de uma empresa, de debêntures cuja remuneração é zero. Não tem mercado secundário para isso", explica Rosa, lembrando que os investidores iniciais saíram do negócio com venda dos papéis entre 3% e 5% do valor de face.
"Preferimos fazer uma nova tentativa e recuperar parte do valor. A idéia da Funcef é vender a totalidade ou parte das ações", afirma. O fundo de pensão precisa enquadrar o investimento à resolução 3.456, que limita participação acionária desses investidores em 20% - com a reestrutu-ração, a Funcef passou a deter 56% das ações.
Em 2008, a dívida do parque rondava R$ 120 milhões, incapaz de fazer pagamento das obrigações iniciais, com patrimônio líquido negativo desde 2003. No caso do Hopi Hari, a dívida é estimada em R$ 500 milhões.
Segundo 'round' A avaliação desses agentes é que o segmento é viável, mas foi iniciado em bases equivocadas. "Vários negócios, como parques de diversão ou transporte ferroviário, exigem investimento significativo, mas o custo de capital torna a viabilidade difícil", avalia Bastos.
"É relativamente usual encontrar situações em que a expectativa de retorno não se preenche porque o custo de capital é maior do que o negócio poderia permitir. A consequência é um ajuste na estrutura para que ela seja adequada à dívida e à geração de caixa."
O desenho de reestruturação feito pela Íntegra para o Hopi Hari é de médio e longo prazo, para que o fluxo de caixa resulte na otimização operacional do parque e amortize a dívida. "Acredito que teremos um segundo 'round' no segmento, como aconteceu na hotelaria", diz Rosa.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Quanto vale a incerteza?

Disponívem em: .
Acesso em: 16 abr. 2009.



14.4.09
Satyam e Avaliação

A empresa Tech Mahindra venceu o leilão para compra das ações da Satyam Computer Services, uma empresa indiana da área de terceirização de serviços. Conforme notícia do jornal Valor Econômico (Controle da Satyam fica com a Tech Mahindra, 14/04/2009) o lance da Tech Mahindra indicaria um valor de 1,1 bilhão pela empresa, representando um ágio de 23% em relação ao último preço de fechamento no mercado. O valor superou a oferta mais próxima, segundo o artigo.

A Satyam ficou conhecida por problemas contábeis, num escândalo parecido com a Enron de anos atrás.

A questão interessante no processo de venda é que os compradores tiveram que fazer suas estimativas com base em informações poucos confiáveis por duas razões. Em primeiro lugar, a contabilidade da empresa não consegue expressar adequadamente a realidade da empresa. Afinal, o escândalo da Satyam foi de fraude contábil. Em segundo lugar, os problemas da empresa geraram uma série de ações judiciais. Em outras palavras, o comprador está também assumindo um passivo que poderá ser substancial ou não, dependendo dos acontecimentos futuros.

Em geral afirmamos que o valor de uma empresa corresponde a fluxo de caixa futuro descontado. Em situações de maior incerteza os analistas têm diversas possibilidades para fazer estes cálculos. Em qualquer um destes casos os riscos são elevados.

Outro aspecto relevante do caso da Satyam é que em leilões é comum a figura da vitória de piro ou maldição do vencedor (winners curse). O fato de o lance vencedor estar muito acima do segundo colocado pode ser um sinal desta situação. Entretanto, como o nível de informação disponível era reduzido, talvez parte do reduzido valor da empresa seja em decorrência do elevado desvio-padrão inerente na estimativa.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Ligadona em Mansur

Disponível em: <http://veja.abril.com.br/100698/p_134.html>.
Acesso em: 08 abr. 2009.

Chama o Mansur
Rejeitado no início, o dono do Mappin eda Mesbla pode ser a única salvaçãopara os credores da Arapuã
David Friedlander e João Sorima Neto

Balcão quebrado
A situação atual da Arapuã é a seguinte:
Deve mais de 800 milhões de reais afornecedores e bancos
Teve um prejuízo de 183 milhõesde reais no ano passado
Faturou 1,6 bilhão de reais em 1997
Presente em 22 Estados, a Arapuã é amaior rede nacional de venda de eletroeletrônicos
Tem 244 lojas
Emprega 4 891 funcionários


