quarta-feira, 25 de março de 2009

De quem foi a culpa!

Disponível em: <http://arquivoetc.blogspot.com/2009/02/estados-unidos-os-25-culpados-pela.html>.
Acesso em: 25 mar. 2009.


Sábado, Fevereiro 21, 2009

Estados Unidos Os 25 culpados pela crise econômica
OS ROSTOS DA CRISE

A revista americana Time fulaniza a hecatombe financeira,escolhe 25 culpados de carne e osso e submete-os avotação na internet. Cerca de 2,5 milhões de pessoasderam nota de 1 a 10 pela culpabilidade de cada um

VEJA TAMBÉM: Quadro: Os 25 culpados eleitos pela revista Time

Quando a lei e os tribunais se mostram ineficazes ou lentos demais, resta sempre, como única forma de catarse, o exercício da vingança – ainda que on-line. Cinco meses após o colapso do banco de investimentos Lehman Brothers, e o vendaval financeiro dele decorrente, a revista americana Time partiu dessa premissa para eleger, ela mesma, os 25 culpados pela maior crise econômica desde a Grande Depressão, em 1929, submetendo-os a votação na internet. As pessoas puderam votar nos 25 escolhidos, dando uma nota de 1 a 10 pela culpabilidade de cada um. Até a tarde da quinta-feira da semana passada, mais de 2,5 milhões de votos já haviam sido registrados. A ordem da lista que acompanha esta matéria é a mesma publicada originalmente pela revista, antes do início da votação on-line. Em uma combinação entre as notas e o total de votos, a pior colocação era de Phil Gramm, ex-presidente do Comitê de Bancos do Senado americano e autor de projetos que amarraram o poder do governo de fiscalizar Wall Street. Os ex-presidentes George W. Bush (15º colocado) e Bill Clinton (23º) estavam à frente no número de votos, mas não na nota. Bush recebeu 145 mil votos, e a nota 8; Clinton, 138 mil votos, e a nota 7. Ambos foram incluídos pela Time por terem promovido a febre da desregulamentação, contribuindo para que um ambiente financeiro sem-lei fosse criado.
Diz a matéria da Time: "As civilizações modernas dão aos estados o monopólio da punição. Mas, como essa crise revela claramente, estamos em uma nova era. A lei foi incapaz de colocar ordem no terreno perigoso para onde nos conduziram a tecnologia financeira e a globalização, um espaço sem fronteiras e com poucas regras. Até que isso ocorra, sempre nos restará a velha sanção de impor a vergonha aos culpados." A Time procurou apontar nomes não tão conhecidos fora dos Estados Unidos. Como os de Angelo Mozilo (3º colocado), fundador da Countrywide, a companhia de hipotecas que mais emprestou dinheiro a quem não podia pagar. Ou de Ian McCarthy (7º colocado), CEO da Beazer Homes, que desenvolveu uma estratégia infalível para ganhar dinheiro: ele oferecia aos consumidores não só as casas, mas o dinheiro para que pagassem a dívida. Com isso, forjava, em nome deles, históricos de crédito que serviam para alavancar mais financiamentos.
Até o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, foi nomeado como um dos 25 culpados pela Time (ele está na 24ª posição). O motivo? "Se o crédito barato era a cocaína da crise financeira, a China foi um dos principais fornecedores do produto", justificou a revista, lembrando o volume monstruoso das reservas chinesas em títulos do governo americano. Na outra ponta estava o consumidor americano, também apontado pela revista como um dos culpados pela crise: os juros baratos, em parte por causa do financiamento concedido pelos chineses à dívida pública dos EUA, levaram as famílias do país a destruir suas poupanças e se endividar cada vez mais, colaborando decisivamente para o inchaço da bolha. Pela votação, os consumidores receberam o grau 8 de culpa, ficando na 16ª colocação.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Disponível em: <http://www.abril.com.br/noticias/economia/mercado-reduz-previsao-crescimento-pib-0-01-2009-diz-focus-429922.shtml>.
Acesso em: 23 mar. 2009.


Mercado reduz previsão de crescimento do PIB para 0,01% em 2009, diz Focus

Relatório do BC aponta que projeção da Selic caiu de 9,75% para 9,25% e a da inflação, de 4,52% para 4,42% - abaixo da meta do governo


O mercado financeiro brasileiro reduziu fortemente sua estimativa para o crescimento econômico deste ano e cortou também os prognósticos para a taxa de juro Selic e para a inflação, colocando-a abaixo do centro da meta, segundo o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (23).A previsão para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 caiu de 0,59% na semana anterior para 0,01%. O cenário para 2010 permaneceu em 3,5%. O prognóstico para a Selic caiu de 9,75% para 9,25% neste ano e para o próximo permaneceu em 9,75%.O mercado manteve a visão para a Selic na reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom) em 10,25% agora.
A estimativa para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano caiu de 4,52% para 4,42%, enquanto para 2010 ficou estável em 4,5%. O número previsto para este ano está abaixo do centro da meta perseguido pelo governo, que é de 4,5%.

domingo, 22 de março de 2009

Muitas soluções para um mesmo problema

Engenhosidade do aluno superou expectativa do mestre

Texto sem data

Quem lida com sistemas corre o risco de ficar repetindo soluções pré-moldadas, abafando sua criatividade. Não permita que isso aconteça a si, leitora. O texto que lhe apresento em tradução livre foi escrito em 1964 pelo Dr. Alexander Calandra, professor de Física na Washington University em St. Louis:

"Algum tempo atrás, recebi um chamado de um colega que me pediu para arbitrar uma questão referente à avaliação de uma pergunta de prova.
Ao que parecia, ele estava a ponto de dar zero a um aluno numa questão de Física, mas o estudante alegava que merecia nota máxima e que queria ganhar um dez mesmo, mas que não ganharia porque o sistema de ensino era uma armação contra os alunos.

Fui ao escritório desse meu colega e li a questão, que dizia: 'Mostre como é possível determinar a altura de um arranha-céu com a ajuda de um barômetro.' [que, como se sabe, é um instrumento que mede a pressão atmosférica.]

A resposta do aluno: 'Leve o barômetro até o topo do prédio, amarre nele uma longa corda e vá baixando-o até a rua. Depois puxe-o de volta e meça o comprimento da corda, que será igual à altura do edifício.'

Bem, é uma resposta interessante, mas será que o rapaz deveria receber pontos por ela? Argumentei que ele até merecia, já que respondeu à questão completa e corretamente. Por outro lado, se recebesse a nota máxima, isso contribuiria para aumentar seus pontos gerais no curso de Física. Um alto número de pontos certificaria que o estudante é bom em Física, mas a resposta dada pelo aluno não confirma isto. Com estas considerações em mente, sugeri que se desse a ele uma outra chance.
Achei natural que meu colega concordasse, mas me surpreendi quando o aluno topou.

Agindo nos termos do acordo, dei ao estudante seis minutos para responder à questão, com a advertência de que a resposta deveria comprovar algum conhecimento de Física. Ao final de cinco minutos, o sujeito ainda não tinha escrito nada. Perguntei se queria desistir, já que eu tinha uma aula para dar em seguida, mas ele disse que não desistiria. Contou-me que tinha tantas respostas para o problema que estava apenas pensando em qual seria a melhor. Desculpei-me por tê-lo interrompido e pedi que prosseguisse. No minuto seguinte, ele rapidamente escreveu sua resposta: 'Leve o barômetro até o topo do edifício e incline-se no telhado, deixando cair o aparelho até o chão e meça o tempo de queda com um cronômetro. Então, calcule a altura do prédio usando a fórmula S = metade de 'g' [aceleração da gravidade] vezes o tempo ao quadrado.'

S = ½ gt2

Diante disso, perguntei ao meu colega professor se ele se dava por satisfeito. Ele cedeu e dei ao rapaz quase a nota máxima. Porém, ao deixar o escritório, lembrei-me de que ee havia mencionado ter outras respostas para o problema e fui a ele perguntar quais eram. Ele respondeu que há muitas maneiras de determinar a altura dum prédio usando um barômetro. Num dia ensolarado, por exemplo, poder-se-ia medir a altura do barômetro, o comprimento de sua sombra, o comprimento da sombra do prédio e, usando uma simples regra de três, calcular a altura da construção.

Pedi mais outra solução e ele veio com um método bem básico mas funcional. Pegaria o barômetro e subiria as escadas do prédio, marcando verticalmente na parede a altura do instrumento, subindo a cada marca. Quando chegasse ao telhado do edifício, bastaria contar as marcas e multiplicar pela altura do barômetro. Um método bem direto.

Depois disso, ele apresentou uma solução mais sofisticada, em que penduraria o barômetro num fio e o faria oscilar como um pêndulo. Com isso, determinaria o valor de 'g' no térreo e depois em cima do prédio. Pela diferença entre os dois valores de 'g', a altura do arranha-céu poderia, a princípio, ser calculada. O estudante concluiu, sempre brilhante, que se não estivesse limitado a soluções para o problema que usassem conhecimentos de Física, poderia levar o barômetro até o escritório do zelador do prédio e dizer para ele: 'Sr. Zelador, tenho aqui um lindo barômetro de alta qualidade. Se o senhor me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.'

Neste ponto não agüentei e perguntei ao estudante se ele realmente não sabia a resposta correta do problema. Ele admitiu que sim, mas que já estava de saco cheio com os professores tentando ensiná-lo como deveria raciocinar e usar seu pensamento crítico, em vez de lhe mostrarem a estrutura fundamental do tema e deixá-lo livre para encontrar soluções originais e criativas. Assim, ele decidiu dar esta sacaneada no mestre."

quinta-feira, 19 de março de 2009

Um segurinho pequenininho

Diponível em: <http://claudiacruzba.blogspot.com/2009/03/o-seguro-do-patrimonio-da-petrobras.html>.
Acesso em: 19 mar. 2009.



06/03/2009

O seguro do patrimônio da Petrobras
Seguradoras disputam apólice de US$ 50 bilhões da Petrobras
Por Luciano Máximo
Rio de Janeiro, 6 de Março de 2009
Nas próximas semanas, a Petrobras divulgará detalhes da concorrência para a renovação de sua apólice patrimonial, que prevê a cobertura dos riscos operacionais de refinarias, plataformas, movimentação de cargas e outras unidades da petrolífera. O risco total dos ativos a serem segurados fica perto de US$ 50 bilhões, acima dos US$ 47,7 bilhões protegidos em 2007.Será a primeira vez que a estatal conduzirá o negócio com o mercado aberto de resseguros em pleno funcionamento desde abril do ano passado. A restrição em operar com os atuais 57 resseguradores cadastrados no País e as perdas financeiras sofridas pelos principais competidores do mercado internacional preocupam o gerente de seguros da Petrobras, Luiz Octavio Parente de Mello. Ele acredita que o desenho atual do mercado pode não oferecer capacidade financeira suficiente para cobrir o risco total da companhia.O executivo disse que a Petrobras mapeia resseguradores no mercado internacional para se antecipar a esses problemas. Os prêmios de seguros podem ultrapassar a casa dos US$ 40 milhões - em 2007, a operação somou US$ 26,2 milhões. O valor promete esquentar a competição entre as grandes seguradoras brasileiras.Angelo Colombo, diretor de grandes riscos da Allianz, prevê que o fechamento de uma apólice desse porte pode envolver a participação de mais de 50 resseguradores. "Fatalmente vai faltar capacidade para garantir os riscos somando todos os resseguradores do mercado brasileiro. A Petrobras vai fazer uma tentativa e, se o mercado nacional não conseguir, fica facultada, pela legislação, a colocação no exterior com mais resseguradores, num processo que se tornará muito moroso", diz o executivo.
Fonte: Gazeta Mercantil e Aqui

Prevendo com a multidão

Disponíel em: <http://www.contabilidadefinanceira.blogspot.com/>.
Acesso em: 19 mar. 2009.


