sábado, 7 de março de 2009

Bernanke e os juros

E lá se foi a bala de prata
Num ato dramático, Ben Bernanke zerou a taxa de juros, mas deixou a dúvida: o que mais ele pode fazer?

LEONARDO ATTUCH

NOS ANTIGOS FILMES DE bangue-bangue, a bala de prata era o último recurso dos caubóis. Se ela não funcionasse, nada mais daria certo. Na semana passada, Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve, banco central americano, gastou a sua. Num movimento dramático, ele praticamente zerou a taxa de juros norte-americana na tarde da terça- feira 16, que poderá oscilar entre 0% e 0,25%. Agora, os juros nos Estados Unidos, onde a inflação roda na casa de 4% ao ano, são negativos. Em outras palavras, isso significa que o dinheiro que as pessoas decidirem poupar irá derreter nas suas mãos. Portanto, a decisão lógica seria voltar a consumir, fazendo girar a roda da economia. No primeiro momento, os mercados chegaram a ensaiar um pequeno rali, mas as bolsas caíram nos dois dias seguintes ao anúncio. "A medida transmitiu uma idéia de desespero", disse à DINHEIRO o investidor Bill Fleckenstein, que escreveu um bestseller sobre a crise atribuindo a culpa a Alan Greenspan, antecessor de Bernanke no cargo. Num artigo no The New York Times, Paul Krugman, atual Nobel de Economia, disse que a política monetária não funciona mais. Exatamente como ocorreu no Japão na década de 90, quando taxas de juros negativas não bastaram para reverter uma crise de confiança.
No mundo, a decisão do Federal E lá se foi a bala de prata Num ato dramático, Ben Bernanke zerou a taxa de juros, mas deixou a dúvida: o que mais ele pode fazer? LEONARDO ATTUCH Reserve teve um outro efeito colateral. Fez com que o dólar derretesse e atingisse a cotação mais baixa em uma década - um euro, passou a valer mais de U$$ 1,40. Aqui, a medida também serviu para realimentar críticas contra a gestão de Henrique Meirelles no Banco Central. O economista Paulo Nogueira Batista Júnior, representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional, definiu a política do BC como "ortodoxia de galinheiro". O curioso é que aqui, ao contrário dos Estados Unidos, alguns indicadores macroeconômicos até melhoraram. A dívida pública caiu para 35,9% do PIB e as reservas internacionais atingiram US$ 209 bilhões. Meirelles insiste no argumento - verdadeiro, diga-se de passagem - de que problemas distintos devem ser enfrentados de maneiras distintas. Nos Estados Unidos, depois de esgotada a política monetária, sobrou ao futuro governo de Barack Obama apenas a alternativa de usar instrumentos fiscais. Na semana passada, falava-se num novo pacote que poderia chegar a US$ 850 bilhões.

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