A adrenalina do empresário Ricardo Mansur, o caçador de empresas que nos últimos dois anos comprou os magazines Mappin e Mesbla, estava na estratosfera na semana passada. Refugiado em sua casa de Londres, numa vã tentativa de diminuir um pouco a ansiedade, Mansur ligava de hora em hora para São Paulo. Queria notícias sobre aquela que pode ser a jogada mais ousada de sua vida. Ele está oferecendo 600 milhões de reais pela Arapuã, a maior rede de eletrodomésticos do país. A empresa é um gigante moribundo. Deve mais de 800 milhões de reais na praça e foi tomada da família Simeira Jacob pelos principais credores, que são os fabricantes de televisores, geladeiras e fogões. Esses industriais, que até agora torceram o nariz para Mansur, resolveram sentar para conversar na semana passada. Como não apareceu nenhuma outra proposta pela Arapuã, o lance de Mansur pode ser a única chance que eles têm de recuperar ao menos uma parte de seus créditos. Na sexta-feira à noite, os fornecedores aceitaram a proposta de Mansur. Para que o negócio se feche, o empresário ainda precisa convencer um outro grupo de credores, formado basicamente por bancos, que têm quase 200 milhões de reais para receber. "O negócio só sai se essa turma aceitar perder um pouco", diz um dos executivos que conduzem as negociações.
Para Mansur, a compra da Arapuã representa a chance de transformar-se no rei do comércio brasileiro. Essa é a sua segunda investida na Arapuã. No mês passado, quando veio a público que a rede de lojas estava quebrada, o empresário tentou pechinchar. Fiel ao seu estilo de atacar empresas com a corda no pescoço, ele ofereceu cerca de 300 milhões de reais pelo negócio. O bloco de fornecedores da Arapuã, que tem mais de 600 milhões para receber, não quis conversa. Achou a proposta muito ruim e ficou com medo de que, levando a Arapuã, Mansur ficasse poderoso demais na hora de regatear preços. Como o negócio é muito interessante para Mansur, ele topou dobrar a oferta. As negociações começaram na quarta-feira da semana passada na sede do Bradesco, que está fazendo a aproximação entre o empresário e a indústria de eletrodomésticos. Feito o acerto com os principais credores, que são catorze fábricas de produtos eletroeletrônicos, os representantes de Mansur começam a discutir nesta semana com os bancos.

Pérola do setor — A Arapuã era considerada uma pérola do setor de comércio. Suas ações, cotadas em bolsas, eram recomendadas por especialistas como um excelente negócio. Dois anos atrás, foi apontada como uma das empresas mais rentáveis do país. O vigor dessa rede emergente acabou em meio a uma combinação entre calote de clientes e concorrência selvagem de preços. Como acontece com todas as casas que vendem produtos de valor mais alto, como geladeiras e TVs, a maioria dos clientes da Arapuã faz compras a prestação. De 1996 para 1997 o nível de inadimplência dobrou e a caixa da empresa começou a entrar em desequilíbrio. A situação piorou do meio do ano passado para cá.
Primeiro, houve um erro de previsão dos industriais, que fabricaram mais do que as pessoas estavam dispostas a comprar. O comércio também errou, fazendo a mesma aposta. Abarrotou seu estoque financiando-se em bancos e entre as próprias indústrias. Só que os consumidores não apareceram e ficaram ainda mais arredios com a alta dos juros em outubro. Para desovar os estoques, o comércio derrubou os preços em até 30%, mas nem esse truque adiantou. Além disso, as grandes redes de hipermercados atulharam suas prateleiras de eletroeletrônicos com ofertas melhores que as das lojas especializadas, como Casas Bahia, Ponto Frio e Arapuã. Foi o golpe de misericórdia para a Arapuã. E também para outras redes importantes, como a Paraíso, uma das maiores do Nordeste, e as Casa do Rádio, de Belo Horizonte, que entraram em concordata. A indústria calcula em cerca de 1 bilhão de reais a dívida total do comércio com seus fornecedores.
A propostaCasas Bahia e Ponto Frio especularam, mas só o empresário Ricardo Mansur apresentou uma oferta. Ele quer comprar a Arapuã por 600 milhões de reais, pagando em cinco anos.
Saída de emergência — Se o negócio não sair com o dono do Mappin, existe a possibilidade de que os fornecedores se juntem para tomar conta da rede. Seria uma saída de emergência, até que surja uma solução melhor. Os fabricantes estão apavorados com a idéia de que a Arapuã desapareça. Seria um desastre. Os bancos deixariam de financiar as outras lojas, o que poderia provocar uma quebradeira geral. Além disso, o fim da Arapuã aumentaria a concentração no setor. Hoje, apenas cinco redes (incluindo a Arapuã) distribuem 60% de todos os televisores, videocassetes, geladeiras e freezers produzidos no Brasil. A situação é delicada. Na semana passada, a dívida da Arapuã aumentou 22 milhões de dólares, em função de um vencimento de títulos lançados pela empresa no exterior.
Caso Ricardo Mansur leve a Arapuã, ele se tornará dono de um império comercial que emprega mais de 17.000 pessoas e fatura 4,5 bilhões de dólares por ano. É um dos maiores fenômenos do capitalismo recente brasileiro. Mansur começou a vida montando uma papelaria no centro de São Paulo, trouxe a Pizza Hut para o Brasil, foi dono dos laticínios Vigor e Leco (vendidos a seu irmão, Carlos Alberto) e é dono de um banco. Subiu na vida comprando negócios de empresários em dificuldades. É o caso dos Simeira Jacob.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Já era!