Previsão pela multidão
Sobre o uso do mercado para o processo de previsão, a revista The Economist, em An uncertain future (28/2/2009) discute alguns dos problemas de sua utilização. No livro O Poder das Multidões, Howe faz uma defesa deste uso. O mesmo ocorre na obra Sabedoria das Multidões, de Surowiecki). A constatação da revista é que o método não é mainstream dentro das ferramentas gerenciais, apesar das notícias de acurácia. Alguns acreditam que a técnica é complementar a outras existentes na previsão, mas não substitutos. Outras questões estão vinculadas a implantação da metodologia, como a inexistência de pessoas suficientes para “negociar” os contratos, inclusive por desinteresse das pessoas. Algumas empresas encorajam as rivalidades internas e outras oferecem pequenos prêmios. Outra razão apontada para os problemas de uso refere-se a dificuldade que o participante tem em ver os resultados e, por isto, a perda de interesse. Já a dificuldade dos chefes em aceitar que não especialistas façam palpites sobre assuntos de sua responsabilidade também pode ser considerada. O texto conclui que talvez a maneira de saber como encontrar as soluções para os problemas de uso da técnica seja perguntar aos empregados, usando a previsão de mercado.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Auditores e rodízio

Disponível em: <http://www.parana-online.com.br/editoria/economia/news/79242/>.
Acesso em: 18 mar. 2009.



Rodízio é insuficiente para evitar novas fraudes
Agência Globo
Rio - Nas últimas semanas, companhias de capital aberto iniciaram uma corrida para sondar as 307 auditorias independentes brasileiras, com o objetivo de cumprir o rodízio desses prestadores de serviços determinado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A troca obrigatória tem início em 14 de maio. O objetivo é fechar brechas para fraudes em balanços, o que vem ocorrendo nos últimos anos com multinacionais, como a gigante de energia Enron e, recentemente, a Parmalat. E foi justamente o caso da empresa de alimentos que colocou em xeque o novo sistema, antes mesmo dele vigorar: a Itália determina a substituição compulsória de auditores, o que não impediu falsificações contábeis e o desvio de dinheiro pelos donos da Parmalat.
A falcatrua na gigante italiana é, no entanto, apenas um dos argumentos dos auditores para condenar a eficiência do rodízio. De acordo com especialistas, as empresas têm formas diversas de driblar o sistema. Uma delas é contratar a equipe responsável pela auditoria anterior, o que compromete a finalidade do novo dispositivo. E mais: todos são unânimes em afirmar que auditoria não impede fraudes.
Segundo Henrique Luz, sócio da PricewaterhouseCoopers, uma auditoria dá parecer dentro de certas normas, mas não é garantia contra fraude. Ele conta que, na Itália, o rodízio acontece a cada nove anos - no Brasil, a lei determina troca a cada cinco - e 75% das fraudes descobertas ocorreram nos primeiros dois anos da mudança de auditores.
- A CVM criou o rodízio para evitar que a relação entre auditor e cliente, depois de anos em contato, não desse espaço a acordos para fraudes. Mas a troca cria um outro problema, que é a falta de conhecimento dos novos auditores do funcionamento da empresa auditada. A falta de experiência e conhecimento da operação pode facilitar irregularidades - argumenta Luz. - A Parmalat, por exemplo, mudou de auditoria há três anos.
O foco de uma auditoria independente são as modalidades de fraudes conhecidas. Ou seja, a prestadora desse serviço não refaz toda a contabilidade das empresas e usa um sistema de amostragens das contas. E Luz reconhece:
- A mente humana é muito mais fértil que qualquer sistema de controle.
O presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef), Reynaldo Aloy, também é contrário ao rodízio e diz que não há sistema que blinde empresas contra fraudes. Para ele, só uma postura ética dos executivos de companhias pode impedir falsificações nos balanços.
O gerente de Normas de Auditoria da CVM, Ronaldo Cândido da Silva, admite que auditoria não impede fraudes, mas argumenta que o rodízio não é inócuo e que dará mais transparência e credibilidade ao setor. Silva diz ainda que o órgão ficará atento à contratação de equipes pelas auditorias substitutas e vetará a operação se entender que compromete o novo sistema.
Outra forma de driblar o rodízio que está em discussão nos bastidores é a co-auditoria, que funcionaria da seguinte forma: a nova auditoria inspeciona as contas de uma companhia, mas a responsável pelo parecer final - sem aparecer no contrato e assinar o documento - seria o prestador de serviço anterior em razão da relação de confiança estabelecida nos últimos anos. Nesse caso, as três partes precisam de um acordo informal.
- O código de ética da categoria impede subcontratar ou ser subcontratado. O auditor tem que seguir essas regras ou poderá ter o registro cancelado - avisa Silva.
Para Paulo Sérgio Machado, sócio da BKR - Lopes Machado Auditores Independentes, a co-auditoria não tem futuro:
A prática é proibida e um caso desses explodiria como uma bomba no mercado. Um cliente não vai arriscar tanto. Mas a contratação de equipe não tem impedimento legal.
Definição sai ainda este mês
Um embate de cinco anos terá fim no dia 14 de maio. As empresas de auditoria lutaram - inclusive na Justiça - para que o rodízio não fosse adotado. O mecanismo está previsto na resolução 308, de 1999, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A troca obrigatória deve ser realizada a cada cinco anos, com um objetivo simples: impedir que uma relação estreita entre auditor e executivo de companhia inspecionada dê espaço para esquemas de fraude.
Outro argumento da CVM é que, após muitos anos, profissionais tendem a relaxar mais no seu trabalho, o que também pode facilitar adulteração de balanços. Os auditores dizem exatamente o contrário: para a classe, um novato, por não conhecer a empresa examinada, pode passar por cima de fraudes sem perceber.
O setor alega ainda que nenhum país desenvolvido do mundo, exceto a Itália, adotou o esquema de rodízio. Equador, Índia e Qatar são os outros que o utilizam. Mesmo assim, os italianos estão revendo o sistema, principalmente depois do rombo bilionário na Parmalat.
Para Eduardo Sampaio, presidente da Kroll Brasil, maior empresa do mundo de consultoria em gerenciamento de riscos, outra mudança merece destaque. A resolução 308 vai coibir conflito de interesses no segmento. A partir de maio, fica vedada a prestação de auditoria e consultoria para uma mesma companhia.
- Essa prática era comum e as empresas ganhavam mais com consultoria e outros serviços do que com auditoria. Isso foi o que levou ao fechamento da gigante de auditoria Arthur Andersen, envolvida em diversos casos - recorda Sampaio.

A Ponzi de Madoff

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Madoff é preso e poderá pegar 150 anos
Responsável por uma das maiores fraudes financeiras da história confessa crimes a tribunal; promotoria rechaça acordoRéu confesso sai algemado de corte; entre suas quase 5.000 vítimas vítimas, estão estrelas de Hollywood como o cineasta Steven Spielberg ANDREA MURTADE NOVA YORK Nos capítulos finais de um dos maiores escândalos financeiros da história, o americano Bernard Madoff, 70, foi levado para a cadeia em Nova York após se declarar culpado em 11 acusações de fraude, lavagem de dinheiro, roubo e falso testemunho. Abatido, ele confirmou ter elaborado um esquema de pirâmide, hoje estimado em até US$ 65 bilhões, que causou perdas a mais de 4.800 clientes."Não posso expressar adequadamente o quanto sinto por ter cometido esses crimes", disse ao tribunal. "Estou envergonhado (...) e agradecido por poder falar sobre o que ocorreu."Não houve acordo com a promotoria em troca da confissão. Especula-se que a complacência de Madoff com a Justiça busque poupar familiares de acusações de cumplicidade, além de salvaguardar setores de seus negócios que ele afirma não estarem envolvidos na fraude. A investigação, porém, continua em curso.Madoff deve passar o resto da vida preso: a punição máxima para cada um dos crimes admitidos soma 150 anos.Algemado, ele deixou o tribunal ontem por uma passagem subterrânea e recebeu ordem de permanecer no Centro de Correções de Manhattan até que sua pena seja estabelecida, em audiência em 16 de junho.O financista esteve em prisão domiciliar em sua cobertura em um bairro nobre da ilha desde 11 de dezembro.Em um esquema de pirâmide (ou "Ponzi"), o dinheiro de novos investidores é usado para pagar aos investidores mais antigos. Madoff relatou ao tribunal ontem que não investiu o dinheiro que recebia de seus clientes. Simplesmente depositava os fundos em uma conta no banco Chase em Manhattan e fazia retiradas da mesma conta para pagar supostos lucros.Segundo suas declarações, desde os anos 1990, ele se esforçou para que o fundo proporcionasse retornos acima da média do mercado aos clientes -eram prometidos lucros de até 46% ao ano. Quando a crise estourou, o surto súbito de retiradas fez o esquema ruir.Promotores rejeitaram algumas das afirmações. Eles dizem que as fraudes começaram nos anos 1980 ou mesmo antes e estão em busca de até US$ 170 bilhões em bens e dinheiro de Madoff que poderiam ter relação com o esquema."Eu acreditava que [a fraude] terminaria rapidamente e que eu conseguiria desembaraçar a mim e a meus clientes do esquema. Isso se provou difícil e eventualmente impossível. Com o passar dos anos, percebi que este dia, e minha prisão, inevitavelmente chegariam", disse o financista.O esquema era global e envolveu fundes de hedge, grupos sem fins lucrativos e celebridades como o entrevistador da CNN Larry King e o diretor Steven Spielberg. As economias da vida de milhares de pessoas foram devastadas -algumas das quais tiveram de voltar a trabalhar aos 90 anos.Para essas pessoas, a prisão de Madoff não é suficiente. "Não há nenhuma possibilidade de ele ter gerenciado esse esquema sozinho. Quero ver seus cúmplices pagaram pelo que fizeram", disse Richard Friedman, que afirma ter perdido US$ 3 milhões com o esquema."Culpo a SEC [agência reguladora dos mercados] por não ter descoberto a fraude", disse outra vítima, Judith Baker.Continua incerto o destino dos bilhões perdidos dos clientes e se eles verão alguma parte de volta no futuro. Uma comissão apontada pela Justiça para liquidar negócios e bens de Madoff até agora só conseguiu identificar US$ 1 bilhão.BrasilNo Brasil, advogados dizem que investidores perderam dezenas de milhões de dólares com aplicações. Os investimentos, aparentemente, não foram feitos diretamente com Madoff, mas por meio de bancos como Safra, Santander e UBS e do fundo americano Fairfield Greenwich. Santander e Safra ofereceram ressarcir parte das perdas dos clientes.



Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/economia,entenda-como-funcionava-o-esquema-de-piramide-de-madoff,337644,0.htm>.
Acesso em: 18 mar. 2009.

Entenda como funcionava o esquema de pirâmide de Madoff

Empresa atraía investidores com promessa de altos lucros. Com este dinheiro, ele pagava clientes antigos

SÃO PAULO - Bernard Madoff, operador renomado de Wall Street e fundador da Bernard L. Madoff Investment Securities LLC, foi preso no dia 11 de dezembro acusado de estar por trás de um esquema multibilionário e fraudulento de pirâmide financeira conhecido como Ponzi.
A fraude era feita da seguinte forma: a empresa de Madoff atraía os investidores oferecendo níveis de rentabilidade que chegavam a 1% ao mês, ou seja, mais de 10% de retorno no investimento por ano. Ele, então, utilizava o dinheiro desses novos investidores para pagar clientes antigos, que queriam resgatar os recursos aplicados. O esquema funcionava porque os rendimentos não eram pagos aos investidores todo mês, apenas acompanhado por eles. Esse dinheiro só seria devolvido ao cliente quando este resgatasse seu investimento. O problema é que, diante de grande demanda por resgates em decorrência da crise financeira, o fundo de Madoff ficou sem dinheiro para pagar os investidores e a fraude veio à tona.Suas supostas vítimas questionaram por que as autoridades americanas não checaram antes o que estava acontecendo, mas a forma como Madoff operava foi decisiva para o seu sucesso. Descrito como "afável" e "de alto nível, mas de uma forma discreta", o banqueiro se esforçou para manter sua aura de exclusividade. Muitos de seus clientes mais ricos foram conquistados em conversas em clubes para abastados em Nova York ou na Flórida, e Madoff dava a eles uma sensação de pertencerem a um círculo privilegiado. Ele usou esses grandes nomes para atrair outros investidores, até que sua influência passou a se estender a grandes bancos, fundos hedge e até mesmo organizações beneficentes. As operações de Madoff, de fato, eram bem obscuras. Além de sua empresa original, a Bernard L. Madoff Investment Securities, ele dirigia uma empresa de assessoria financeira totalmente separada - e é essa empresa que está envolvida na suposta fraude. Ele nunca revelou seus métodos de operação no mercado ou como ele gerava os lucros substanciais para os investidores que representava. "É uma estratégia do meu negócio. Não posso dar muitos detalhes", disse ele certa vez. A Comissão de Valores Mobiliários (SEC) dos Estados Unidos tinha autoridade para investigar os negócios de Madoff. Analistas financeiros levantaram dúvidas sobre as práticas de Madoff repetidamente ao longo da última década, incluindo uma carta de 1999 para a SEC que acusava Madoff de estar realizando o esquema Ponzi. Mas a agência não conduziu nem mesmo uma análise de rotina no fundo de investimentos até a semana passada.Mas como essa situação não levantou antes a suspeita dos órgãos reguladores?
A resposta envolve provavelmente uma combinação do prestígio pessoal de Madoff com sua exploração cuidadosa de certas brechas no sistema. Como ex-presidente da Nasdaq, com uma coleção de outras diretorias no currículo, e generoso doador em causas beneficentes, Madoff era um homem que inspirava confiança.

Quanto aos reguladores, a SEC regularmente fiscalizava a Bernard L. Madoff Investment Securities, mas não sua empresa separada de assessoria financeira. Essa empresa gerenciava um fundo hedge que não estava registrado na SEC até setembro de 2006 - e, de acordo com relatos, nunca foi sujeito a inspeção depois disso.



Disponível em: <http://www.estadao.com.br/economia/not_eco337937,0.htm>.
Acesso em: 18 mar. 2009.




Perfil: Madoff usava 'aura de exclusividade' para operar bilhões
Financista americano admitiu culpa em 11 acusações relacionadas a fraude de US$ 50 bilhões.


- O financista americano que admitiu culpa em um escândalo de fraudes de US$ 50 bilhões, Bernard Madoff, começou sua carreira aos 22 anos com apenas US$ 5 mil. Usando o capital levantado em férias de verão trabalhadas como salva-vidas e regador de jardins no distrito do Queens, em Nova York, ele criou em 1960 a empresa de investimento com seu nome. Agora, depois de quase 50 anos de operações no mercado de Wall Street, sua reputação está em ruínas e suas vítimas questionam por que as autoridades americanas não checaram antes o que estava acontecendo. Descrito como "afável" e "de alto nível, mas de uma forma discreta", o banqueiro se esforçou para manter sua aura de exclusividade. Muitos de seus clientes mais ricos foram conquistados em conversas em clubes para abastados em Nova York ou na Flórida, e Madoff dava a eles uma sensação de pertencerem a um círculo privilegiado. Ele usou esses grandes nomes para atrair outros investidores, até que sua influência passou a se estender a grandes bancos, fundos hedge e até mesmo organizações beneficentes. Ninguém parece saber ao certo o que aconteceu com todo aquele dinheiro. Ouvido pela Promotoria Federal americana, Madoff teria dito que não tem "absolutamente nada". Ainda não veio a público se ele gastou tudo, se guardou em algum lugar ou simplesmente perdeu o dinheiro. "Parece que pelo menos US$ 15 bilhões, muitos dos quais estavam concentrados no sul da Flórida ou na cidade de Nova York, foram para 'o paraíso' do dinheiro", brincou Douglas Kass, da Seabreeze Partners Management, que gerencia fundos hedge. Fundos hedge são aplicações mais especulativas e arriscadas do que os produtos financeiros convencionais, mas que frequentemente trazem retornos mais altos. As operações de Madoff, de fato, eram bem obscuras. Além de sua empresa original, a Bernard L. Madoff Investment Securities, ele dirigia uma empresa de assessoria financeira totalmente separada. Ele nunca revelou seus métodos de operação no mercado ou como ele gerava os lucros substanciais para os investidores que representava. De alguma forma, em épocas boas ou ruins, ele era capaz de pagar 10% ou mais de rentabilidade todos os anos. "É uma estratégia do meu negócio. Não posso dar muitos detalhes", disse ele certa vez. Os promotores agora acreditam que sabem muito bem qual era a "estratégia do negócio": usar dinheiro de novos investidores para pagar dividendos aos mais antigos, uma forma de operação financeira ilegal chamada de Esquema Ponzi. Mas como essa situação não levantou antes a suspeita dos órgãos reguladores? A resposta envolve provavelmente uma combinação do prestígio pessoal de Madoff com sua exploração cuidadosa de certas brechas no sistema. Como ex-presidente da Nasdaq, com uma coleção de outras diretorias no currículo, e generoso doador em causas beneficentes, Madoff era um homem que inspirava confiança. Quanto aos reguladores, a Comissão de Valores Mobiliários (Securities Exchange Commission, ou SEC, o órgão americano que fiscaliza o mercado de capitais) regularmente fiscalizava a Bernard L. Madoff Investment Securities, mas não sua empresa separada de assessoria financeira. Essa empresa gerenciava um fundo hedge que não estava registrado na SEC até setembro de 2006 - e, de acordo com relatos, nunca foi sujeito a inspeção depois disso. Detalhes de investigações mais antigas da SEC sobre os negócios de Madoff estão agora sendo divulgados. Na semana passada, a SEC disse que as operações de Madoff com títulos foram investigadas em 2005 e na época concluiu-se que ele havia violado a regra que determina que os corretores obtenham a melhor cotação possível. Uma segunda investigação da SEC, em 2007, aparentemente não descobriu qualquer irregularidade. Madoff teria dito a agentes do FBI (a polícia federal americana) que não há "explicação inocente" pelo colapso de seu esquema de investimento. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.



Disponível em: <http://www.estadao.com.br/economia/not_eco337937,0.htm>.
Acesso em: 18 mar. 2009.

Madoff, guru e estelionatário talentoso das finanças: homem modesto e cortês
NOVA YORK, EUA, 12 Mar 2009 (AFP) - Bernard Madoff, que se declarou culpado nesta quinta-feira de ter arquitetado uma das mais fraudes financeiras da história, conquistou durante décadas a confiança de ricos investidores, graças a uma imagem cuidadosamente cultivada de guru modesto e cortês.
Bancos do mundo inteiro, hedge-funds à procura de grandes rendimentos, donos de fortunas da Arábia Saudita ou da Espanha, associações de caridade passando por Elie Wiesel a Steven Spielberg, parceiros de golfe do "gotha" nova-iorquino: no total foram 50 bilhões de dólares perdidos depois de terem passado pelas mãos do self-made man de Nova York.
Com 70 anos, Bernard Madoff foi detido em 11 de dezembro de 2008 e se declarou culpado nesta quinta-feira de ter montado um esquema de fraude piramidal chamado "esquema Ponzi" no qual a remuneração repassada aos clientes era paga com as aplicações dos novos investidores.
O sistema se caracteriza por um efeito bola de neve em que Pedro é despido para vestir Paulo, um esquema que só funciona enquanto os investidores não precisam sacar suas aplicações em massa, o que mantém uma ilusão de rendimentos.
Mas com a crise financeira, o castelo de cartas desabou e as vítimas de Madoff estão pasmas, perguntando-se agora como uma fraude de uma quantia tão elevada como esta pôde durar tanto tempo.
Quando se viu envolvido numa queda de efeito dominó, sem conseguir reembolsar os clientes que correram repentinamente ao mesmo tempo em busca de seus investimentos diante da crise financeira, Madoff declarou a seus filhos "acabou", dando a entender que havia prejudicado até sua própria família que trabalhava com ele havia anos.
Em Wall Street, "Bernie", como é chamado por seus amigos, era uma lenda da conquista americana, a de um mestre-nadador das praias de Long Island que se transformou em corretor talentoso, que chegou ao topo do mercado financeiro Nasdaq e se tornou uma personalidade apreciada nos meios ricos e influentes.
Madoff garantia a seus clientes rendimentos surpreendentes e consistentes da ordem de 1% ao mês.
Ele tinha o dom para o dinheiro. Foi responsável pela revolução informática na Bolsa, quando os corretores passaram do telefone ao computador, concluindo contratos em segundos em vez de minutos, multiplicando assim os movimentos e os lucros.
Por suas partidas de golfe nos clubes mais restritos, como Old Oaks perto de Nova York ou o Palm Beach Country Club na Flórida e seus círculos filantrópicos, ele atraía suas vítimas com uma atitude de mistério, dando a seus interlocutores o sentimento de serem únicos, segundo seus investidores. A tempestade Madoff provocou vários suicídios de homens arruinados. Diante do juiz, ele se disse arrependido e envergonhado.
Sabe-se que possui três casas, um iate nas Bahamas e um jet privado, mas não fazia alarde de seus gastos e era conhecido mais por suas generosas contribuições a organizações de caridade judaicas e pró-isralenses.
Quatro vezes, após investidores e jornalistas terem levantado suspeitas sobre as condutas do fundo Bernard Madoff Investiment Securities (BMIS), criado nos anos 60, a SEC, órgão regulador do mercado americano, iniciou uma investigação que não foi concluída. Ele calou as dúvidas dos céticos com profundas declarações do tipo: "a estratégia é a estratégia e os rendimentos são os rendimentos".
"Ele era visto como um grande filantropo, um pilar da comunidade (de Wall Street), o presidente do Nasdaq e tudo isso", confiava o dirigente de um dos fundos de investimentos ao New York Times. Investir em Madoff, era tão seguro como colocar seu dinheiro em bônus do Tesouro, disse o empresário.

terça-feira, 17 de março de 2009

Qual o preço certo?

