As estrelas do mercado
Por que as ações de empresas brasileiras como a Petrobras e a Vale seduzem tanto os investidores estrangeiros. Por MILTON GAMEZ em 20/12/2007.
Disponível em:<http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/535/artigo69020-1.htm>.
Acesso em: 10 mar. 2009.
BORBULHAS NO PREGÃO Em 2007, empresas captaram R$ 68 bilhões na bolsa com a emissão de ações. Os estrangeiros compraram 75,8% dos IPOs, como o da Bovespa Holding (acima)
Os dólares
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Estou bebendo estrelas”, disse o monge francês Dom Pérignon ao inventar o champanhe, quatro séculos atrás. Símbolo de alegria e celebração até os dias de hoje, o vinho espumante invadiu o grande salão de eventos da Bovespa em 2007 e revelou, em suas borbulhas, um ano histórico. Nada menos que 64 empresas estrearam no mercado de ações. A própria Bovespa abriu o capital e protagonizou um dos maiores IPOs (sigla de ofertas públicas iniciais) do mundo, com a venda de R$ 6,6 bilhões em ações. No total, as companhias abertas levantaram cerca de R$ 68 bilhões na bolsa, num frenesi que há muito não se via. O Brasil, até novembro, foi o quinto maior mercado de IPOs do planeta e emplacou duas das dez maiores operações, a da Bovespa Holding e a da BM&F (R$ 6 bilhões). E de onde saiu o dinheiro despejado nas novas estrelas da bolsa brasileira? Lá de fora, especialmente dos cofres dos investidores europeus e americanos.
Os estrangeiros abocanharam, simplesmente, 75,8% das novas ações lançadas na Bovespa. Os dólares e os euros compraram mais de 90% dos papéis de nove iniciantes: Gafisa, PDG Realty, Banco Pine, Tarpon, Banco Indusval, Banrisul, SEB, Trisul e Agrenco. No IPO da Bovespa Holding, os “gringos” levaram 78% das ações. Até mesmo a Bolsa de Nova York investiu US$ 90 milhões e tornou-se sócia da brasileira. “Compramos 1% da Bovespa na abertura de capital”, afirmou à DINHEIRO Noreen Culhane, vice-presidente executiva da NYSE Euronext, controladora da Bolsa de Nova York.
Há muitos anos, lembra a executiva, empresas brasileiras brilham na meca do capitalismo. Desde que a Aracruz Celulose lançou suas ações (por meio de recibos conhecidos como ADRs) em Nova York, em 1992, os holofotes dos investidores institucionais passaram a mirar o País. Hoje, 32 empresas são negociadas em Manhattan. Mas ela quer mais. “O Brasil tem companhias excelentes e é um dos três principais mercados para nós fora dos Estados Unidos”, diz Noreen. Os outros dois são China e Índia.
As ações de empresas estrangeiras representam 12% dos negócios na Bolsa de Nova York. São 424 companhias de 45 países, com um valor de mercado de US$ 11,7 trilhões. Não por acaso, duas das empresas mais transacionadas por lá são brasileiras: a Petrobras e a Vale do Rio Doce. Em novembro, elas lideraram mais uma vez o ranking dos ADRs (veja quadro). E o que faz essas empresas tão atraentes para os investidores americanos e internacionais? “Elas têm uma exposição significativa no Exterior, têm negócios muito grandes e cresceram enormemente nos últimos anos”, diz a executiva. Também são estrelas do pregão americano a Telemar e a Ambev.
No total, as brasileiras têm um valor de mercado de US$ 747 bilhões e geraram negócios diários de US$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre, 90% acima do mesmo período do ano passado.
Em 2007, duas delas debutaram na maior bolsa de valores do mundo, a Gafisa e a Cosan. Somadas, as brasileiras representam 16% do volume diário dos ADRs negociados em Nova York.
Na Bovespa, as estrelas do mercado também são alimentadas com o dinheiro estrangeiro. A participação desses investidores, que dez anos atrás era de 25% das negociações, hoje bate nos 35%. São dólares e mais dólares investidos em blue chips como Petrobras, Bradesco, Usiminas, Vale, Banco Itaú , CSN e Gerdau, entre outras. Por essas e outras, o Ibovespa subiu 37% até 18 de dezembro.
Os estrangeiros estão aproveitando os IPOs para explorar novas constelações. Não fossem eles, lançamentos gigantes como os da Bovespa Holding, da BM&F e da Redecard (R$ 4,6 bilhões) não seriam tão bem-sucedidos.
“Existe uma alta liquidez do lado de lá. O Brasil não teria condições de fazer captações tão pesadas com base somente na demanda doméstica”, afirma Sergio Citeroni, sócio da consultoria Ernst & Young.
Outras mudanças estruturais, como a adoção de padrões de governança corporativa mais rígidos pelo Novo Mercado da Bovespa e a criação do Sistema Brasileiro de Pagamentos, elevaram a atratividade dos papéis brasileiros. “A inserção maior do Brasil se deu por uma série de fatores que permitiram ao País ocupar seu espaço nos portfólios dos investidores internacionais”, diz João Batista Fraga, superintendente de Relações com Empresas da Bovespa. As boas persperspectivas econômicas dos emergentes e a globalização cada vez maior explicam o fenômeno das ações brasileiras e devem continuar em 2008. “O cenário para as empresas prontas para fazer seu IPO permanece saudável”, avalia Citeroni.
BLUE CHIPS BRASILEIRAS As 32 ações de empresas do Brasil giraram US$ 46 bilhões na Bolsa de Nova York somente no mês de novembro. Com esse volume, o País faz parte do grupo de elite dos estrangeiros nos EUA
As estrelas mais antigas devem manter a preferência dos analistas no ano que vem. O barril do petróleo a US$ 100 e a descoberta do megacampo de Tupi sugerem bons resultados para a Petrobras. Suas ações subiram 64% até o dia 18 e foram listadas pela revista Fortune entre as dez melhores opções de investimento para 2008. O crescimento chinês promete manter a demanda pelos minérios da Vale, que subiu 82%.
Os papéis verde-amarelos poderão ser beneficiados pela promoção do Brasil a grau de investimento pelas agências rating, nos próximos meses. “Será sensacional”, diz o gerente da Prosper Corretora, André Segadilha.
O cenário positivo pode sofrer se houver recessão nos Estados Unidos. Mas, se o otimismo prevalecer, vai faltar champanhe na Bovespa.
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terça-feira, 10 de março de 2009
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