No rumo da Bolsa
O que as empresas que abriram capitalestão fazendo com os milhões queentraram em seus caixas
Por ELAINE COTTA
Disponível em: <http://www.terra.com.br/istoedinheiro/444/financas/rumo_bolsa.htm>.
Acesso em: 10 mar. 2009.
Está escrito em relatórios financeiros distribuídos em todos os cantos do mundo: o mercado acionário brasileiro, nos últimos tempos, tornou-se um fenômeno mundial. Um estudo recente do Morgan Stanley, por exemplo, aponta que o conjunto de papéis de empresas nacionais acompanhado pelo banco americano teve, em 2005, valorização de 22%, média muito superior à de companhias de outras nações emergentes. Além disso, por conta da valorização do real, o preço das ações nacionais cotadas em dólares subiu 72%. A chegada de novas empresas à Bolsa é um capítulo à parte. De acordo com a consultoria Economática, Localiza e Submarino foram, juntas, as aberturas de capital mais rentáveis da América Latina no ano passado. Ambas captaram R$ 738 milhões e tiveram valorizações de 150% e 90%, respectivamente. No total, a Bovespa movimentou em 2005, R$ 13,9 bilhões com emissões. Neste ano, a tendência continua sendo de crescimento. Os analistas esperam expansão de até 35% e, até a primeira semana de março, essas operações somavam R$ 3,6 bilhões. “É um crescimento consistente, não uma bolha”, comenta Manuel Lois, da corretora Spinelli. O fenômeno também traz de volta um conceito que parecia esquecido no mercado: o de que o jogo com ações, mais que instrumento de ganhos financeiros, é ferramenta imprescindível de financiamento da economia e das empresas.
No novo ciclo virtuoso da Bolsa, os investidores compram ações brasileiras porque a economia vai bem e as empresas usam esse dinheiro para investir no próprio País. Um bom exemplo vem da Cosan, do setor sucroalcooleiro. A empresa, uma das novatas do mercado, usou os recursos captados em duas emissões para quitar dívidas e investir em expansão. Comprou duas usinas de moagem de cana, avaliadas em R$ 500 milhões. “Encaramos a abertura de capital como a melhor alternativa de financiamento sem elevar a dívida”, disse à DINHEIRO Guilherme Almeida Prado, gerente de relações com investidores da Cosan. O projeto é semelhante ao da OHL Brasil, que administra rodovias como a Intervias, que liga o interior de São Paulo ao Sul de Minas. Pelo menos 35% dos R$ 496 milhões captados estão sendo gastos nas obras já em andamento –gerando emprego e movimentando a economia. O restante será investido em novas concessões –a meta é vencer algumas das licitações que serão feitas pelo governo federal neste ano. Na lista de empresas que estão crescendo a reboque das captações estão outras companhias. A TAM, por exemplo, refinanciou e renovou sua frota de 76 aeronaves no ano passado graças à valorização de 147% no preço de suas ações. A Localiza quitou dívidas e trocou a frota, enquanto o Submarino, que teve lucro 192% maior em 2005, introduziu ferramentas para facilitar a venda de produtos no seu site. Outro caso de sucesso vem das ações do setor imobiliário. Em menos de seis meses, quatro empresas abriram capital e estão na lista dos papéis mais valorizados. A Gafisa pretende usar parte dos R$ 927 milhões captados em fevereiro na aquisição de terrenos que serão usados em novos empreendimentos. A Cyrela vai pelo mesmo caminho. “Todas são empresas que, se estivessem nos EUA, teriam valor de mercado três vezes maior que o atual”, comenta Lois. “Ainda temos muito para crescer.”
O destino dos milhões
SALIM MATAR: A Localiza usou os R$ 265 milhões arrecados em maio do ano passado para ampliar sua frota de veículos, que hoje é de 7,3 mil carros
CONSTANTINO: A Gol captou R$ 594 milhões em 2005 e encomendou 58 aviões Boeings 737 novos e outros 67 aeronaves 737-800 que estarão voando até 2012
JOÃO OMETTO: A Cosan, com os R$ 886 milhões que entraram no caixa, quitou dívidas e comprou duas usinas de moagem de cana avaliadas em R$ 500 milhões.
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terça-feira, 10 de março de 2009
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