Disponível em: <http://avaliacaodeempresas.blogspot.com/2008/11/preo-de-venda.html>.
Acesso em: 17 mar. 2009.

6.11.08

Preço de Venda
Pão de Açúcar e Sendas divergem sobre preço de vendaValor Econômico - 6/11/2008Antes mesmo do desmoronamento das bolsas, que tornou muito mais incerta a avaliação dos ativos nos processos de aquisição, o grupo Pão de Açúcar e a família Sendas já possuíam fortes divergências sobre quanto vale a Sendas Distribuidora, joint venture que fundiu as duas redes de supermercados no Rio de Janeiro. Depois do dia 15 de setembro - a "segunda-feira negra" - as discordâncias entre as duas partes só tendem a se acentuar e não são pequenas as chances de que a disputa vá parar, pela segunda vez, em um tribunal de arbitragem. Arthur Sendas vendeu metade do capital de sua rede de supermercados, a maior do Rio de Janeiro, para o Pão de Açúcar em 2004, quando a sua empresa enfrentava dificuldades financeiras. Há cerca de dois anos, o empresário decidiu exercer o direito de vender sua participação na Sendas Distribuidora para a sócia paulista. Mas as negociações entre eles têm sido duras.Após o grupo francês Casino ter elevado para 50% sua participação no Pão de Açúcar, em 2005, Sendas recorreu ao tribunal arbitral por entender que Abilio Diniz havia se desfeito do controle da empresa, o que lhe garantia, por contrato, condições especiais nas negociações envolvendo a venda de sua participação na Sendas Distribuidora. Mas o empresário carioca perdeu a disputa. O Pão de Açúcar entende que o valor de mercado da Sendas Distribuidora é de R$ 480 milhões, o que equivale a 40% das vendas brutas da rede carioca em 2006, de R$ 1,28 bilhão, menos as dívidas da companhia, que somavam R$ 800 milhões. A família Sendas pensa bem diferente, segundo apurou o Valor. Em 2007, Arthur Sendas acreditava que sua companhia valia R$ 1,28 bilhão. Daniela Bretthauer, analista do Goldman Sachs, afirma que há uma divergência entre as companhias sobre o termo "valor da empresa", que possui um significado mais amplo do que o termo inglês "enterprise value" (valor de mercado mais dívidas). "Estamos discutindo neste momento o preço e a forma de saída [da família Sendas] da empresa", afirmou ontem Enéas pestana, vice-presidente financeiro do Grupo Pão de Açúcar, em conferência com analistas de investimentos. Além das divergências de preço, a morte de Arthur Sendas, que foi assassinado no mês passado por um ex-motorista, complicou ainda mais o processo de aquisição da rede carioca ao tornar mais complexos os trâmites burocráticos. Enéas admite que o falecimento de Sendas deve provocar um "atraso" no processo. O executivo também não descartou a possibilidade de que a discussão volte para a câmara de arbitragem. "Mas esperamos que as negociações possam ser retomadas em breve e vamos fazer o possível para chegarmos a um acordo amigável", disse Pestana, que espera não precisar recorrer aos árbitros instituídos pelas duas partes quando o acordo foi firmado. Os resultados da Sendas agora são animadores. No terceiro trimestre deste ano, a rede cariocas representou 16% das vendas totais do Pão de Açúcar e gerou uma receita bruta de R$ 801,5 milhões. Nos últimos quatro anos, a operação carioca vinha apresentando fracos desempenhos operacionais. Esse fato, afirmam fontes do setor, teriam contribuído para azedar as relações de Sendas com o Pão de Açúcar, que passou a ser o gestor dos negócios em 2004. Mas, segundo os executivos do Pão de Açúcar, o relacionamento entre as duas empresas sempre transcorreu sem problemas. No terceiro trimestre deste ano, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização da Sendas cresceu 141,5% em relação a igual período de 2007, totalizando R$ 55,8 milhões. A cifra atingiu 8% das vendas líquidas. A margem é equivalente à obtida pelo próprio Pão de Açúcar e é bem superior à registrado em igual trimestre de 2007, quando foi de apenas 3,5%. Com o desempenho do último trimestre, a varejista cumpre uma promessa feita ao mercado quando associou-se ao Sendas, há quatro anos. Naquela época, a sócia paulista acreditava que poderia elevar a rentabilidade da rede carioca em um ano. Não foi o que aconteceu. Pelo contrário, a empresa encontrou um grau de competição no Rio mais alto do que esperava e houve trimestres em que a margem lajida da Sendas chegou a ser de 0,9%. A virada na Sendas é atribuída ao trabalho feita na empresa em 2007 por Claudio Galeazzi, consultor que viria a assumir neste ano todo o comando do Pão de Açúcar. Além de promover uma forte redução nos custos, Galeazzi trancou os cofres da varejista para reforçar a sua estrutura de capital. A empresa, que começou o ano com R$ 700 milhões em caixa, hoje possui R$ 1,4 bilhão, montante superior ao valor de todas as suas dívidas. Segundo Enéas, a companhia "está preparada" para enfrentar cenários econômicos mais adversos.

Qual o preço justo para a Genentech

Disponível em: <http://www.financialweb.com.br/noticias/index.asp?cod=55560>.
Acesso em: 17 mar. 2009.


Roche pagará US$ 46,8 bilhões pela Genentech
por The New York Times - Gazeta Mercantil
13/03/2009
Alguns dias antes, a oferta foi elevada para US$ 93 a ação, o que representa os 44% da companhia que a compradora ainda não possuía
NOVA YORK - A Genentech, após oito meses de resistência, aceitou na última quinta-feria a oferta de compra feita pela Roche, que pagará US$ 95 por ação, pondo fim à independência daquela que é considerada a primeira e a mais bem-sucedida companhia de biotecnologia do mundo.
O negócio foi fechado alguns dias depois da Roche, gigante suíça da indústria farmacêutica, ter elevado sua oferta para US$ 93 a ação para adquirir os 44% da companhia que a Roche ainda não possuía. Com o preço novo e mais alto, o valor da transação será de US$ 46,8 bilhões.
Agora a atenção estará voltada para saber se a Roche conseguirá manter os principais executivos e cientistas que foram responsáveis pelo sucesso obtido no desenvolvimento de medicamentos como o Avastin e Herceptin para o tratamento de câncer. Uma vez que o acordo foi alcançado de forma amigável, há mais chances de que os funcionários da Genentech permaneçam. Além disso, o mercado de trabalho não está favorável.
Franz Humer, presidente da Roche, afirmou que espera manter a cultura e os empregados da Genentech. "Eu acredito que agora ficou claro que nós podemos caminhar juntos para o futuro."
No entanto, Laurence Lasky, que trabalhou como cientista na Genentech por 20 anos, disse duvidar que a cultura da empresa sobreviva por muito tempo. "Eles são suíços e a Genentech é composta por um grupo de cowboys empreendedores da Califórnia", disse. "Eu acho que é bastante triste", acrescentou. "Esta é uma das maiores joias do setor de tecnologia dos Estados Unidos."
Esta transação representa a terceira maior fusão no segmento farmacêutico este ano.
Na segunda-feira, a Merck informou que iria pagar US$ 41 bilhões para adquirir a Schering-Plough. Em janeiro, a Pfizer, maior fabricante de medicamentos do mundo, ofereceu US$ 68 bilhões pela Wyeth.
Em um acordo menor anunciado na quinta-feira, a Gilead Sciences disse que compraria a CV Therapeutics de Palo Alto, na Califórnia, por US$ 20 a ação ou US$ 1,4 bilhão, obtendo o direito para medicamentos voltados ao tratamento de doenças cardiovasculares. A Gilead cobriu uma oferta hostil de US$ 16 por ação, ou US$ 1 bilhão, feita pela Astellas, uma companhia farmacêutica japonesa.
O preço que a Roche concordou em pagar pela Genentech é significativamente mais alto que os US$ 89 por ação oferecidos inicialmente em julho - e bem acima dos US$ 86,50 que a Roche ofereceu subsequentemente em uma oferta pública hostil para a aquisição de ações (tender offer) iniciada por ela no mês passado. Mas o preço do negócio é menor que os US$ 112 por ação que o conselho administrativo da Genentech havia pedido.
Depois que a Roche elevou a oferta para US$ 93 por ação na sexta-feira, um comitê especial de diretores da Genentech entrou nas negociações, decidindo que US$ 112 por ação era irreal, dadas as quedas acentuadas recentes no mercado de ações, de acordo com um protocolo enviado ontem pela Genentech à Comissão de Valores Mobiliários. Os diretores estão recomendando que os acionistas ofereçam suas ações a US$ 95.
"Acreditamos que esta seja uma oferta justa para os acionistas da Genentech, e o comitê está satisfeito em chegar uma conclusão bem sucedida do processo", disse Charles Sanders, que dirigiu o comitê, em um comunicado.
Sven Borho, gerente de portfólio da Orbied Advisors, dona de mais de 3 milhões de ações da Genentech, disse que US$ 95 era "justo para a grande maioria de acionistas". Mas Borho disse que embora apreciasse o retorno que sua companhia obteria em seu investimento na Genentech, ele estava entristecido pelo fato de que a companhia não existiria mais independentemente. "É uma pena que a indústria de biotecnologia perca a sua luz guia", disse ele. "É uma tremenda empresa de pesquisa administrada pela melhor equipe de administração".

Dicas:
a) veja o balanço da empresa aqui (http://finance.yahoo.com/q/bs?s=DNA&annual).
b) outras informações importantes aqui (http://finance.yahoo.com/q/ks?s=DNA).

Investment grade tupiniquim

Disponível em: <http://www.financialweb.com.br/noticias/index.asp?cod=48063>.
Acesso em: 17 mar. 2009.

