sábado, 7 de março de 2009

Prevendo o imprevisível

Um dos pontos mais polêmicos dos estudos acadêmicos de Finanças faz referência à hipótese de eficiência dos mercados financeiros. Em mercados eficientes seria impossível prever o comportamento dos preços futuros. Não existiriam ações caras ou baratas. Leia as informações apresentadas a seguir e responda às perguntas formuladas.
"Eu consigo calcular o movimento de corpos celestiais, mas não a loucura das pessoas."
Sir Isaac Newton
"Não existe almoço grátis."
Milton Friedman


a) O que é a hipótese de eficiência dos mercados financeiros?
b) Por quê seria impossível prever os preços das ações supondo a eficiência dos mercados?
c) Se não existem preços caros ou baratos, por que as corretoras vivem a analisá-los?



A alegria durou pouco

Depois da euforia inicial, boa parte das aberturas de capital realizadas nos últimos anos se mostrou um investimento ruim ? Quase 70% das empresas que chegaram à bolsa valem hoje menos do que no dia do IPO.
Por Daniella Camargos na EXAME em 24 jul. 2008.

Disponível em: . Acesso em: 27 jul. 2008.

De queixo caído, o mercado financeiro brasileiro assistiu em junho à maior abertura de capital de sua história. A petrolífera OGX, do empresário carioca Eike Batista, levantou 4 bilhões de dólares na Bolsa de Valores de São Paulo — número que explica a largura dos sorrisos de Eike e sua equipe na foto que ilustra a página ao lado. As ações da empresa fecharam aquele dia eufórico com alta de 8,3%, o que deu à OGX o incrível valor de mercado de 23,6 bilhões de dólares. O feito transformou o empresário em destaque na imprensa brasileira e mundial. Afinal, Eike criara do nada uma companhia com quase 7% do valor da Petrobras — do nada mesmo, pois a OGX ainda não havia produzido um só barril de petróleo, enquanto a estatal brasileira entrega mais de 2 milhões de barris por dia. Passado aquele dia de júbilo, porém, o cenário começou a mudar. Para pior, muito pior. Pouco mais de um mês depois da abertura de capital, as ações da OGX já caíram mais de 50%. Numa conta matemática simplória, a companhia perdeu quase 1 bilhão de reais de valor por dia útil. Para quem comprou ações da OGX naquele 13 de junho eufórico e achou que o suposto toque de midas de Eike multiplicaria seu dinheiro rapidamente, a empresa vem se transformando — pelo menos até aqui — num problema.
Antes fosse o único. O roteiro seguido pela OGX nas últimas semanas tem sido repetido com angustiante freqüência na bolsa brasileira. Grandes operações anunciadas como transformadoras, ícones de uma nova fase do mercado de capitais nacional, logo se mostram investimentos ruins. Bovespa e BM&F são exemplos de aberturas de capital enormes, que tiveram valorização superior a 20% no primeiro dia de negociação e despencaram nas semanas seguintes. Esses são apenas os casos mais notórios. Há dezenas de outros. Um estudo inédito do banco de investimento Citibank mostra que a onda de aberturas de capital (ou IPOs, na sigla em inglês) foi, até agora, um mico do ponto de vista do investidor. Desde 2004, 115 companhias brasileiras foram à bolsa e, com isso, arrecadaram mais de 120 bilhões de reais. Os resultados, para quem investiu nessas empresas e viu nelas uma aposta de médio prazo, foram desastrosos. Cerca de 70% das empresas que abriram o capital nos últimos quatro anos valem hoje menos do que no dia do IPO. Dezesseis delas tiveram desvalorização maior que 50%. E aproximadamente 94% apresentam desempenho pior que o Ibovespa — ou seja, mesmo que as ações tenham se valorizado, perderam para o mais conservador índice da bolsa paulista. “Houve um exagero na forma com que as emissões foram conduzidas e nas expectativas de retorno”, diz Gustavo Franco, expresidente do Banco Central e sócio da Rio Bravo Investimentos.
Por que isso aconteceu? As razões são diversas. A principal delas pode ser resumida numa máxima que é repetida como mantra por banqueiros de investimento especializados em aberturas de capital: “If the ducks are quacking, feed them” (“Se os patos grasnam, alimente-os”). Os patos, nesse caso, são os investidores internacionais. Nos últimos anos, a liquidez global causada por taxas de juro historicamente baixas motivou uma desenfreada busca por ativos em países emergentes. A bolsa brasileira oferecia apenas os suspeitos de sempre: Vale, Petrobras, os grandes bancos, as siderúrgicas, as empresas de telecomunicações. Era pouco. Com a perspectiva de obtenção do grau de investimento, o apetite estrangeiro por novas oportunidades com alto potencial de retorno foi potencializado. O volume diário negociado por estrangeiros na bolsa paulista era de apenas 49 milhões de reais em 2003. Passou para 410 milhões no ano passado. Os patos, famintos, grasnavam.

As empresas após a abertura de capital
Após a euforia inicial, cerca de 70% das aberturas de capital na Bovespa tornaram-se um mau investimento. Hoje, algumas ações valem menos que o IPO.

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