Disponível em: <http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200904052145_NYT_77971962>.
Acesso em: 06 abr. 2009.


Negócios
Vendedor de Hummer nos EUA diz que nem dorme à noite
Em 2005, Jim Lynch fez uma grande aposta em um veículo grande. Ele já era um bem-sucedido revendedor da Hummer, mas gastou US$ 7,5 milhões em um showroom de 3.158 m² em um nobre subúrbio de Saint Louis. Ele até transformou 24 hectares de planície aluvial do rio Missouri em uma trilha de chão batido, esperando que as pessoas viessem de longe para testar - e comprar - seus potentes veículos utilitários esportivos.
A General Motors (GM) o animou, dizendo que ele poderia chegar a vender anualmente até 1,3 mil Hummers - cujo preço começa em US$ 30 mil e pode chegar a mais de US$ 100 mil, sem mencionar os milhares de dólares que os usuários gastam em acessórios -, mais do que suficiente para cobrir a hipoteca mensal de US$ 60 mil. Ele vendia 70 Hummers novas por mês quando abriu a loja, mas agora atende apenas um punhado de consumidores a cada mês. "Isso não paga nem os juros sobre meu estoque", disse Lynch. "Agora não durmo à noite pensando no que posso fazer com esse prédio grande e bonito."
As vendas de Hummer ao todo caíram tanto - 51% no ano passado, o pior desempenho do setor - que a General Motors está tentando encontrar um comprador para a marca. Sem um, a companhia pode fechar a Hummer. Um anúncio sobre o destino da Hummer pode ser feito na terça-feira.
"É uma marca que representa muito do que as pessoas não querem", disse Rebecca Lindland, analista da empresa de pesquisa IHS Global Insight.
"Mesmo se o preço do combustível baixar, ela ainda irradia consumo desenfreado", disse Lindland. "De repente, a Hummer foi percebida como tudo que está errado na dependência americana de petróleo estrangeiro."
Nick Richards, porta-voz da Hummer, disse que a GM permanecia "em discussão com várias partes" e não havia determinado o que fazer com a marca, embora a companhia tenha em fevereiro descartado continuar com a Hummer. Se ela for fechada, seria desativada "bem rápido", segundo o presidente da GM, Frederick A. Henderson, no mês passado.
O fim da Hummer seria comemorado por ambientalistas, que criticaram implacavelmente o modelo, que faz, em média, menos de 4,25 km por l. Outras marcas, como a Land Rover, têm desempenho similar, mas a Hummer tornou-se o bebedor de gasolina por excelência. Um site que pede que visitantes enviem fotos de si com uma "saudação" de um dedo à Hummer já publicou cerca de 5 mil delas.
Para Lynch e 379 outras concessionárias da Hummer pelo mundo, porém, seria um fim súbito para uma marca que já pareceu ter sólido futuro.
Entre seus defensores mais leais estava Robert A. Lutz, desenvolvedor-chefe de produtos da GM, que está se aposentando neste ano. Logo depois de se juntar à GM em 2001, Lutz visualizou a Hummer como uma marca global que poderia desafiar a imagem e supremacia off-road dos produtos Jeep da Chrysler.
"Acho que a Hummer tem muito mais potencial do que a GM desconfia", disse Lutz na época. "Ela representa algo, e é isso que as pessoas querem".