Após grau de investimento, País não pode ser “esbanjador”
por Financial Web
20/05/2008
Portal americano indica que “governo parece ter aprendido difíceis lições dos últimos 25 anos”
A obtenção do grau de investimento pelo Brasil fez com que mercado financeiro e mídia internacional voltassem os olhos para o País. Apesar do reconhecimento de que o upgrade na avaliação do crédito foi tardio, analistas afirmam que o futuro da economia depende do controle de gastos governamentais. O clima de prosperidade fica ainda maior porque o risco de instabilidade política ameaçar novos negócios é mínimo, segundo analistas.
Tem mais informações sobre o tema? Clique aqui.
Em uma longa análise da atual conjuntura econômica brasileira, o portal americano Money Morning compara o País a uma pessoa que conseguiu um novo emprego, “que paga algumas contas e recebe um upgrade na avaliação de crédito.” O futuro, no entanto, depende do uso dos recursos que devem chegar daqui em diante. Caso sejam desperdiçados no curto prazo, podem levar o País a uma posição de instabilidade. “Se uma pessoa se volta para os caminhos de um esbanjador, ela logo estoura o novo limite de crédito fazendo, na verdade, sua situação ficar até pior do que a de antes.”
Calmaria política
A matéria alerta os investidores que a situação do Brasil não é diferente da chinesa, que tem um “crescimento ad infinitum” de 10% ao ano. No entanto, defende que a atual expansão, de 5% anual, é mais estável do que aquela registrada durante o milagre econômico, na década de 1970. A maior preocupação internacional diz respeito aos gatos do governo já que o risco político futuro é considerado mínimo. “Quando Lula se for, um político de centro-direita poderá muito bem substituí-lo”, afirma.
Companhias negociadas na bolsa de Nova Iorque e chamadas de atrativas também são citadas como um sinal de prosperidade. São elas Votorantin, Sabesp, Tele Norte, Petrobras, Vale do Rio Doce, Banco Itaú, Unibanco e Bradesco.
O Money Morning faz uma breve avaliação da conjuntura econômica brasileira desde 2003, “quando os preços de energia e das commodities começaram uma longa escalada rumo a seus níveis recordes atuais (astronômicos).” Naquele ano, afirma, o Brasil ainda não merecia a distinção dada aos membros dos BRICs. Mas isso não era tudo, o mais alarmante para o futuro do País era que “Luis Inácio Lula da Silva, um socialista, tinha sido eleito presidente”.
Após as preocupações iniciais, diz o Morning, o resultado foi melhor do que o esperado: Lula se revelou um moderado, não tanto como seus antecessores, mas nem de longe comparável com o vizinho Hugo Chavez, da Venezuela.

Rating em alta

Disponível em:<http://www.financialweb.com.br/noticias/index.asp?cod=55590>.
Acesso em: 17 mar. 2009.


Fitch eleva rating do Unibanco por conta de fusão com o Itaú
por FinancialWeb
06/03/2009
Negócio foi oficialmente aprovado pelo Banco Central em 18 de fevereiro
SÃO PAULO - A agência classificadora de risco Fitch Ratings informou nesta sexta-feira (06) ter ampliado notas do Unibanco por conta de sua incorporação com o Itaú. Conforme documento encaminhado ao mercado, foi removida a Observação Positiva dos IDRs (Issuer Default Rating - Rating de Probabilidade de Inadimplência do Emissor) de Longo e Curto Prazo em Moeda Local, assim como do IDR de Curto Prazo em Moeda Estrangeira e do Rating Nacional de Longo Prazo da própria instituição.
Com isso, as notas da instituição ficaram idênticas às do Itaú. “O aumento reflete o fortalecimento do perfil de crédito”, informaram os técnicos da agência. A aprovação oficial da associação entre os bancos foi anunciada pelo Banco Central em 18 de fevereiro. O processo foi iniciado em novembro de 2008.
Em 31 de dezembro de 2008, o banco resultante da fusão acumulou ativos totais de R$ 633 bilhões, sendo R$ 272 bilhões de empréstimos (incluindo avais e fianças), R$ 210 bilhões de depósitos e debêntures, patrimônio líquido de R$ 46 bilhões (com o ágio totalmente amortizado no balanço consolidado) e recursos sob administração de R$ 258 bilhões.
“Tendo em vista o atual ambiente econômico desafiador, a Fitch espera que durante 2009 o banco apresente resultados abaixo dos patamares recentes. A agência acredita que a magnitude destas pressões será determinada, principalmente, pela intensidade e du ração dos impactos macroeconômicos já evidentes”, ponderou a classificadora de risco.

Rating em queda

Disponível em: <http://www.financialweb.com.br/noticias/index.asp?cod=55625>.
Acesso em: 17 mar. 2009.


Fitch rebaixa rating de banco por aumento da inadimplência
por FinancialWeb
16/03/2009
Segundo a classificadora, perspectivas apontam que taxa de não-pagamento do IBI continuará aumentando
SÃO PAULO - O aumento da inadimplência dos consumidores fez com que a agência classificadora de risco Fitch Ratings anunciasse, nesta segunda-feira (16), o rebaixamento das notas do Banco IBI. O comunicado indica que os ratings nacionais de longo e curto prazos de A(bra) para A-(bra), no primeiro caso, e de F1(bra) para F2(bra), no segundo caso.
Além disso, a classificação ficou em perspectiva negativa, o que significa que existe espaço para uma nova redução na pontuação. “Estas ações refletem a contínua deterioração da qualidade de crédito e seus efeitos sobre o perfil de crédito e desempenho do banco”, afirmou a nota, lembrando que a postura foi tomada mesmo diante da disposição do controlador suíço da instituição, Cofra Holding AG, em suportar o IBI.
De acordo com o documento, “a inadimplência, já bastante elevada, pode continuar crescendo e atingir patamares ainda maiores em função do atual ambiente macroeconômico”.
Os ratings do IBI contemplam a flexibilidade financeira proporcionada pela franquia mundial da Cofra; a estratégia bem definida do grupo no varejo; bem como as sinergias com a rede varejista C&A no Brasil (C&A); e o relativo êxito do processo de parcerias e acordos operacionais com redes de varejo (algumas em maturação), que visam aumentar a base de distribuição de produtos do IBI e reduzir sua dependência em relação à C&A.
“Na visão da agência, uma maior deterioração da qualidade de crédito e do desempenho do banco podem levar ao rebaixamento dos ratings. Por outro lado, estes poderiam ser beneficiados, caso haja melhora consistente da qualidade de crédito, associada a maiores informações sobre a capacidade de apoio financeiro da Cofra”.
Crescimento
Desde o quarto trimestre de 2007, o IBI apresenta forte incremento na inadimplência, bem acima do esperado pelo banco e de seus índices históricos, em função do menor rigor no deferimento do crédito naquele ano, para capturar maior volume de operações.
A qualidade de crédito, conforme os analistas, sofreu forte deterioração e os créditos nos piores ratings aumentaram para 30% da carteira em dezembro de 2008 (24% em 2007 e 17% em 2006), comprometendo sua rentabilidade.
Embora seu resultado tenha sido beneficiado por ganhos não recorrentes de R$ 24 milhões, seus retornos decresceram de 29% em 2006 para 22% em 2007 e 7,7% em 2008, registrando lucro de R$ 59 milhões.
“O banco acredita que deverá apresentar índices de inadimplência no mesmo patamar de 2005 e 2006 no segundo semestre 2009 e os de rentabilidade, em 2010. No entanto, a Fitch considera esta meta difícil diante do cenário de aumento generalizado da inadimplência ocasionado pela crise financeira global a partir de setembro de 2008”, finalizaram.

domingo, 15 de março de 2009

CFO com problemas

Disponível em: <http://www.financialweb.com.br/noticias/index.asp?cod=53144>.
Acesso em: 15 mar. 2009.


Acionistas da Aracruz aprovam ação contra ex-CFO
por Gazeta Mercantil
25/11/2008
Perdas da companhia chegaram a US$ 2,13 bilhões, valor que equivale a um ano de receitas com exportações
Os acionistas da Aracruz Celulose aprovaram, em assembléia realizada nesta segunda-feira (24/11), a abertura de ação de responsabilidade contra o ex-diretor financeiro da companhia, Izac Zagury, por conta dos prejuízos registrados com operações de derivativos cambiais. Ele foi apontado como o responsável por manter uma exposição a esse tipo de instrumento acima dos limites estabelecidos pela companhia. A forma pela qual o processo contra o executivo será conduzido será definida pela administração da empresa após consulta a advogados.
As perdas da Aracruz chegaram a US$ 2,13 bilhões, valor que equivale a um ano de receitas com exportações. Como não possui recursos suficientes em caixa para honrar com o compromisso, a companhia negocia com os bancos credores a extensão do prazo de pagamento e uma possível redução dos valores.
A abertura de processo contra Zagury não foi aprovada por unanimidade. O fundo Latino Americano CIBC manifestou-se contrário à proposta do conselho de administração da Aracruz e a BNDESPar optou pela abstenção, por considerar não ter elementos de decisão suficientes.
As perdas bilionárias com derivativos acabaram interrompendo e talvez possam inviabilizar o processo de fusão da Aracruz com a Votorantim Celulose e Papel (VCP). Como não se espera que Zagury tenha condições de ressarcir a companhia pelos prejuízos, especula-se no mercado que a abertura da ação seja uma maneira de o Grupo Votorantim cancelar ou tentar alterar as condições do negócio sem o pagamento da multa de R$ 1 bilhão prevista no contrato.

Rebaixaram

Disponível em: <http://www.financialweb.com.br/noticias/index.asp?cod=55573>.
Acesso em: 15 mar. 2009.


Moody’s rebaixa rating da Sadia e define perspectiva negativa
por FinancialWeb
13/03/2009
O motivo dessa decisão foi a alta alavancagem da companhia, que no ano passado perdeu quase R$ 800 mi em operações com derivativos
SÃO PAULO - A agência classificadora de risco Moody’s anunciou nesta sexta-feira (13) ter rebaixado os ratings em moeda local e de dívida garantida em moeda estrangeira da Sadia de B1 para B2. Além disso, as perspectivas das notas continuam negativas, o que indica possibilidade de novas reduções. “O rebaixamento para B2 foi impulsionado pelos recentes sinais de condições de mercado de exportação de aves mais fraco do que o esperado, o que provavelmente pressionará a geração de caixa da Sadia”, explicou o vice-presidente e analista sênior da Moody’s, Soummo Mukherjee.
Segundo o especialista, o rebaixamento também incorpora a expectativa de que a Sadia provavelmente manterá uma elevada alavancagem e fraca liquidez comparada com outras empresas da indústria com o mesmo rating.
No ano passado, a empresa anunciou a perda de quase R$ 800 milhões por conta de exposição alavancada no mercado de derivativos cambiais. Isso custou a demissão do então diretor financeiro da empresa, Adriano Ferreira.
“Além disso, as atuais condições do mercado de crédito e a alta alavancagem da Sadia provavelmente farão com que os custos dos juros aumentem materialmente em 2009, o que, quando combinado com as necessidades esperadas de capital de giro e investimentos, provavelmente levará a um fluxo de caixa livre negativo em 2009.” acrescentou Mukherjee.
Liquidez fraca
Conforme a Moodys, a perspectiva negativa deve-se principalmente ao perfil de liquidez no geral mais fraco da Sadia dado o significativo volume de vencimentos da dívida no curto prazo e o risco de refinanciamento relacionado aos relevantes vencimentos de empréstimos com banco, cuja maior concentração será em Setembro de 2009.
“Entretanto, a Sadia mantém um caixa disponível de aproximadamente R$ 1 bilhão e, segundo a companhia, tem conseguido rolar dívidas de curto prazo existentes nas condições atuais de mercado”, comentou o documento.
Em 30 de setembro de 2008, a Sadia tinha aproximadamente 50% de sua dívida total denominados em dólares, os quais, com a adicional desvalorização de 22% do Real, , aumentariam a dívida total da Sadia em um adicional de R$ 900 milhões. A agência classificadora de risco espera um fluxo negativo de caixa.

