sexta-feira, 6 de março de 2009

Juro que assusta

As operações financeiras são caracterizadas pela negociação envolvendo duas variáveis principais, apresentadas como dinheiro e tempo. Para facilitar, costumamos assumir que a verdadeira mercadoria negociada em qualquer operação financeira envolve a análise do dinheiro no tempo ou da taxa de juros. A taxa de juros ou de retorno é sempre a verdadeira mercadoria comprada ou vendida em operações financeiras.

Os livros Matemática Financeira com HP 12C e Excel, Matemática Financeira para Concursos e A Matemática das Finanças apresentam importantes conceitos de matemática financeira, necessários para a resposta das questões propostas.

Leia os capítulos indicados, analise o texto (disponível em financenter.terra.com.br/Index.cfm/Fuseaction/Secao/Id_Secao/280, acesso em: 23 ago. 2008) e responda às perguntas a seguir.

a) Qual a importância da análise da taxa de juros em matemática financeira?
b) Qual a associação existente entre taxas de juros e risco? Por quê as taxas apresentadas no texto podem ser consideradas muito altas?

JURO ASSUSTADOR
Por Cristina Rafael Martinussi, técnica do Procon-SP


Taxas do crédito pessoal e do cheque especial sobem e alcançam o maior nível em cinco anos. Tomar dinheiro emprestado junto aos bancos está cada vez mais caro. Pesquisa divulgada ontem pela Fundação Procon de São Paulo mostrou que as taxas de juros do crédito pessoal e do cheque especial atingiram o maior patamar dos últimos cinco anos no país, exigindo cada vez mais cautela dos consumidores na hora de se endividarem. Na média, os juros do crédito pessoal atingiram 5,69% ao mês, taxa sem precedentes desde setembro de 2003, quando estavam em 5,73%.
O custo dessa modalidade de financiamento está em alta desde janeiro último, portanto, bem antes do processo de aumento da taxa básica (Selic), iniciado em abril. No cheque especial, os juros saltaram, na média, para 8,97% ao mês (ou 180,3% ao ano), o nível mais elevado desde agosto de 2003 (9,17%). Foram pesquisadas 10 instituições, que detêm mais de 80% da clientela: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Nossa Caixa, Real, Safra, Santander e Unibanco.
Segundo Cristina Rafael Martinussi, técnica do Procon responsável pela coleta de informações, o nível de endividamento dos brasileiros é preocupante. “E o que torna o quadro mais grave é que as pessoas estão recorrendo com vontade a uma das modalidade de crédito mais caras do mercado, o cheque especial, transformado em segundo salário por muita gente”, afirmou.
Destino
“Desse jeito não tem escapatória. Em algum momento, isso vai se transformar em inadimplência”, acrescentou. O ideal, na avaliação de Cristina, é que as pessoas só façam dívidas quando realmente for necessário, pois a tendência dos juros é de alta e há o risco de a renda encolher além do programado por causa da disparada da inflação.
Para Cristina, os brasileiros precisam se organizar e fazer o crédito saudável. Isso significa recorrer às linhas mais baratas, como o empréstimo consignado, com desconto em folha de pagamento. Não sendo possível, a dica é recorrer ao crédito pessoal, que está ficando cada vez mais caro, mas ainda é melhor do que entrar no cheque especial. “Entre o crédito pessoal e o cheque especial, a diferença chega a três pontos percentuais por mês. É muito”, destacou.
O problema é que as pessoas se acomodam com as facilidades oferecidas pelos bancos para o cheque especial. A linha fica disponível para ser usada a qualquer momento, tornando-se um atrativo para aqueles que não querem passar pelos trâmites de análise das demais linhas, como a comprovação de renda. “O preço dessa facilidade são os juros mais altos do mercado”, complementou a técnica do Procon.
Péssimo defeito
Para tentar mudar esse quadro, o Procon de São Paulo tem oferecido cursos e palestras aos consumidores que estão endividados e aos que desejam equilibrar o orçamento doméstico. “Em um dos cursos, Como Sair do Vermelho, quase 100% dos participantes estão devendo muito dinheiro aos credores.
O nosso trabalho, então, é ajudar essas pessoas a reduzirem os débitos da forma menos traumática possível”, assinalou a técnica Cristina Rafael Martinussi.
Mas não se trata de uma tarefa fácil, pois tanto os bancos quanto as lojas têm incentivado o endividamento, estimulando um defeito dos brasileiros, o de não olharem para os elevados juros que estão pagando, mas, sim, fazerem rápidas contas para saber se as prestações dos empréstimos ou dos crediários cabem no bolso.
Pela Pesquisa do Procon paulista, dos 10 bancos pesquisados em agosto, três aumentaram a taxa do empréstimo pessoal: Bradesco, cujos juros passaram de 5,87% para 5,93% ao mês entre julho e agosto; Itaú, onde a taxa saltou de 6,58% para 6,64% ao mês; e HSBC, que elevou o custo de 4,81% para 4,82% mensais.
No cheque especial, as maiores altas foram registradas nos bancos Safra, de 11,79% para 12,30% ao mês; Real, de 8,90% para 9,28% mensais; e Bradesco, de 8,39% para 8,58% ao mês. É importante destacar que, em todos os casos, as taxas coletadas se referem aos juros máximos cobrados dos clientes não preferenciais, que não têm, por exemplo, nenhum tipo de aplicação financeira no banco como contrapartida.
Desse jeito não tem escapatória. Em algum momento, isso vai se transformar em inadimplência.

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