Agora a Hummer é o símbolo de uma época em que os veículos utilitários esportivos, os SUVs, dominavam as pistas americanas e injetavam grandes lucros nos cofres da GM e de outras montadoras.
"Existiam muitos motivos para o otimismo com a marca, mas aquele era um mercado muito diferente", disse Lindland. "Tudo mudou muito rápido. Entrou em colapso quase tão rapidamente quanto subiu."
Foi um despertar brutal para Lynch, 46 anos, que começou a vender Hummers há 15 anos, logo após a A.M. General, de Mishawaka, Indiana, iniciar a produção de uma versão civil de seu Humvee, usado por militares.
Lynch comprou um dos gigantes de 2,8 t em 1994, enquanto trabalhava na concessionária da Toyota de seu pai, de onde acabou saindo para se tornar o único revendedor de Hummer do Missouri.
"Pensava que era o único suficientemente pateta para querer uma dessas grandes bestas", disse. "Mas depois percebi que ele era diferente de todos os outros veículos e tinha capacidades que não dá para achar em um carro comum."
Lynch adorou o manejo da Hummer e sua habilidade de dirigir em quase qualquer lugar, e depois percebeu sua durabilidade em dois acidentes. Em cada caso, o veículo que bateu na Hummer teve perda total, mas ele dirigiu para casa sem qualquer evidência visível de uma batida.
Por sete anos consecutivos, Lynch teve a concessionária de maior volume da Hummer, normalmente vendendo mais que o dobro de veículos de seu concorrente mais próximo. Um mural em um trailer customizado, que usava para transportar Hummers a eventos ao redor dos EUA, alardeia ser "a concessionária Hummer número um".
Hoje em dia, ele mantém cerca de 50 Hummers novos em seu estacionamento. Há quatro anos, ele estocava em torno de 300 em qualquer período, chegando a encher uma área adjacente.
Lynch foi o maior vendedor da Hummer original, a H1, antes de sua produção ser interrompida em 2006. Ele tem um negócio próspero de peças e acessórios no qual planeja se concentrar mais, particularmente se a Hummer acabar.
Seu edifício está à venda, mas ele tem esperança de apenas se mudar para um lugar menor, não fechar completamente a concessionária. Isso significaria abandonar a pista onde organizava grandes ralis gratuitos para seus clientes várias vezes no ano.
Ele já vendeu o pequeno trator que usava para a manutenção da pista, finalizada na última hora em 2005 para uma equipe do Travel Channel gravar um segmento sobre ela. "A maior parte dela foi feita por mim e meu gerente de peças, com serras elétricas e Hummers", disse.
A GM contou muito pouco às concessionárias sobre seus planos para a Hummer, mas Lynch tem esperanças de que os executivos encontrem uma forma de salvar a marca que tem sido seu meio de vida por 15 anos.
Ele lembrou da tempestade de neve do inverno passado, quando muitos caminhões de carga estavam atolados na Interestadual 64, próxima à sua loja. Ele puxou dois deles de volta à rodovia e por uma colina gelada prendendo as cabines na Hummer de 1997 que dirige.
"Éramos as únicas coisas se movendo", disse. "Eu lhes disse, 'Na próxima vez que alguém disser que todo mundo deveria dirigir um híbrido, conte a ele sobre isto'."

sábado, 4 de abril de 2009

O bilhete premiado

Disponível em: <http://www.fraudes.org/showpage1.asp?pg=131>.
Acesso em: 04 abr. 2009.