Responsabilidade

Disponível em:<http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0857/gestao/m0080246.html>.
Acesso em: 15 mar. 2009.


A Kraft olha com quem fala
01.12.2005
Para manter uma relação responsável com seus consumidores, a fabricante de alimentos vai deixar de anunciar para crianças

Por Flávio Costa
EXAME

O paulista Aristides de Macedo, presidente da subsidiária brasileira da Kraft, iniciará o ano de 2006 com uma tarefa incomum. A partir de janeiro, seguindo orientação da matriz nos Estados Unidos, Macedo vai cuidar para que os produtos deixem de ser anunciados em programas especificamente dedicados a crianças de até 11 anos. Isso significa que você não verá, por exemplo, publicidade do chocolate Confete e do biscoito recheado Trakinas -- um dos carros-chefe da empresa, que faturou cerca de 3 bilhões de reais em 2004 -- em programas assistidos por seus principais consumidores, como os canais infantis da TV paga. A publicidade de todos os produtos da companhia, que também incluem marcas como a bebida em pó Tang e o bombom Sonho de Valsa, será apresentada apenas em programas destinados a adolescentes ou que sejam assistidos pelos pais. "As crianças dessa idade não têm como compreender, sozinhas, a importância de uma alimentação balanceada", afirma Macedo. "As mudanças podem ter algum efeito imediato nas vendas. Mas, no longo prazo, vão fortalecer nossa imagem de empresa responsável perante o consumidor." É crescente o número de empresas que recorrem a novas estratégias de produção e de comunicação para sobreviver num mundo cada vez mais preocupado com a postura das fabricantes de alimentos e redes de fast food diante do avanço da obesidade e do sedentarismo. Essa pressão levou o McDonald's da França a publicar recentemente um anúncio de página inteira em algumas revistas sugerindo que os franceses reduzissem suas idas à lanchonete para evitar a obesidade. A rede também adicionou saladas e frutas ao cardápio. Na Inglaterra, está em estudo a criação de novos impostos para as redes de fast food. Se essa lei for aprovada, o dinheiro recolhido será usado em campanhas para incentivar a prática de esportes. A Kraft, segunda maior fabricante de alimentos do mundo, atrás apenas da Nestlé, anunciou regras rígidas para sua publicidade nos Estados Unidos no início de 2005. A venda de biscoitos naquele país vem diminuindo ano após ano e é cada vez maior a preocupação dos consumidores com a forma física. Na matriz, deixaram de ser anunciadas para crianças as marcas de bebida em pó Kool Aid, a de cereais Post e a de biscoitos Chips Ahoy. A nova política passa a valer para todas as 150 subsidiárias internacionais da Kraft a partir de 2006. Nos últimos anos, a subsidiária brasileira já vinha adotando algumas práticas para manter uma boa imagem perante consumidores cada vez mais exigentes. Em 2004, adicionou vitaminas às bebidas em pó, alguns biscoitos passaram a incluir fibras e as gelatinas ganharam uma versão dietética. No Brasil, a política de responsabilidade na comunicação com as crianças também já vinha avançando. Um exemplo disso é a proibição de ações de divulgação de todos os produtos da empresa em escolas. Nas degustações em supermercados, as promotoras da Kraft foram orientadas a só oferecer alimento a crianças com autorização dos pais ou de outro adulto responsável. A partir de 2005, a companhia baniu de suas campanhas publicitárias expressões de ordem como "Peça a seus pais". "Também vetamos palavras como 'apenas' ou 'somente' ao informar o preço dos produtos, para que as crianças de famílias de baixa renda não se sintam socialmente inferiores", diz Newton Galvão, diretor de assuntos corporativos e de responsabilidade social da Kraft. A Kraft também se esforça para manter uma boa imagem tanto com os fornecedores quanto com os vizinhos de suas fábricas, em Piracicaba e Pedreira, no interior de São Paulo, em Araguari, em Minas Gerais, e Aracati, no Ceará. Em fevereiro de 2005, doou 150 cabras a famílias de pequenos fornecedores rurais cearenses, dos quais compra caju para a produção de suco. O objetivo é dar uma alternativa de subsistência às famílias na entressafra. A empresa exige, em contrapartida, uma postura responsável nos negócios. A preocupação com o trabalho infantil é um dos muitos itens que a Kraft aborda nos contratos de seus fornecedores. Além disso, todos têm de concordar com uma espécie de declaração de princípios. O compromisso inclui cuidados com o bem-estar dos funcionários, com a segurança no trabalho e com o meio ambiente. A empresa passou a realizar semestralmente visitas de auditoria para checagem da execução dessas práticas. A empresa criou, em todas as suas unidades, as chamadas "comissões de vizinhos", abertas à participação dos moradores. Cada comissão, formada por líderes das comunidades, mantém encontros regulares com a direção das fábricas para discutir eventuais problemas e propor melhorias nos arredores. Na fábrica de Pedreira, onde produz gelatina, por meio desse serviço de atendimento ao vizinho a empresa descobriu, no ano passado, que o barulho e o mau cheiro incomodavam os moradores. Para resolver o problema, investiu 1 milhão de reais na construção de paredes e telhados e na instalação de um novo sistema de purificação de ar. O resultado foi que o número de reclamações caiu de 15 para apenas uma por mês. A forma pela qual a Kraft administrou a transferência de suas linhas de produção do bairro paulistano do Brooklin para Curitiba, em 2000, também ilustra sua preocupação com a comunidade à sua volta. Acabar com sua operação em São Paulo de uma hora para outra seria um transtorno para os empregados e para as empresas prestadoras de serviços. Por isso, todos os públicos interessados, incluindo o governo municipal, foram comunicados da mudança com um ano de antecedência. Os trabalhadores que não quiseram ir para o Paraná receberam apoio para obter uma nova colocação no mercado.
KRAFT
Notas
Desempenho da empresa nos sete itens do questionário do guia (as notas vão de zero a 10)
Valores e transparência
8
Funcionários
8
Meio ambiente
8,5
Fornecedores
10
Consumidores/clientes
9
Comunidade
8,5
Governo e sociedade
6
Nota média
8,3
Pontos fortes
Limita a publicidade de seus produtos para crianças. Não faz, por exemplo, promoções em escolas Ajuda a desenvolver pequenos fornecedores locais, como produtores de caju no Ceará O percentual de acidentes com afastamento caiu pela metade nos últimos dois anos
Pontos fracos
Não publica relatório anual e balanço social no Brasil

Em 2005, a empresa levou multa do Ministério da Justiça por diminuir a quantidade nas embalagens de cinco produtos sem informar de maneira clara o consumidor

Comprou e vendeu

Disponível em: <http://portalexame.abril.com.br/negocios/kraft-foods-vende-sucos-maguary-cbb-424613.html>.
Acesso em 15 mar. 2009.


Kraft Foods vende sucos Maguary para CBB
Empresa americana se desfaz da operação de sucos prontos no Brasil para se concentrar em chocolates e biscoitos


02.03.2009 17h38


Portal EXAME -
A Kraft Foods Brasil, dona de marcas de alimentos como Bis, Tang e Trakinas , anunciou nesta segunda-feira (02/03) a venda do negócio de sucos Manguary para a Companhia Brasileira de Bebidas (CBB). A transação, cujo valor não foi divulgado, inclui as linhas de sucos concentrados e as fábricas de Araguari (MG) e Aracati (CE).
Veja também
A Kraft olha com quem fala

A venda põe em prática a estratégia da empresa de concentrar os negócios em apenas alguns tipos de alimentos. “Maguary é uma marca e um produto excelente, apoiados por um ótimo time de pessoas, mas queremos concentrar nossos esforços em outras categorias como chocolates, biscoitos e bebidas em pó no Brasil”, afirma o presidente da Kraft Foods Brasil, Mark Clouse.
Com a aquisição da Maguary, a CBB vai expandir ainda mais a sua presença no segmento de sucos. A empresa passou a atuar no setor de bebidas naturais à base de frutas com a aquisição, em dezembro de 2008, de 54% das ações da Dafruta, empresa de sucos concentrados, prontos para beber e semi-elaborados desde 1984.
“Conhecemos muito bem a força da marca e a qualidade dos produtos Maguary. A família Tavares de Melo fundou e levou essa marca à liderança do setor no passado”, disse Romildo Tavares de Melo, Conselheiro da CBB. Para o executivo, a CBB ficará muito mais forte com o controle das empresas Dafruta e Maguary.As unidades industriais serão mantidas em operação para atender os planos de expansão da CBB.

Já era

Disponível em: <http://portalexame.abril.com.br/internacional/blockbuster-avalia-pedir-concordata-diz-bloomberg-424985.html>.
Acesso em 15 mar. 2009.


Blockbuster avalia pedir concordata, diz Bloomberg
Endividada, maior rede de locação de filmes do mundo contrata escritório de advocacia para avaliar opções

03.03.2009 18h02


Portal EXAME -
A Blockbuster, maior rede mundial de locação de filmes, contratou um escritório de advocacia para avaliar um possível pedido de concordata, afirmou nesta terça-feira a agência de notícias Bloomberg, sem citar a fonte da informação. As ações da Blockbuster registraram queda de 86%, quando as negociações foram interrompidas.
O escritório Kirkland & Ellis foi contratado pela empresa para avaliar as opções de reestruturação da companhia. O pedido de concordata é uma dessas opções, afirmou a Bloomberg. A empresa poderia buscar um acordo com os credores para tentar um consenso sobre a necessidade da concordata.

A Blockbuster tem mais de 7 500 lojas na América do Norte, Europa, Ásia e Oceania. No Brasil, a empresa vendeu suas lojas para a Lojas Americanas há cerca de dois anos. A Blockbuster tem enfrentado uma maior concorrência da Netflix, que trabalha com um sistema de catálogo e entrega de filmes direto na residência.
Para não ficar para trás, a Blockbuster também planeja reinventar seu modelo de negócios. O objetivo é oferecer mais de 90 000 filmes com entrega em casa. Além disso, a empresa também quer oferecer a possibilidade de alugar filmes que possam ser assistidos no celular ou em TVs conectadas à internet.
Todas essas iniciativas, no entanto, ainda não foram suficientes para compensar a queda de receitas com o aluguel de filmes nas lojas. Bastante endividada, a empresa não tem conseguido gerar caixa suficiente nem levantar dinheiro junto a bancos ou investidores para rolar seus débitos.
Ironicamente, em maio do ano passado, a Blockbuster chegou a apresentar uma oferta de compra à Circuit City, uma das maiores redes de varejo de eletrônicos dos Estados Unidos e que também pediu concordata. A negociação para a aquisição fracassou, mas, agora, é a Blockbuster quem não consegue honrar os compromissos com os credores.

Agora é para vender

Disponível em: <http://portalexame.abril.com.br/financas/link-indica-venda-acao-preferencial-aracruz-compra-ordinaria-425948.html>.
Acesso em: 15 mar. 2009.

Link indica venda de ação preferencial da Aracruz e compra da ordinária
Após VCP comprar ações da família Safra, corretora prevê valorização dos papéis, que disparam 10%

06.03.2009 17h22


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A VCP anunciou nesta quinta-feira que firmou um contrato para comprar 28% do capital votante da Aracruz de propriedade de família Safra. Na visão da corretora Link, isso deve levar a uma valorização de cerca de 20% das ações ordinárias (com direito a voto) da Aracruz até maio ao mesmo tempo em que vai pressionar para baixo a cotação dos papéis preferenciais (sem direito a voto).
"Boa notícia para as ações ARCZ3 [as ordinárias], que tem direito de preferência e devem se aproximar ainda mais do valor de 14,56 reais, valor presente do que será oferecido aos acionistas ordinários", defendeu.

Em um dia de forte oscilação na Bovespa, as ações ordinárias da Aracruz disparavam 10,48% às 17h07, negociadas a 13,91 reais, enquanto as preferenciais caíam 5,56%, cotadas a 1,36 reais. Os papéis da VCP também tropeçavam, sofrendo desvalorização de 6,07%, negociados a 9,13 reais.
A Link acredita que as ações preferenciais da VCP e da Aracruz foram penalizadas pelo anúncio porque "o mercado não viu bem esta operação, e a demora para a conclusão com os Safra ainda dava uma expectativa de que não vingasse".
Recomendações
Quando acertou a compra da participação da família Lorentzen no início deste ano, a VCP aceitou pagar pelas ações o mesmo preço acertado em acordo fechado em meados de 2008. No entanto, as ações da Aracruz foram bastante penalizadas pela alta do dólar a partir de setembro, quando foi divulgada uma exposição bilionária a derivativos cambiais.
A família Safra tinha direito de preferência de vender seus papéis pelo mesmo preço acertado com os Lorentzen - o que acabou sendo um excelente negócio, segundo a Link. O próximo passo deverá ser uma oferta de recompra das ações ordinárias da Aracruz e a troca dos papéis preferenciais da empresa pelos da VCP. Os minoritários da Aracruz, majoritariamente detentores de ações preferenciais, no entanto, vão receber muito menos por seus papéis que as famílias Safra e Lorentzen.
Isso também sustenta a recomendação da Link de venda das ações preferenciais e compra das ordinárias. "Imaginamos que novamente a oferta será mal vista pelo mercado. No longo prazo a fusão tem tudo para ser positiva, isto é, claro, se conseguir sair dos grandes financiamentos no qual teve que entrar para realizar esta compra e a renegociação dos derivativos da Aracruz", afirma a Link.
A liquidação da operação deve ocorrer até o fim do mês de abril, de acordo com os termos e condições do contrato.

Apenas 100% a.a.

Disponívem em: <http://portalexame.abril.com.br/financas/considerando-dificuldades-setoriais-brascan-baixa-preco-alvo-marfrig-426858.html>.
Acesso em: 15 mar. 2009.


Considerando dificuldades setoriais, Brascan baixa preço-alvo da Marfrig
Estimativa para o papel em dezembro caiu de 20,15 para 14,50 reais, mas perspectiva ainda é de valorização acima de 100% no ano

10.03.2009 17h22

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Em resposta à perspectiva de uma maior deterioração no cenário econômico internacional, a corretora Brascan baixou o preço-alvo dos papéis da Marfrig (MRFG3), grande dependente de exportações, de 20,15 reais para 14,50 reais. Nesta sessão, as ações ordinárias da companhia subiam 6,01% às 15h35, negociadas a 7,05 reais.
A recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado), porém, foi reiterada, já que o potencial de valorização dos ativos frente ao último fechamento ultrapassa os 100%. Isso porque os analistas continuam acreditando que a empresa manterá fortes margens de lucro, mesmo com o cenário difícil das exportações de carne bovina.
"Apesar de esperarmos um cenário mais adverso no curto prazo, acreditamos que a Marfrig continuará apresentando bons resultados amparados pela diversificação geográfica da companhia e pelo seu posicionamento em diversas proteínas animais. Estimamos também grandes ganhos de sinergias com as recentes aquisições realizadas pela companhia", disse a corretora.
Dificuldades no setor
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) que foram destacados pela equipe, a crise financeira afetou fortemente as exportações de carne bovina no último trimestre de 2008, sendo que o volume de carne bovina brasileira in natura destinadas ao exterior caiu 5,3% em relação ao mesmo período de 2007. Tal informação é preocupante para a Marfrig que, no terceiro trimestre, teve 16,7% de sua receita vinda de exportações.
O valor exportado ao Uruguai e Argentina também apresentou retração, decorrente da renegociação de preços, elevados estoques dos importadores, além da crise de crédito mundial.
O período foi marcado, ainda, pela entrada das operações da OSI no resultado consolidado da companhia, uma vez que a aquisição foi concluída em novembro, atenuando fatores negativos. "Esse efeito, aliado à depreciação do real, deverá proporcionar um crescimento trimestral de receita de 57,7%, e anual de 120,5%, atingindo 2.403 milhões de reais", previu a Brascan.
Para 2009, porém, as estimativas referentes à receita não estão tão otimistas e caíram 7,9% devido à deterioração do cenário econômico mundial. "Acreditamos em um menor crescimento em todos os mercados de exportação da Marfrig, além de uma retração nos preços, que deverá ser parcialmente compensada pela depreciação do real", disse.
Estimativas de resultados
Apesar dos desafios no curto prazo, os analistas ressaltaram que a Marfrig conseguirá manter um bom nível de rentabilidade nos três últimos meses de 2008, assim como conseguiu nos demais trimestres, sendo que a queda de margem esperada deve ocorrer devido à entrada das operações da OSI nos resultados.
O impacto da depreciação do real sobre a dívida em dólar da companhia deve afetar o resultado financeiro, previsto para ficar negativo em 492,3 milhões no quarto trimestre. Parcialmente compensando, um exercício de opção de compra de dólares trará um ganho de 91,7 milhões.
Se por um lado, o lucro antes de juros, impostos depreciações e amortizações (Ebitda) deve atingir 243 milhões de reais, equivalente a avanço anual de 96,6%, a empresa deve apresentar um prejuízo líquido de 234,4 milhões de reais devido às perdas financeiras estimadas. Limitando as perdas, os mercados internos do Brasil e da Argentina continuaram aquecidos durante o período, beneficiando os resultados da empresa, na avaliação da Brascan.

Uma pirâmide perigosa

Disponível em: <http://portalexame.abril.com.br/financas/madoff-admite-culpa-fraude-acaba-preso-427671.html>.
Acesso em: 15 mar. 2009.


Madoff admite culpa em fraude e acaba preso

Gestor causou um prejuízo que pode superar US$ 60 bilhões a milhares de investidores
12.03.2009 19h23
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O gestor Bernard L. Madoff admitiu publicamente ser culpado por ter causado prejuízos bilionários a milhares de investidores por meio de um esquema de pirâmide montado em seus fundos de investimento.
Em um depoimento à Justiça de Nova York, que terminou com a decretação de sua prisão, Madoff disse ter cometido 11 crimes, incluindo fraudes no mercado de capitais, lavagem de dinheiro e prestação de informações falsas à SEC (Securities anda Exchange Comission, o órgão regulador do mercado nos Estados Unidos).
O esquema de pirâmide de Madoff funcionava da seguinte maneira: 1) ele captava dinheiro de investidores com a promessa de rendimento de 1% ao mês; 2) parte dos recursos nunca era investida; 3) com a fama de operador competente, ele conquistava mais clientes e utilizava parte do dinheiro novo para remunerar os mais antigos.
"Eu sou grato por ter essa oportunidade de comentar publicamente meus crimes, pelos quais estou profundamente envergonhado e arrependido", afirmou ele no depoimento à Justiça.
"Quando eu comecei o esquema de pirâmide, eu acreditava que rapidamente poderia acabar com aquilo e livrar eu mesmo e meus clientes do esquema. (...) Mas isso se provou difícil e, ultimamente, impossível."
"À medida que os anos se passaram, eu percebi os riscos de que esse dia inevitavelmente viria", disse. "Eu não sei como expressar adequadamente o quão arrependido eu estou por meus crimes."
Ex-presidente da bolsa eletrônica Nasdaq, Madoff, de 70 anos, era um gestor bastante conhecido internacionalmente. Ele disse ter iniciado o esquema na década de 90, em um momento de recessão e dificuldade para gestores ganharem dinheiro no mercado acionário.
Antes de ter a prisão decretada, Madoff estava confinado em seu apartamento em Manhattan. Seu advogado, Ira Sorkin, disse que vai recorrer da ordem de prisão.
Com a confissão, ainda não se sabe se a defesa tentará fechar um acordo para evitar o julgamento criminal de Madoff. A Promotoria e os clientes lesados por ele são contrários a um acordo e querem tentar incriminar também familiares e funcionários da empresa de Madoff.
A fraude cometida por Madoff foi revelada em dezembro. Cerca de 4 800 clientes tinham investido 65 bilhões de dólares em seus fundos. Quase todo esse dinheiro não foi recuperado. Apenas cerca de 1 bilhão de dólares já retornaram ao patrimônio do fundo.
Grandes bancos como o Santander e o Safra, que tinham dinheiro investido nos fundos de Madoff, ofereceram compensações aos clientes pelos prejuízos.

Bônusinho

Disponível em: <http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200903151850_AFP_77910227>.
Acesso em: 15 mar. 2009.