Pequenos Golpes Populares
O bilhete premiado
Alavancas: Ganância, Ignorância Técnica, Irracionalidade, Ingenuidade e Escassa Atenção

Este é sem dúvida um dos golpes mais tradicionais e antigos do Brasil. Segundo algumas fontes os primeiros casos remontam até os anos quarenta.Recebi literalmente dezenas de denúncias de vítimas deste tipo de fraudes. O roteiro clássico é o seguinte:O golpista, com jeito de caipira pouco esperto ou de pessoa humilde, pede informações sobre o endereço de uma agência da Caixa Econômica Federal dizendo que é para receber um prêmio de loteria ou outro sorteio.As vítimas típicas são pessoas idosas, às quais é mostrado o bilhete premiado (forjado ou falso), juntamente com um documento da Caixa Econômica Federal (também falso ou forjado) constando o número do bilhete premiado e o valor do prêmio.Se for concurso tipo "mega sena" será mostrado um comprovante dos números sorteados (verdadeiro ou falso) e um falso bilhete com aposta nos mesmos números.Às vezes eles apresentam um verdadeiro bilhete com aposta nos numeros ganhadores de um concurso anterior (veja exemplo abaixo), e um comprovante dos numeros sorteados naquele concurso, contando com a falta de atenção da vítima quanto ao número do concurso.Em alguns casos o bilhete é forjado com o número de um bilhete que realmente ganhou, assim o documento para comprovar o sorteio não precisa ser falsificado (pode ser um jornal).A caminho da Caixa Econômica, e depois de muita conversa, o golpista propõe à vítima de lhe vender o bilhete premiado por uma fração do seu valor.Em alternativa poderá apresentar a proposta como um pedido de ajuda para resolver problemas. Ajuda na qual a vítima supostamente sairia ganhando.Para justificar a generosa oferta dirá que tem pressa porque o ônibus para sua cidade parte em 15 minutos, que esqueceu ou perdeu os documentos (e não pode retirar o prêmio), que está desorientado com a burocracia ou com a "cidade grande", que é analfabeto, que tem alguém esperando ele, que a mãe dele está no hospital etc...Se a vítima cair nesta conversa sacará o dinheiro da própria conta bancária e o entregará ao golpista em troca de um bilhete que não vale nada. Existem casos onde o golpista, em vez de dinheiro (que pode não estar disponível na conta da vítima), aceita valores como jóias etc...Existem variantes onde, para pressionar ou incentivar a vítima a ir sacar seu dinheiro no banco, no meio da conversa com o golpista que oferece o bilhete, aparece um comparsa se dizendo pronto a comprar o bilhete (aí a vítima pode achar que está perdendo um bom negócio), ou se oferecendo como sócio da vítima na compra do bilhete e mostrando parte do dinheiro necessário, ou ainda, prestativo, ajuda, ligando com o seu celular, a verificar que o bilhete é mesmo "premiado" !! (sic)Existem ainda esquemas via internet e e-mail que desfrutam de princípios parecidos com verdadeiras e supostas loterias internacionais (veja capítulo no site).


Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u118237.shtml>.
Acesso em: 04 abr 2009.

12/02/2006 - 16h09
PF prende quadrilha que aplicava golpe do bilhete premiado
da Folha Online

A Polícia Federal de Montes Claros (MG) e de Rio Claro (interior de São Paulo) prendeu na manhã deste domingo seis pessoas suspeitas de estelionato por aplicar o golpe do bilhete da loteria premiado. Dois homens ainda estão foragidos.De acordo com o delegado federal Rogério Machado, de Montes Claros (417 km a norte de Belo Horizonte), eles abordavam principalmente idosas e viúvas e antes de escolher as vítimas faziam uma investigação prévia para checar se elas tinham uma boa situação financeira.Um dos membros da quadrilha se passava pelo caipira inocente, portador de um bilhete premiado. Enquanto ele abordava a vítima, outro integrante da quadrilha chegava e participava da conversa. O falso empresário, então, dizia que queria ajudar também e fingia ligar para o gerente da Caixa Econômica, seu amigo. A vítima achava que ele não estava sendo honesto e decidia ajudar o mais humilde. Em seguida, eles acertavam uma quantia antes de dividir o prêmio"Na hora da negociação, o bandido que se fazia de rico mostrava uma mala cheia de dinheiro e exigia que a vítima desse um sinal. Após receber o dinheiro, a dupla fugia. Em um dos casos, eles roubaram o carro de um das idosas", diz o delegado.Segundo Machado, pelo menos cinco vítimas já identificaram os acusados. "Esperamos que outras pessoas apareçam, já que eles agiam em Minas, Rio Grande do Sul, Brasília e São Paulo."As vítimas tiveram prejuízo que varia de R$ 60 mil a R$ 200 mil. Além de dinheiro, a quadrilha aceitava jóias em troca. Segundo a Polícia Federal, a quadrilha deveria agir desde 2001, e roubou até agora de suas vítimas mais de R$ 3 milhões. Cerca de 40 policiais participaram da ação. O caso está sendo investigado há seis meses.


Disponível em: <http://www.viaseg.com.br/noticia/6750-fraudes__o_golpe_do_bilhete_premiado_ainda_faz_vitimas.html>.
Acesso em 04 abr. 2009.

Fraudes - O "golpe do bilhete premiado" ainda faz vítimas
22/06/08

Idoso cai em golpe de bilhete premiado em Niterói.

Acusado de estelionato, Nelson Macello de Lima, de 61 anos, foi preso ontem, poucas horas depois de supostamente aplicar mais um golpe do bilhete premiado. A vítima seria um aposentado, de 89 anos, que mora em Icaraí, na Zona Sul de Niterói. Nelson foi surpreendido por policiais do Grupo de Investigação Complementar (GIC) da 77ª DP (Icaraí) quando chegava em casa, no bairro da Taquara, Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. Com ele, segundo os agentes, foram apreendidos U$ 35 mil (cerca de R$ 59,5 mil), possivelmente obtidos com o golpe, três anéis que seriam de brilhantes e dois celulares. O preso, no entanto, teria confessado em depoimento que o crime rendeu U$ 105 mil (cerca de R$ 178,5 mil), divididos em partes iguais com outros dois homens.Na delegacia, a vítima registrou que entregou U$ 28 mil (cerca de R$ 47,6 mil) aos supostos golpistas. De acordo com ela, por volta das 9 horas, Nelson teria contado que vinha de Teresópolis, na Região Serrana, para receber um prêmio da Mega-Sena no valor de R$ 3 milhões, mas não sabia como nem onde pegá-lo.Policiais afirmaram que uma segunda pessoa, também envolvida no crime, teria parado ao lado do idoso para "ajudar" e confirmar que o bilhete estaria realmente premiado. Nelson então teria convencido a vítima a ajudá-lo, garantindo que lhe daria em troca 10% do valor do (falso) prêmio. Mas, para isso, o aposentado deveria dar dinheiro como garantia.Ainda de acordo com o relato da vítima, ele foi até seu apartamento, na Rua Mem de Sá, em Icaraí, pegou os dólares e entrou no carro com os criminosos.Nervosismo - Porém, segundo policiais, o porteiro do prédio estranhou a situação, já que o idoso estaria bastante nervoso, e anotou a placa do veículo, um Ecosport que estava em nome de Nelson.A partir daí, o filho do aposentado entrou em contato com a polícia, alegando suspeita de seqüestro. Através da placa, os policiais teriam chegado até o endereço do acusado. Neste local, de acordo com a polícia, Nelson teria tentado fugir, mas, após perseguição, foi preso com o dinheiro. Ele contou que os outros dois supostos comparsas teriam voltado para Porto Alegre, onde moram, depois do golpe. Ainda não se sabe qual teria sido o envolvimento desta terceira pessoa.Policiais disseram que o aposentado só percebeu que havia caído no golpe depois que foi deixado na Rua João Pessoa, próximo ao Caio Martins. Nelson foi autuado por estelionato e pode pegar de três a quatro anos de prisão.Ironias na delegaciaAos jornalistas presentes e a alguns policiais na 77ª DP, Nelson garantiu que já havia aplicado o golpe do bilhete premiado. Ele revelou que toda a sua renda vem dos golpes que faz há 35 anos. De acordo com a delegada Janaina Peregrino, que confirmou as declarações do suspeito, ele já havia sido preso duas vezes, sendo que, na primeira, ficou três dias na cadeia e, na segunda, duas semanas. Ainda segundo a policial, o criminoso tem sete anotações por estelionato, desde 1976.Ele afirmou que costumava agir em Niterói e até mesmo em outros estados, sempre acompanhado de dois homens. Casado e pai de dois filhos, uma advogada, de 34, e um estudante de Direito, de 19, Nelson é morador do condomínio Pousada do Engenho, onde tem casa própria. Sempre tranqüilo, disse que costuma praticar o golpe toda semana e contabiliza, no mínimo, R$ 5 mil por vítima."Minha arma é a persuasão, a caneta e a ganância do cliente, porque eu não chamo de vítima, e sim de cliente. Se a pessoa não tiver olho grande, não vai cair no golpe", disse.