Invertia
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Domingo, 15 de Março de 2009, 15h50

Fonte: AFP
Empresas
Casa Branca considera "escandaloso" bônus milionário da AIG
Atualizada às 15h58
Os bônus no valor de US$ 165 milhões que a seguradora AIG pagará a seus executivos este ano, depois de ter recebido auxílio econômico do Tesouro dos Estados Unidos e do Federal Reserve para escapar da falência, estão gerando polêmica. A Casa Branca afirmou neste domingo que a quantia é "escandalosa".
O principal assessor econômico da Casa Branca, Lawrence Summers, classificou de "escandalosa" a conduta da American International Group (AIG), em entrevista ao canal de televisão ABC.
"Muitas coisas terríveis aconteceram nos últimos 18 meses, mas isto que aconteceu na AIG é o mais escandaloso", disse Summers.
A companhia, que apresentou no início de março o pior resultado trimestral da história de Wall Street, foi pressionada pelo secretário do Tesouro, Timothy F. Geithner, para que volte atrás na decisão.
O presidente da AIG, Edward Liddy, explicou em carta dirigida ao secretário do Tesouro, Timothy Geithner, que os bônus não podem ser cancelados devido ao risco de processos judiciais por quebra de contrato, segundo o Washington Post.
O prêmio, destinado aos executivos do departamento de produtos financeiros da AIG, cobre 400 trabalhadores. Enquanto para alguns o bônus não deve passar de US$ 1 mil, outros podem receber até US$ 6,5 milhões.
Os prejuízos da AIG foram de US$ 99,3 bilhões em 2008. A seguradora recebeu do Estado americano cerca de US$ 170 bilhões de ajuda.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A importância da governança

Desafios da governança: ir além do Novo Mercado (II)

Alexandre Di MiceliApós as evidências de que ainda há muito por se fazer em relação à governança corporativa no Brasil, o próximo passo é apontarmos o quê pode e precisa ser discutido de forma prioritária. Como resultado, as questões que considero chave são apresentadas em cinco dimensões: (i) estrutura de propriedade e direitos dos acionistas; (ii) conselho de administração; (iii) gestão e transparência; (iv) auditorias e conselho fiscal e (v) conduta e conflito de interesses.
Em relação aos direitos dos acionistas, os seguintes temas são prioritários: a) concessão de "tag along" além das exigências legais; b) questionamento sobre a validade das "poison pills" - principalmente em empresas com estruturas de propriedade concentrada; e c) criação de mecanismos para facilitar a participação dos acionistas em assembléias, como voto eletrônico e manuais das assembléias.
Em relação ao conselho de administração, destacam-se os seguintes temas: a) rediscussão do conceito de conselheiro independente e aumento da proporção de tais membros nas empresas; b) utilização de conselheiros independentes "estrelas", incluindo discussão do número máximo de conselhos ocupados simultaneamente; c) "board interlocking" (ligação de empresas por meio de conselheiros comuns); e d) avaliação de desempenho do conselho.
Em relação ao tema gestão/transparência, destacam-se os temas: a) gestão de riscos, incluindo monitoramento sistemático pelo conselho; b) disclosure sobre o pacote de remuneração dos diretores e conselheiros, principalmente em empresas com estrutura de propriedade pulverizada; e c) difusão de métricas de lucro econômico para avaliação de desempenho e divulgação de resultados.
Em relação ao aprimoramento de instrumentos de controle e fiscalização, destacam-se: a) a supervisão direta das auditorias interna e independente pelo conselho de administração, incluindo avaliação formal de desempenho da auditoria independente; b) a seleção da auditoria independente, que idealmente deveria ser feita pelos conselheiros não relacionados à gestão da empresa; e c)a discussão da função do conselho fiscal vis-a-vis o comitê de auditoria.
Em relação à dimensão da ética e conflitos de interesses, um tema se destaca: as operações com partes relacionadas, com a necessidade da definição de regras claras para tais operações e divulgação periódica das operações realizadas. Além disso, a criação de procedimentos internos para aplicação dos códigos de conduta e para a implementação das políticas de negociação de valores mobiliários são outros temas a serem discutidos e aprimorados.
Além das questões mencionadas, outro ponto-chave dos próximos passos da governança no Brasil diz respeito ao seu nível de regulação. Em um extremo, temos o caso norte-americano, nas quais diversas práticas são simplesmente exigidas por lei. No outro extremo, temos o caso brasileiro, no qual as empresas podem voluntariamente optar por suas práticas de governança, sem qualquer exigência legal além dos requisitos mínimos da Lei das S.A.
Um caminho intermediário, que pode ser interessante para o Brasil, é um sistema de "pratique ou explique" ("comply or explain"). Neste sistema, presente em países como Reino Unido e Alemanha, um determinado código é assumido como oficial, sendo as empresas obrigadas a divulgar seu nível de conformidade em relação a ele (mas não obrigando-as a cumprir as recomendações previstas). Desta forma, os investidores teriam uma visão clara do nível de adequação de cada empresa às melhores práticas de governança, sem terem que analisar individualmente. Adicionalmente, poderiam ser elaboradas algumas recomendações diferenciadas para empresas com estrutura de propriedade pulverizada ou concentrada, tendo em vista suas peculiaridades e diferentes conflitos potenciais.
Em resumo, três conclusões principais podem ser extraídas do estágio atual da governança corporativa no Brasil e de seus próximos passos: 1) o mercado ainda não testou de fato a qualidade das práticas de governança das empresas pertencentes ao Novo Mercado, principalmente em função do excelente desempenho da bolsa no período de 2004 a 2007; 2) a governança não se encerra com a adesão ao Novo Mercado, já que diversas práticas não previstas neste segmento de listagem precisam ser adotadas ou aprimoradas; e 3) a avaliação das práticas de governança deve evoluir de uma abordagem meramente estrutural (de "marcar caixinhas") para modelos que propiciem uma compreensão correta do seu nível de efetividade e de geração de valor aos negócios.
Alexandre Di Miceli da Silveira é professor doutor da FEA/USP e coordenador-executivo do Centro de Estudos em Governança Corporativa (CEG) da Fipecafi
E-mail alexfea@usp.br
Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Leasing operacional

http://www.andima.com.br/clipping/150808/Index.html


Leasing operacional é alternativa para equipamentos de tecnologia

Fernando Travaglini, De São PauloA forte produção das empresas de leasing não tem se limitado ao segmento financeiro. A modalidade de arrendamento operacional, que funciona de fato como um aluguel, tem impulsionado os negócios da CSI Leasing. Nos primeiros seis meses do ano, a companhia já registrou crescimento de 25% do valor do imobilizado de bens arrendados, com o saldo presente da carteira superando os R$ 170 milhões.
Especializada em equipamentos de tecnologia, a CSI é subsidiária do grupo americano de mesmo nome, um dos líderes mundiais do setor. No Brasil, a companhia já arrendou mais de 150 mil equipamentos, afirma Luiz Nali, diretor-vice-presidente da CSI Leasing no Brasil..
O leasing operacional difere do financeiro (oferecido pelos bancos) pelo direito de propriedade. As empresas que optam pela modalidade pagam apenas pelo direito de posse. O ativo permanece no balanço da arrendadora.
Por isso, afirma Nali, a modalidade operacional é mais adequada para esse tipo de equipamento, pois a propriedade do bem permanece com a arrendadora, permitindo a constante atualização tecnológica das máquinas. Além disso, o cliente não tem despesas com o descarte da máquina, que é devolvida no fim do contrato, quando é oferecida a opção de compra.
As vantagens fiscais, no entanto, permanecem, já que o cliente pode descontar as contraprestações do Imposto de Renda. Com isso, o custo é mais baixo, já que o valor presente das contraprestações não pode exceder 90% do custo do bem adquirido.
Como forma de captação para fazer frente ao crescimento da demanda, a companhia já realizou mais de R$ 500 milhões em venda de recebíveis nos últimos quatro anos. A companhia ainda tem a perspectiva de engordar essas cifras em R$ 160 milhões até o fim do ano e somar outros R$ 300 milhões no acumulado dos próximos 12 meses, afirma.
A venda de recebíveis é uma das fontes de recursos das companhias de leasing, segundo a Resolução 2921 do Banco Central. Esta estrutura se faz necessária, diz ele, pois a cessão de recebíveis, conforme regulamentada atualmente, não atende às empresas arrendadoras, o que impede, por exemplo, estruturas como os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC).
Isso acontece, segundo ele, porque o pagamento dos impostos sobre a receita decorrente da cessão deve ser feito no ato de transação, sem considerar as despesas mensais do negócio de arrendamento. "Esse descasamento entre receita e custo provoca um forte impacto fiscal e inviabiliza o uso do mecanismo de cessão de recebíveis pelas empresas de leasing. Conseqüentemente impede o aproveitamento da captação de recursos via FIDC."
O tema vem sendo estudado pelo Banco Central há alguns anos. A Associação Brasileira das Empresas de Leasing (Abel) aguarda mudanças contábeis para aperfeiçoar o reconhecimento das receitas e do resultado da operação de cessão do arrendamento para permitir o FIDC.
A venda de carteira também é uma opção já usada por outras instituições, como o Banco GMAC, ligada a montadora GM do Brasil, que iniciou no ano passado essas operações.

Fundos de imóveis

Publicado em 12/06/2007 - 11:58comentários
Necessidades do investidor
Por Fábio Nogueira
Com o aquecimento dos mercados de capitais, os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) têm se fortalecido e se tornam uma resposta possível à nova necessidade do investidor.
Os fundos imobiliários foram criados pela lei nº 8.668, de 26 de junho de 1993, constituindo-se juridicamente como condomínios fechados, ou seja, suas cotas não são resgatáveis. Ao aplicar em um fundo imobiliário, o investidor compra uma fração do imóvel, através de cotas. Os fundos imobiliários têm como lastro empreendimentos que vão de shopping centers a hospitais, edifícios comerciais e hotéis
O rendimento da aplicação será gerado pela receita dos imóveis que compõem o fundo. Este valor, após descontadas as despesas , será dividido pelo número de cotas e cada investidor vai receber, proporcionalmente, o seu rendimento
O Fundo Imobiliário sempre é administrado por uma instituição financeira, credenciada na CVM, que detém a propriedade fiduciária dos bens e direitos integrantes do patrimônio do respectivo fundo, isto é, os bens do FII são registrados como propriedade da instituição administradora, mas não fazem parte do seu patrimônio, estando protegidos de eventuais dificuldades que possam envolvê-la, assim como não pode haver quaisquer ônus sobre eles.
Estes fundos já existem há mais de 30 anos em vários países do mundo e no Brasil ganham cada vez mais destaque. Esta tendência pode ser comprovada pelas estatísticas oficiais. Nos últimos sete anos se assistiu a um aumento do número de fundos de investimento imobiliário em atividade. Paralelamente, a importância relativa dos fundos imobiliários no cômputo do valor líquido da indústria brasileira de fundos cresceu consistentemente. Dos R$ 2,9 bilhões de patrimônio da indústria de FII em 2007, aproximadamente 80% correspondem às ofertas registradas nos últimos seis anos.
Lidera os investimentos realizados pelos Fundos de Investimento Imobiliário no Brasil o segmento de edifícios comerciais, que totalizam 25%, seguido pelo de shopping centers com 18%. Existem hoje 64 fundos constituídos, sendo que 20 já são negociados em bolsa. O mais recente deles é o Hospital Nossa Senhora de Lourdes, com o montante de R$ 65,4 milhões ofertados para o varejo.
Desde novembro de 2005, os fundos imobiliários receberam mais um incentivo, conforme determina a Lei nº 11.196. Por essa norma, ficam isentos de Imposto de Renda Retido na Fonte, os cotistas pessoas físicas que detiverem menos de 10% das cotas de fundos imobiliários, que tenham pelo menos 50 investidores e que tiverem suas cotas negociadas em balcão organizado ou bolsa. Somada às perspectivas de contínuas reduções na taxa Selic, transparência nas informações e maior conhecimento do produto pelo varejo, o produto se torna cada vez mais atrativo e o reflexo disso pode ser associado ao sucesso de vendas dos últimos fundos imobiliários ofertados. Em poucos dias a oferta foi avidamente disputada pelos clientes.
A CVM, que regula e fiscaliza o mercado de capitais, inclusive os Fundos Imobiliários, está finalizando uma proposta de modernização da IN/CVM 205/94 que estabelece regras de funcionamento para esse tipo de fundo, trazendo inovações importantes para o crescimento e o fortalecimento do setor.
Publicado em 06/06/2007 - 14:56